; charset=UTF-8" /> » 2013 » junho

Archive for junho 2013

Não seremos massa de manobra!

Me encontro com sentimentos e pensamentos inquietantes. E sei que somos muitxs que assim se encontram. As manifestações contra o aumento da passagem me deram muita esperança, eu nunca pensei que fosse ver as pessoas reagindo tão sinceramente e bravamente nas ruas. Mas também assim como eu, muitxs estão indignadxs em nos depararmos com a tentativa de roubar do povo esta luta, que é sim contra o aumento da passagem. A mídia e a classe média estão tentando descaracterizar o movimento e tirar o protagonismo do povo,  pois este lhes convém que continuem à margem e à exploração e que não tenham voz nem razão.

Este movimento não é contra a “Corrupção”
Ao verem que milhares de pessoas estão indo as ruas, as alas conservadoras e de direita resolvem se apropriar e redefinir as demandas do movimento. Passam a dizer que este não é um movimento pelo passe livre e que “é muito mais”, que “o povo tá cansado de corrupção”. Mas este “muito mais” é na verdade “muito menos”. Qualquer tentativa de dizer que este movimento é contra a corrupção, torna a luta distante, difícil de ser combatida, já que todo mundo é contra a corrupção. Dizer que a luta é contra o governo -se subentende o governo vigente- passou a ser o novo jargão da direita oportunista. Esta tentativa de “ampliar”  as reivindicações é uma tentativa de ofuscar a luta contra o aumento das passagens como ela surgiu, e contra os gastos na Copa que ferem e subestimam a capacidade do povo de discernimento.

Oportunismo em utilizar o termo apartidário

A direita agora se utiliza do termo apartidário de forma oportunista e falsa, porque ela tem partido e tenta cooptar o movimento em favor de seus interesses enquanto partido político. Diz para nos uniformizarmos com uma única bandeira, a do Brasil, clamando o nacionalismo -que é um passo para o fascismo- que se opõe a nossa luta por igualdades e ignora que nossas reivindicações são internacionalistas. Este patriotismo surgido nas manifestações também ofusca a causa, por dizer “muda Brasil”, ou seja, não mude “apenas” o aumento da passagem, mude tudo, “mude de presidente”, quando não, “que volte a ditadura!”
Então nem precisamos mudar a tarifa da passagem, afinal o que são 20 centavos para o bolso da classe privilegiada? Então não precisamos lutar contra o aumento da passagem, porque temos coisas mais importantes para mudar!

Parem de dizer que o movimento é pacífico de forma mântrica

Só o que temos ouvido na mídia é que o movimento é pacífico e que uma minoria composta de “vândalxs” estão estragando as manifestações. É o novo mantra,  liga-se o rádio ou a televisão, se entra na internet e tá lá, “a manifestação era pacífica até que….” Até que o que? Que a polícia joga gás lacrimogênio nxs manifestantes para impedí-lxs de continuarem o protesto e como aconteceu aqui em Porto Alegre para nos impedirem de passarmos na frente da Zero Hora?  A manifestação era pacífica até que xs “vandalxs” e “saqueadorxs”  “injustificavelmente” confrontam o status quo e a violência da Polícia que está lhes descendo o pau?

“Sem violencia, Vandalismo Não!”

Nas manifestações de segunda feira um fenômeno decorrente da adesão dxs mais conservadorxs se mostrou muito presente. Pessoas preocupadíssimas com que as pixações “manchem a imagem” da manifestação e preocupadíssimas em serem mal interpretadas pela Polícia e pelos segmentos da sociedade. Pessoas entoando “sem violencia” ou “vandalismo não” para qualquer ato que não seja caminhar para frente, esquecendo-se de que são estxs vândalxs que estão lhes protegendo na linha de frente! São estxs vândalxs “violentxs” que defendem a manifestação das bombas de gás. Por que estas pessoas evitam criticar a violência policial que é contra PESSOAS e criticam e caracterizam como violência ações contra a propriedade privada, ou orgãos públicos que tem papel direto no preço das passagens, nos gastos com a Copa, e com a desigualdade entre as classes?
Tem um vídeo de São paulo que ilustra bem isto, um cara começa a pixar uma parede e é atacado com muita violência, empurrado, chutado e ameaçado! E onde está o grito “sem violência!”? Fica bem evidente que não é a violência o problema, a questão é pagar pau de “bonzinho”, porque afinal a “Polícia tá aí pra nos proteger né, afinal elxs ganham pouco também né, e elxs podem cometer violências porque elxs estão do lado da lei né”. Pois aqui em porto alegre na manifestação de quinta feira, apesar da mídia corporativa mentir descaradamente, o que aconteceu foi que os policiais começaram a jogar bombas de gás lacrimogênio de forma indiscriminada nxs manifestantes sem que estxs tivessem feito absolutamente nada. O vídeo veiculado pela própria mídia mostra imagens da polícia atacando primeiro, embora o texto do jornalista diz que a polícia revida, tentando sustentar uma mentira visível. E me digam por favor uma verdade, existe realmente equiparidade entre Polícia com escudos, capacetes, proteção e armas “não letais” que muitas vezes matam e manifestantes com lenços envoltos em vinagre?

Gás lacrimogenio- efeito moral….

Sim, o gás lacrimogenio tem um efeito moral. Porém, este efeito moral é decorrente de ameaça a integridade física, ele ataca fisicamente e quimicamente os corpos em graus mais ou menos sérios de acordo com a exposição. As bombas de efeito moral, são bombas materializadas, não são palavras ditas pela polícia como faz parecer o termo “efeito moral”. Elas tem objetivo de impedir, causar danos físicos e dispersar, ou seja enfraquecer a coesão entre manifestantes. De cima de um helicóptero ou do estúdio da TV pode bem parecer apenas uma bomba de “efeito moral”.

Não é o momento de recuar!

Não, este não é o momento de deixarmos às ruas, este não é o momento de cedermos terreno para a direita, a luta é historicamente nossa e não deixaremos que se apropriem! Não seremos massa de manobra!

por E.D.

Página Inicial

Exibição do filme Moolaadé – 18.jun

Moolaadé ( proteção mágica) é um filme  de  2004 dirigido por Ousmane Sembène. O filme trata sobre Mutilação Genital Feminina (MGF), uma prática comum em muitos países da África e Ásia. Um tipo de MGF envolve cortar e  fechar a vagina deixando uma abertura apenas para saída de urina e sangue. A mutilação não acaba na infância, pois no dia do casamento as mulheres sofrem nova cirurgia dolorosa, onde cortam o tecido costurado para possibilitar o coito. Os familiares dizem que este “selo” é a garantia de que suas filhas não façam sexo antes do casamento e protege a honra da família. Além da infibulação (nome dado a este tipo de mutilação), também é comum a prática da remoção do clitóris para impedir o prazer sexual. O filme tem uma postura firme contra estas práticas contando a história de uma mulher de uma vila em Burkina Faso, que usa moolaadé para proteger um grupo de meninas. Ela confronta xs moradorxs da vila que acreditam que a MGF é uma “purificação”.

Estaremos exibindo o filme às 19h nesta terça feira 18 de junho no Espaço Deriva, que fica na rua Ramiro Barcelos, 1853.

Apareça!

Página Inicial