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Archive for setembro 2010

Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto!

O aborto é uma realidade. Ele vem sendo praticado por mulheres em todo o mundo e no Brasil não é diferente. A legislação brasileira proíbe o aborto taxando-o como crime contra a vida e prevê detenção que pode variar de 1 a 10 anos, porém sugere a não punição para os casos onde há risco de morte para a mãe ou quando a gravidez é resultado de estupro. Mesmo nesses casos a mulher tem que se submeter a lento e traumático processo judicial para requerer autorização de abortar ou não ficar submetida à punição. À maioria resta apenas o aborto ilegal, realizado em clinicas clandestinas ou auto-infligido com o auxílio de medicamentos ou outras formas ainda mais arriscadas. Independente de todas as barreiras o aborto segue sendo uma opção, independente do medo às punições do Estado, dos riscos à saúde, dos altos preços cobrados pelas clínicas clandestinas, da culpa moral/religiosa, etc. Anualmente estima-se que cerca de 1,5 milhões de mulheres se submetem ao aborto só no Brasil, e destas, 250 mil são internadas em hospitais da rede pública para realizar curetagem após a prática de aborto inseguro.

Até agora as tentativas para descriminalizar o aborto no Brasil sempre foram barradas pelos interesses dos políticos que julgam estar representando todas nós. Não somos ingênuas para acreditar que a real descriminalização do aborto possa ser concedida, esmolada. Mesmo que o aborto seja legalizado, as mulheres, principalmente as de classe mais baixa, estarão sujeitas ao sistema de saúde pública falho e aos moralismos, tabus e preconceitos tão profundamente encravados em nossa sociedade.

O 28 de setembro é marcado pelo Dia Latino-Americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização do Aborto, que já completa duas décadas de história. E para marcar nossa luta aqui em Porto[dis]Alegre, estaremos reunidas na esquina democrática juntamente com Resistência Popular, Mulheres Livres e outros coletivos e indivíduos, a partir das 18h30. Junte-se a gente neste dia, nesta luta!

______________________________________________________ Atualização 02/10/10

Confira fotos do ato aqui.

______________________________________________________ Atualização 07/10/2010

baixe aqui o panfleto (frente)
e aqui o verso

Ações de Agosto e Inicio de Setembro

Nas últimas semanas aconteceram algumas atividades que gostariamos de dividir com todxs que acompanham o blog. Têm sido semanas corridas, e as vezes é dificil sincronizar as ações na vida real com as atualizações aqui do site, entao as atividades vão se acumulando….

O fim de agosto foi bastante movimentado. No dia 21 aconteceu o lançamento da OUTRA CAMPANHA, uma proposta inspirada na La Otra Campaña dxs companheirxs Zapatistas,  construindo e celebrando uma nova politica, combativa e horizontal, em oposição ao circo eleitoral porque nossas urgências não cabem nas urnas! A atividade também lembrou o 1º ano do assassinato de Elton Brum pela brigada militar. Na última sexta do mês, dia 27 rolou a Massa Critica, apesar da forte chuva.

Sábado, dia 28 participamos do 1º Caracol Libertário, que juntou diversos grupos para discutir temas ligados a teoria e prática anarquista. Rolaram papos sobre as anarquistas Louise Michel e Juana Buela,  sobre as correntes anarquistas e o especifismo, sobre capoeira, uma perspectiva revolucionária do movimento socioambiental, exibição de filmes… Nosso coletivo puxou uma conversa sobre a relação entre anarquismo e feminismo, tentando trazer a tona essa conexão intrinsica entre o poder do estado e o poder patriarcal; o poder do patrão, o poder do marido, o poder do pai.  Distribuímos um pequeno texto a fim de acender o debate e não concentrarmos tanto a palavra. Por coincidência todas as conversas sobre feminismo, protagonismo da mulher e antisexismo ficaram para o período da tarde, então houve uma continuidade no debate sobre essa temática, mesmo assim sentimos que o tema segue sendo muito polêmico e velhos preconceitos ainda estão muito vivos…  xs feministas continuam sendo acusadxs de ‘dividirem’ o movimento e pra muitxs as demandas feministas ainda devem ser mantidas em segundo plano e em muitos momentos nos sentimos atacadxs e desvalidadxs. Entendemos que o tema é especialmente polêmico por visibilizar as estruturas de poder e de privilégios presentes em todxs nós – até mesmo entre anarquistas.  Mesmo assim surgiram muitas questões importantes, e foi muito bom ver muitxs se solidarizando com as idéias anarcafeministas.

No dia 29 de Agosto é celebrado o DIA NACIONAL DA VISIBILIDADE LÉSBIKA e aqui em Porto Alegre aconteceu a 4ª Marcha Lésbika. Pelo segundo ano consecutivo organizou-se um bloco autonômo que reuniu o Coletivo Mentes Plurais, As Mulheres Rebeldes, o Coletivo Corpos em Revolta, e nós do AçãoAntisexista, que participamos pela primeira vez.

O feriado de 7 de setembro parecia seguir normalmente: os militares marchavam, o público aplaudia, e xs descontentes faziam uma passeata passiva, há uma distância segura, invisiveis. Tem sido assim há alguns anos, mas nesse ano um outro elemento foi adicionado. Participamos com o pessoal da ResistênciaPopular, Levanta Favela, Mulheres Livres, coletivos antimanicomiais…. começando nossa caminhada na borges, um pouco atrás do [fraco] Grito dos Excluídos, mas logo mudando a rota e nos aproximando ao máximo do “desfile militar”. Rapidamente a Tropa de Choque formou um cordão de isolamento nos mantendo distantes,nos intimidando com armas não letais e letais. ali o pessoal do Levanta Favela apresentou uma esquete sobre a tortura durante a ditadura e hoje, provocando e chamando a atenção das pessoas que estavam por perto. Caminhamos um pouco mais em diversas direções e a esquete foi encenada em diferentes pontos ao longo da parada militar, sempre sob vigilância policial.

Agora estamos envolvidxs com a organização da 1ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, marcada para outubro, logo logo estaremos divulgando. Também em outubro vamos participar do MorroStock, vão rolar feiras de materiais independentes, um painel sobre midia alternativa com a participação da rádio livre Antena Negra e vamos tocar com a ferida no dia 15.