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Archive for fevereiro 2011

Massa Crítica sofre atropelamento

cena do crime - jose do patrocinio x luis afonsoOntem em mais uma bicicletada presenciamos  uma situação absurda e que exige mudança comportamental e cultural da população com relação axs ciclistas, ao trânsito e da reflexão do que vem a ser uma cidade. a cidade não é dos carros! é das pessoas!

Ontem aconteceu como sempre acontece na ultima sexta-feira do mês a Massa Crítica, que é uma manifestação que acontece no mundo todo que consiste dxs ciclistas buscarem espaço no transito, fazerem entender que SÃO PARTE do transito. A bicicleta é uma alternativa auto sustentável, ecológica e barata de transporte, além de ser usada e mais comumente associada a passeio e lazer.

Mas o que aconteceu ontem foi fora de qualquer expectativa que pudéssemos ter. Um motorista/assassino atropelou o nosso grupo de ciclistas. Foi assustador o que aconteceu, e eu no momento não entendia o que se passava, pois se ouviam gritos e barulho de pessoas caindo no chão, barulho de corpos no capô, para brisa, no asfalto, em fim. Se via pernas no ar, capacetes, bicicletas, braços, tudo misturado juntamente com partes do carro (para choque talvez, espelhinhos…). Tudo voando e fazendo barulho. Um filme de terror.

Só que já podemos perceber uma distorção dos acontecimentos e é isso que me preocupa. Por exemplo, uma das coisas que a policia e a EPTC começam a dizer é que tínhamos que ter avisado a EPTC do evento. E que a falta deste aviso torna a MC irregular. Primeiro não é um evento que tem que ser avisado. É justamente uma manifestação que tem como objetivo buscar a conscientização dxs motoristas sem que estxs precisem de aparato repressor para compreenderem que temos o direito de estarmos ali. Se uma pessoa que dirige um automóvel não respeita uma ou mais pessoas que estão de bicicleta e precisa de policia ou fiscalização para respeitar, isso caracteriza que ela precisa ser supervisionada, repreendida para agir com educação e respeito. A nossa idéia é a de que motoristas e ciclistas compartilhem o transito. Existe escolta da EPTC para carros? Não. E para quando a gente está pedalando no nosso diário também não vamos pedir escolta, o que queremos é espaço e respeito a isso.

Este cara que nos atropelou passou do limite do que uma pessoa pode fazer numa situação de stress. Ele passou por cima. Ponto. E continuou acelerando mesmo ao ver pessoas no seu capô, e caídas no chão. Ele arrastou uma mulher pelo capô por vários metros e fugiu com a bicicleta dela (acredito eu) presa no carro dele!

Eu acho também, percebo, que essas declarações da EPTC de que não foram avisados, e caracterizando a MC como “irregular”são já imaginando uma possível ação movida contra a prefeitura. E que usam isso já como argumento de defesa. Só que isto ofusca a questão principal, a atitude do motorista, que não pode em hipótese alguma ser justificada.

É muito grave o que aconteceu.

Queria só também informar que bloqueamos sim a via. Porque éramos muitxs. Mas isso sempre acontece e não dura muito mais que 2 minutos de espera para um carro que aguarda, que na próxima quadra vai se ver livre de nós, pois estamos também em movimento, pedalando. X motorista só precisa ter um pouco de tolerância e esperar que o fluxo logo continuará. Acreditar que estamos atrapalhando o trânsito é um erro. Tudo atrapalha o transito. Um ônibus que pifou, um cachorro que atravessou, uma chuva que alaga a rua um carro estragado no meio da avenida. A própria quantidade de carros! E o que alguém quando dirige faz? Desvia, espera, pode até dizer “que saco!” Mas a gente não passa por cima de pessoas. E isso é muito importante também de ser aprofundado. Se fosse um ônibus parado na frente deste carro, deste motorista, ele teria se jogado contra este ônibus?

Então a gente vê que ele calculou que não teria dano nenhum a ele, e que os danos ficariam “apenas” naquelas pessoas TODAS que estavam ali. Com nossos corpos como para choques e nossas mentes e espíritos totalmente agora traumatizados. Para sempre.

Eu vi muitos rostos conhecidos, amigxs caídos, sangrando, sendo levadxs pela ambulância…ouvi relatos, pessoas chorando, uma de nós dizia que sua mãe estava ali pela primeira vez e que foi uma das atropeladas…que estava no hospital. Muito triste.

E por fim, li nos jornais uma especulação de que nós, xs ciclistas tínhamos ido pra cima do carro e causado o acidente. Isso é a mais absurda mentira. E a mais absurda incoerência física. Não foi um acidente. Foi uma tentativa de homicídio. Como um franco atirador que usa sua arma, Ricardo José Neis utilizou o seu carro como uma arma atirando-o contra as pessoas. E por isso a pessoa que está dirigindo um carro tem que ter consciência do potencial da máquina. O potencial de Ricardo José de ferir as pessoas se ele tivesse a pé, ou com seu corpo seria totalmente outro.

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Pedalada de Mulheres! é hoje!!!

Neste domingo acontece a primeira bicicletada só de mulheres aqui em porto Alegre!

A Massa Crítica de POA, ou bicicletada, vem ocorrendo toda última sexta feira do mês.

À partir da M.C., surgiu a idéia entre as mulheres de se fazer uma pedalada só de mulheres. São varias as razões: pra dar espaço para novatas, para encorajar mais mulheres de todas as idades a pedalar, gerar independência, para as que querem apenas celebrar o pedal, etc…

Assim esta pedalada tem o cunho de ser um encontro também pra trocas de idéias e solidariedade de umas com as outras. Sabemos das dificuldades que muitas enfrentam, principalmente quando estamos pedalando sozinhas,sejam cantadas indesejáveis, o trânsito agressivo, ou até mesmo dúvidas na manutenção das bicis.

Esta iniciativa existe em vários lugares do mundo, aqui no Brasil sabemos que rola pedal só de mulheres em São Paulo e em Belo Horizonte.

A primeira pedalada de mulheres de Porto Alegre é hoje, domingo dia 20 de fevereiro, e será no chafariz do Parque da Redenção, às 17h, para um bate-papo e às 18h, é a “largada” do pedal, em trajeto a ser definido na hora.

Convido-as aqui para ajudarem a construir esta idéia! Neste primeiro encontro estaremos escolhendo o nome do grupo!

———————————————–Atualização 21/02/11

o encontro e a pedalada foram muito bacanas e deixa aquele gostinho de quero mais! bom que logo vem a próxima! a princípio ficou definido para o primeiro domingo de cada mês! o nome foi escolhido! somos Cíclicas!!!
***fotos da 1ª Bicicletada só de mulheres!***

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Manifestação contra o aumento da passagem – relato/opinião

Na quarta feira 9 de fevereiro, aconteceu mais uma manifestação contra o aumento das passagens aqui em porto alegre. Organizada por partidos e outros grupos que mais estão preocupados com interesses pessoais, cargos eleitorais, méritos, status, e que ainda se aproveitam de movimentos sociais como massa de manobra. A forma de fazer política dos partidos de oposição não é oposição real a política vigente e aos problemas que estamos questionando. Usar a indignação dxs desfavorecidxs com fins oportunistas é prática da qual fazemos questão de continuar delatando. Nascem novas oposições, mas a tática é a mesma, e quando/se conseguirem alcançar o poder acatarão as mesmas decisões, nascerão outros partidos e assim o sistema é alimentado.

Este relato começa com esta crítica, porque foi bastante gritante a necessidade desses grupos e pessoas em liderar e a total arrogância e desrespeito que mostraram com xs participantes. O carro de som, por exemplo, abafou a participação dos indivíduos e centralizou o poder de fala, decidiu quais palavras a serem gritadas e “naturalmente” não ouvia novas idéias que iam surgindo no caminho.

Esta crítica é direcionada aos partidos e sua forma de organização, às diretrizes dos grupos que se vinculam aos partidos ou que se organizam de forma hierárquica, mas não aos indivíduos necessariamente. É claro que enquanto parte destes partidos e organizações, a crítica vai também a esta postura tomada, escolhida, mas ainda em graus diferentes entre xs participantes daquelxs que tem maior poder de decisão.

Em função disso, foi articulado entre alguns grupos e indivíduos um bloco autônomo do qual nós participamos. O bloco resolveu nomear dois delegados para compor junto com o Comitê Contra o Aumento da Passagem, que estava por trás do chamado da manifestação. Nos parece que a idéia era ficar por dentro das propostas e estratégias do Comitê e até quem sabe participar da construção dessas estratégias e propostas, nós da ação antisexista duvidamos disso, e percebemos que a presença de representantes do Bloco Autônomo no Comitê apenas legitimou a centralização do poder em torno do mesmo. Formar um bloco é uma estratégia muito útil por nos permitir participar nos solidarizando com as causas mas não com os oportunistas, porém não é de jeito algum fazer parte e acabar perdendo a identidade. Nessa última manifestação foi difícil reconhecer um bloco em separado do bloco dos partidos/partidários, fomos no máximo uma dúzia de pessoas à parte do bloco maior.

Compreendemos que pode ser questionável o fato de termos ido à manifestação e agora a estarmos criticando. O que nos motivou a participarmos foi pensarmos que a presença de um bloco autônomo e crítico poderia ser o contraponto disso para xs manifestantes e xs transeuntes. E acreditamos que fez diferença, embora muito pequena, estarmos ali procurando passar uma outra perspectiva de crítica, reafirmando o nosso ponto de vista de que o aumento das passagens é uma prática corriqueira e inerente ao aparato estatal. Ao longo do curso da marcha varixs participantes foram se aproximando de nós e foi muito válido sentirmos essa afinidade com outros indivíduos. Mas o nosso próprio bloco se dissolveu de certa forma, ou foi engolido pela maioria, mesmo que sem perceber. Então aqui compartilhamos esta reflexão e sugerimos que um bloco autônomo só irá assim ser efetivamente se não se deixar desaparecer no meio de uma manifestação consistida por organizações não autônomas.

Pensamos que o movimento Passe Livre inteiro tem que ser autônomo, livre de influências partidárias! São as pessoas que são desfavorecidas, não os partidos e movimentos interesseiros, e por isso a luta não pode ser cooptada e utilizada como instrumento de ascensão destes.

É importante também, que percebamos o aumento da passagem não como um fato isolado, mas como uma parte das conexões das injustiças sociais. É esperado que um movimento, grupo ou classe tome uma posição específica, uma posição com relação a uma injustiça social cometida a este movimento/grupo/classe. Mas só contextualizando e conectando todas as injustiças é que se terá uma atitude coerente de não contribuir com outras injustiças em outros setores.

Que o Passe Livre não seja um movimento de um grupo apenas, que seja para todxs que do passe livre precisem!

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