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Feministas votam nulo!

As eleições no Brasil deste ano são mais uma evidência de que os poucos direitos que temos estão constantemente sob ameaça. Enquanto lutamos pela conscientização de que nós mulheres temos que ter o direito de tomar as decisões nas nossas vidas, ambxs candidatxs, na busca desmedida pelo voto, passam por cima, sem pestanejar, sobre nossos interesses. Após o posicionamento inicial de Dilma em favor da descriminalização do aborto, notou-se uma queda no número de intenções de votos favoráveis a candidata do PT, o que levou a especulação de que o aumento dos votos à candidata Marina Silva se deram em função da sua posição anti-aborto. Sendo esse o diferencial de Marina, os dois candidatos correm pateticamente atrás do voto destes eleitorxs, de uma forma suja e acima de tudo hipócrita. Dilma rapidamente mudou de opinião, figurando em palanques montados em igrejas ao redor do país e exibindo fotos junto ao Papa. Já Serra lê passagens da bíblia e se declara “pró-vida”. Ambxs não querem deixar dúvida de que são contra a descriminalização do aborto, nesta competição pra ver quem é x mais conservadorx. É a conveniência que dita o posicionamento político.

As mulheres que praticam o aborto, além de sofrimentos oriundos disso, são punidas, pois a lei considera o aborto um crime. Como feministas não nos sentimos confortáveis em apoiar nenhuma das candidaturas. Como anarquistas já rejeitamos o processo eleitoral, pois sabemos que votar tem o peso inverso ao proposto. Ao contrário do que a política partidária prega, de que votar é exercer a cidadania, o anarquismo percebe que votar só nos tira poder e o coloca nas mãos de unxs poucxs. Ao votar delegamos todo nosso poder por quatro longos anos àqueles que fizeram a promessa de nos representar.

Nós precisamos lutar com o que nós temos. Nossa força. Podemos sim alcançar melhores resultados mas somente se nos organizarmos e construirmos a mudança nós mesmos, todos os dias. A política verdadeira é a realidade de cada umx de nós, os desafios que enfrentamos e as soluções que vislumbramos. Ninguém sabe mais sobre as nossas demandas do que nós mesmxs! A política debatida a portas fechadas pelxs chamadxs representantes do povo não nos diz respeito!

“Se votar mudasse alguma coisa seria ilegal”
Emma goldman