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Archive for maio 2011

Violência de Estado

A última Marcha da Maconha em são Paulo foi marcada por repressão e abuso policial, logo, violência de Estado.

Esta violência já começa quando a marcha em si é proibida de acontecer pelo Tribunal de Justiça um dia antes. A Marcha da Maconha propõe um diálogo, para que se discutam todas as questões envolvidas à legalização. Como falar em apologia a maconha não causa mais o efeito desejado, a marcha foi considerada apologia ao crime. Mas é justamente disso que a marcha se trata! O que estão dizendo com isso? Que as leis não podem ser questionadas, mudadas? Mais uma incoerência do sistema, pois muitas leis já foram modificadas e criadas desde a primeira constituição.

Xs manifestantes então decidiram por realizar uma Marcha Pela Liberdade de Expressão, pois clamam pelo debate.

Mas esta marcha também foi reprimida e a polícia usou de violência e muito gás lacrimogênio contra xs manifestantes, e que acabaram atingindo também varias outras pessoas que estavam nos arredores da marcha. Mais uma incoerência aí – a droga de Estado. O gás lacrimogênio causa muitos danos à saúde, mas é a droga usada pela polícia para “conter” manifestantes (pessoas). É droga legal e recomendada pelo Estado.

Para completar a cena, havia um grupo contra a marcha composto por neonazis, fascistas, ultra nacionalistas, que aplaudiam a violência policial assegurados pela proteção da mesma.

Proteção, Segurança, Violência, Drogas, Leis, Constituição, se tornam palavras que mudam de sentido de acordo com convenções e conveniências perpetuadas pelo Estado e pela estrutura de desigualdades das quais o sistema se alimenta.

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respeito sincero

escrevi este texto em resposta à discussão que surgiu no blog Vá de Bici, após os acontecimentos da última massa. e corresponde a uma opinião, não é de forma alguma opinião de todxs que participam da MC.

A.

Não existe consenso entre xs participantes da MC com relação a participação da EPTC na massa, certo?

Então não vai ser possível agradar a todxs sempre.
Em primeiro lugar eu acho que de nada valem as ofensas. As pessoas não devem ser atacadas. Mas as ideias é que devemos questionar se não concordamos com elas.
A massa não é heterogênea e horizontal? Acho que isso tem que ser uma pratica e não uma teoria que sirva em situações que nos convêm.
Então não pode ser considerado infantil ou arbitrário quando as pessoas que estão em um dado momento na parte da frente da massa decidirem mudar o trajeto. Foi isso que aconteceu na última sexta. As opiniões diferem, e assim como tem gente que achou ótimo que a EPTC estava nos guiando, outrxs não acharam e decidiram exercer esta autonomia que a massa nos dá de sermos espontânexs e irmos decidindo as coisas no caminho. Isso não significa que sempre tomaremos a melhor decisão. mas isso é um direito que nos cabe! as pessoas que mudaram o trajeto, logo ficaram para trás e outras pessoas poderiam ter mudado o trajeto de novo gente!!! E elas mesmas não acharam uma boa idéia as 2 opções que restaram no fim, entre túnel e corredor de ônibus. Então ficar especulando o que existe na cabeça destas pessoas não é a melhor atitude que podemos tomar.

As pessoas que sabiam do caminho planejado devem logo ter percebido que o caminho mudou e tinham total autonomia de mudar o trajeto de novo! Agora, entendo que as pessoas que falaram com a EPTC estavam confiantes nisso, de que a EPTC estaria guiando o caminho, ou de que todxs seguiriam o caminho planejado. Mas é bom lembrar que as pessoas que não falaram com a EPTC muito provavelmente nem sabiam desta conversa!

Importante ressaltar que apenas a parte da EPTC que estava na frente da massa foi “burlada” digamos assim, o carro que estava atrás decidiu não nos acompanhar mais, se quisessem poderiam, pois estavam atrás. Não acho interessante discutirmos o porquê desta decisão tomada por elxs, já que não podemos saber os motivos.

E super importante ressaltar, que não querer o apoio da EPTC não se contrapõe com SEGURANÇA. e que a segurança é uma responsabilidade NOSSA. Esta é uma opinião. Tem a opinião de que para segurança necessita de autoridades. E a quem vamos ouvir? A participação da EPTC vai se dar ou não de acordo com os acontecimentos, não pode nem vai ser uma regra. Não é consenso.

Desde o atropelamento entre manifestações e massas(num total de 6) a EPTC sempre esteve presente. O que significa que as pessoas que não querem esta participação não ficaram obviamente satisfeitas com isso especificamente (digo especificamente porque ficamos contentes com todas as outras coisas que acontecem). Agora acontece de algumas pessoas não gostarem de que foi mudado o trajeto na ultima massa e de que xs fiscais ficaram para trás (relembrando que o carro de tras decidiu não acompanhar mais a massa). Dá para estas pessoas tolerarem isso? não concordamos, porém toleramos. Por que? Porque somos diferentes, temos idéias diferentes.

Quando aconteceu de mudarmos o trajeto eu nem percebi porque não sabia do trajeto embora foi me dito, não o decorei. Quando eu vi eu e outrxs estávamos atrás da massa e não havia mais apoio da EPTC. Fizemos o nosso melhor para a segurança da galera na frente. Até achei estranho pois estava desacostumada com a não presença da EPTC. Daí percebi que tínhamos que ficar mais atentxs e fortes e foi muito lindo o que aconteceu ali atrás. Surgiu entre nós ali um apoio mútuo e sincero, um companheirismo que não vou conseguir exprimir em palavras. A preocupação redobrou, e passamos a interagir mais com xs motoristas. E isso é uma das coisas que a presença da EPTC nos tira muito. A gente fica muito dependente e não consegue se relacionar com o resto da cidade da mesma forma de quando estamos sem a EPTC. Claro que muita gente respeita mais com a EPTC, mas por uma questão de que o que vale ali é a autoridade. Não é um respeito sincero. Quando estamos “sós” temos que de fato conquistar as pessoas, e a simpatia delas é verdadeira.

Eu acho que teve muitas coisas positivas na última massa. Eu vi varias crianças e acompanhei elas em alguns momentos. Teve uma hora que alguém na frente pediu “vamos mais rápido gente!”e olhamos para aquelas crianças ali atrás e respondemos : “não vai dar tem crianças aqui!”, e a galera da frente respondeu “ ah tá, ok!”
Adorei este diálogo! E as crianças e xs que eu suponho serem xs responsáveis por elas, sorriram!

Eu vi muita gente fazendo rolhagem, se puxando, se colocando entre a massa e os carros conversando com xs motoristas mais exaltadxs…em fim, muitas coisas positivas. Muita gente não faz rolhagem porque confia na EPTC para fazer este “trabalho”. e tem muita gente que só passou a ir na massa depois do atropelamento, logo grande parte delas nem sabem o que vem a ser rolhagem! A EPTC nos deseduca a cuidarmos da nossa própria segurança, por isso é normal que tenha ficado estranho quando ela saiu. E que por isso demorou um pouco até voltarmos a tranqüilidade.

Por que jogar nas mãos de outrxs aquilo que nós podemos fazer? E com muito mais amor! (e sem motor! hehehe)

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