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Archive for março 2010

Sobre nós!

O coletivo Ação Antisexista surgiu em 2007 da necessidade que tínhamos de trazer em discussão o sexismo. Estamos mais do que cercadxs por esta opressão, ela acabou se instalando nas entranhas de nossos seres e só nos resta lutar diariamente para desconstruirmos esses conceitos que nos foram impostos. Quando nos conhecemos e nos organizamos, nos sentimos bastante motivadxs pelo que poderíamos construir juntxs e nos sentimos fortalecidxs. E também menos sozinhxs na nossa luta.
Nossa primeira atividade foi de organizarmos um grupo de estudos. Imaginávamos que a partir disso poderíamos construir uma rede antissexista, da união de indivíduos e coletivos, à semelhança de grupos de ação antifascista, focando em campanhas de conscientização e luta. O grupo de estudos se reunia 2 domingos por mês conforme foi arranjado pela disponibilidade do pessoal. Debatemos várias questões que surgiam da leitura de textos que cada umx trazia, de forma aberta para colocarmos nossas experiências, vivencias pessoais, sentimentos, impressões e consequências que sofremos do machismo. Porém, a proposta de rede teve pouca adesão real e a partir daí nossas atividades e materiais começaram a ganhar uma identidade própria, refletindo nossos pontos de vista e nossa identidade como feministas e como anarcopunx/crusties.
Na época tínhamos ocupado uma antiga fábrica que estava abandonada há mais de 10 anos no bairro Humaitá, a Squat N4, então nossas atividades como coletivo e como okupas se completavam e participávamos como membros de ambos projetos de várias atividades. Assim foi nossa participação nos anos de 2007 e 2008 na Festa da Biodiversidade, um evento que tem como intenção chamar a atenção para plantio da monocultura, do deserto verde (plantação de eucaliptos) e do plantio de sementes transgênicas, através de uma feira anual que consiste em mostrar alternativas a forma de cultivo, denunciar as empresas responsáveis pelo deserto verde e produtoras de transgênicos. E como coletivo antissexista semeamos a nossa semente de diversidade também nas questões do gênero, além de estarmos presentes com a critica radical à especulação imobiliária e a exclusão habitacional. Pois acreditamos que a luta deve ser ampliada para todos os segmentos. Nessa época produzimos o primeiro número do zine “Nem Escravas, Nem Musas” e o distribuímos na feira, o pessoal foi muito receptivo e ficamos muito contentes que muitas pessoas se identificaram com a proposta. Nestes 2 anos consecutivos o coletivo também participou da organização das manifestações contrárias a reunião do G8. Sendo o G8 um grupo que toma decisões arbitrárias em contradição com a democracia que eles dizem defender e portanto um grupo de dominação, nós achamos importante nos manifestarmos contra isso. E também é evidente que a manutenção do patriarcado é indispensável para que estes grupos detenham o domínio econômico e político.
Participamos da marcha da Via Campesina no 8 de março de 2007 onde acabamos por fazer novas amizades e contatos com grupos que se tornaram parceiros em varias atividades, manifestações e ações até hoje.
O Coletivo organizou ainda na Okupa, oficinas de defesa pessoal feminista, o Wen-Do, ministradas por uma companheira de Curitiba.

Planejamos uma viagem para a Europa no ano de 2009, um projeto que já vinha tomando forma há certo tempo. E chegamos na França para o acampamento anti-Otan que acontecia bem perto do encontro de aniversário de 60 anos desta organização. Esta foi nossa primeira atividade, onde ficamos por 5 dias com mais 2 mil pessoas de diversas partes do mundo, organizações e coletivos, em protesto contra esta reunião. Dali seguimos para a Alemanha e também suíça, percorrendo de bicicleta, parando em squats e centros autônomos. Participamos em Berlim do Queer Fest que acontecia no wagenplatz – ocupações de terrenos baldios onde xs okupas vivem em trailers – Schwarzer Kanal, que sofria ameaça de despejo. Fizemos uma oficina de vídeo ativismo e participamos de diversas atividades deste evento que incluíam bate-papos, apresentações e celebrações. Participamos de varias outras mobilizações e também experenciamos o dia-a-dia de estarmos na estrada conhecendo e reencontrando outras pessoas e espaços, fazendo muitas amizades, compartilhando e percebendo afinidades.
Em janeiro de 2010, de volta a Porto Alegre, fizemos parte de um grupo de coletivos, o Mulheres em Luta para organizarmos uma marcha paralela ao Fórum Social Mundial e uma oficina sobre o tema “Estupro”. Em março participamos mais uma vez com as mulheres da Via Campesina, o Movimento dxs Trabalhadorxs Desempregadxs, estudantes e outros grupos autônomos de atividades pelo dia 8 de março. Colaboramos na construção das mobilizações do Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, do Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto, Dia da Visibilidade Lésbika, do bloco Negro-e-Rosa na Parada Gay, da Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre…

Na Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre lançamos o segundo número do zine Nem Escravas, Nem Musas e a tradução e adaptação do zine Reagindo – Autodefesa para Mulheres de Todas as Idades. Neste evento propomos um debate sobre Feminismo e Anarquismo, tentando promover uma conexão mais forte entre essas duas lutas que acreditamos estarem conectadas. Percebemos que o anarquismo é extremamente importante para a luta feminista, para desenvolvermos relações de horizontalidade, sem poder e dominação típicas do patriarcado e do capitalismo. Assim como é fundamental que se assuma o feminismo na luta anarquista para que esta seja de fato coerente na sua manifestação e caráter.

Para breve estamos planejando um grupo de debate sobre desmasculinização, e estamos traduzindo alguns materiais também sobre esse tema. Além disto estamos adaptando e traduzindo um dicionário de bolso sobre feminismo. Juntamente com algumas mulheres da Massa Crítica estamos organizando um pedal para mulheres. Desde o incício de 2010 estamos participando da M.C., e concordamos com outrxs participantes de que um espaço só para mulheres é essencial para incentivar que as mulheres pedalem e se organizem.

A luta segue! Para trocas e amizade escreva-nos em acaoantisexista[at]subvertising[.]org 

Luta

Mais um dia 8 de março. E muitos virão. Pois a luta é inevitável e a realidade precisa ser alterada.
Mais um dia. Não para comemorar. Para resistir à opressão e lutar.

E cada rosto coberto, cada pulso erguido representa todas mulheres. Oprimidas, violentadas, descriminadas, ameaçadas, não ouvidas. Repudiamos o patriarcado, lutaremos até que nenhuma mulher seja subjugada. Lutamos porque essa é a nossa realidade, cruel. Porque é impossível seguir em falsa igualdade alcançada apenas no contexto capitalista de que hoje a mulher conquistou seu espaço. Primeiro porque isso não é a realidade de todas, nem em todos os setores de suas vidas. Segundo porque não queremos nos igualar aos conceitos opressores de uma sociedade baseada na competitividade e na falsa democracia.

Não queremos alternância de poder, queremos derrubá-lo. Acreditamos na autonomia, liberdade e horizontalidade.
Não vamos nos calar e manter a ordem, ao contrário seguiremos confrontando. Todos os dias, porque assim se faz necessário.