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Archive for agosto 2013

Autonomia no Transporte – 17.08.13

Hoje mais um sábado sobre autonomia no Espaço Deriva. Estará rolando um bate papo sobre autonomia no transporte.

Alguns assuntos a serem abordados:

– Alternativas de mobilidade

– Bicicleta : autonomia e independência; interação com a cidade e as pessoas; impacto no meio ambiente.

– Resistência Política

– Carrocentrismo

– Marginalização da bicicleta

– Bicicleta e divisão de classes

– A bicicleta como ferramenta feminista:

* Independência

* Segurança

* Capacitação

* Mulher no século XIX, utilizando a bicicleta,  saindo da esfera doméstica e privada para ir as ruas e deixar de ser o apêndice do homem. Luta das mulheres contestada pela sociedade onde eram também ridicularizadas por serem consideradas masculinizadas. Questionamento da feminilidade, das mulheres em grupos, da lesbianidade. Vestimenta desapropriada para mulheres, dificultando emancipação.

* Liberdade

* Auto- confiança

Hoje, 17 de agosto às 17h no espaço Deriva que fica na Ramiro Barcelos 1853. [POA]

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Feminismo Autônomo- Reflexões hoje, as 17h!

Hoje as 17h estará acontecendo o debate sobre autonomia no feminismo, fazendo parte do Ciclo da Autonomia no Espaço Deriva.

Algumas das questões que estarão sendo trazidas ao debate são:

-Perspectiva autonomista do feminismo em contraponto ao feminismo institucional.

-Feminismo e Anarquismo:

*como traçar objetivos comuns para ambas as lutas.
*Resistência às ideias feministas no meio anarquista.
*Discriminação e Violência em espaços libertários.

-Necessidade de espaços feministas exclusivos:  resistência que encontramos para nos organizarmos neste sentido e suas razões.

-Apropriação do feminismo por homens:  protagonismo de homens no feminismo e processos colonizadores.

-Feminismo Branco, classe medista, excludente e colonizador.

-Autonomia sobre nossos corpos: aborto e propriedade.

Além destes tópicos o debate é aberto a todos coletivos e individuas que quiserem trazer suas propostas para construirmos juntas esta parte do ciclo.

O Espaço Deriva fica na Rua Ramiro Barcelos 1853.

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Ciclo da Autonomia – Espaço Deriva

Todo sábado, a partir das 17h, convidamos coletivos e pessoas para debater alguns temas a partir de uma perspectiva autonomista, e este mês os temas serão: saúde, feminismo, transporte, tecnologias e alimentação. Em setembro, teremos oficinas sobre comunicação, economia, justiça e comunalismo.

Consideramos que a onda de manifestações dos últimos meses nos mostra que tem muita coisa interessante acontecendo ao mesmo tempo, muitos debates e gente querendo fazer coisas para tranformar a sociedade. No entanto, o fato de ser um movimento principalmente de rua tem feito muitas vezes com que as pessoas fiquem meio perdidas, sem saber o que fazer além das manifestações, e os processos continuam muito desarticulados. Enquanto autonomistas, nos preocupa ver que as pautas estão sempre marcadas por reivindicações aos governos, e a políticas públicas, e muito pouco aparece no debate a inquietação com a autonomia das ações – a possibilidade de “trabalhar” os temas mais além de estar sempre pedindo para o estado. Achamos que isso reflete bastante a maneira de fazer política que já acontece há bastante tempo entre os movimentos sociais, mas também que essa “estratégia” (se chega a ser uma) está bastante desgastada – e isso é visível na inquietação de várias pessoas com quem temos conversado, mesmo as que vem dessa trajetória. Basicamente, pensamos que tem muita energia circulando por aí, e gostaríamos de criar espaços para canalizar essa energia mais além do diálogo com o estado, que costuma acabar com frustrações, já que este dificilmente dá conta das demandas.

Então propomos fazer um ciclo de encontros entre pessoas e coletivos que queiram compartilhar suas inquietações nesse sentido, pensando as possibilidades – e dificuldades – de atuar autonomamente. Como autonomia estamos entendendo não só o fato de não pautar suas ações pelo estado – tanto em termos financeiros, quanto de agenda – (e poderíamos também incluir grandes instituições como partidos e organismos internacionais), mas também de buscar maneiras de organização autogeridas e de se pensar no entorno de maneira que – na falta de palavra melhor – chamaremos de sustentável. A ideia é que, a partir de temas, diferentes grupos que trabalham com aquilo possam contar as ideias que os movem, suas experiências e suas dificuldades, para assim pensarmos juntxs as possibilidade de atuar com autonomia.

Espaço Deriva
Ramiro Barcelos, 1853
www.deriva.com.br

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Solidariedade e Cuidado em Espaços Feministas

Espaços feministas existem pela necessidade de criarmos esses espaços de luta e resistência. Espaços feministas são para nos fortalecermos, objetivando construirmos novas realidades individuais e coletivas, para nos apoiarmos e sermos solidárias umas com as outras, para identificarmos padrões que nos ajudam a perceber o inimigo, a causa, e para buscarmos soluções ou apenas resistirmos – buscas que temos por existir uma identificação: temos tratamento e oportunidades diferenciados devido ao machismo, a misoginia e as normas do patriarcado. Ainda que mulheres, lésbicas e outras identidades tenham suas especificidades e com isso opressões específicas, todas estas opressões são fruto de misoginia e crença na inferioridade de “ser mulher”, ou ainda, que mulher se deveria ser aos olhos da sociedade patriarcal.

Em espaços feministas você vai encontrar mulheres com traumas, mulheres ditas fortes e mulheres ditas fracas, mulheres em diferentes momentos de suas vidas, insubmissas, submissas ou com diferentes graus de submissão, adesão ao patriarcado ou a padrões estipulados pela sociedade, e mulheres sobreviventes.

Nós então não vamos encontrar mulheres iguais a nós, vamos lidar com diferenças, com ideias e objetivos nem sempre iguais.

É importante partindo disso, sabermos que o debate está aberto, de que temos diferenças. Ok.

Mas é interessante termos como princípios pelo menos duas coisas: a solidariedade e o cuidado com nossas companheiras e amigas. Obviamente não temos que ser solidárias com atos autoritários por exemplo, ou com qualquer atitude que qualquer mulher tenha só pelo fato de ela ser mulher. Seria mais um ponto de partida na nossa interação com as outras, mais uma maneira de encarar a si mesma e a outra, e uma tentativa de se opor à competitividade estimulada entre mulheres.

As vezes podemos estar muito focadas num problema específico em determinado momento para percebermos o nosso entorno -como a vida está para essas mulheres que estão aqui comigo agora-, e como está também para outras mulheres mais distantes. Mas é importante adotarmos a prática de prestarmos atenção no que outras estão trazendo e passando, e até, porque não, fazermos um esforço em compreender através do silêncio, que pode bem ser um indício de desconforto e medo, e de dinâmicas hierárquicas num espaço que precisa não gerar mais medos e domínio.

Eu tenho vivenciado que em alguns espaços, algumas atitudes e conceitos contrapõem a esta solidariedade e este cuidado fundamentais para o bem-estar de todas.

Por mais que estejamos abertas as discussões, não podemos descartar que esta “abertura” pode ser traumática, e nem todas as teses podem ser abertamente discutidas sem que se tenha cuidado, para evitarmos de machucar outras mulheres. Por exemplo, algumas teorias sobre o patriarcado, sobre o estupro, submissão e vitimização me parecem bem conflituosas para que se exponham desconsiderando que naquele espaço existem pessoas que foram estupradas, foram ou ainda são submissas, para citar algumas realidades. Geralmente com relação a submissão podemos ter uma opinião muito formada e acreditar que só a outra está sendo submissa e desta forma não enxergar nossas próprias atitudes ou situações. Eu percebi muitas vezes que o descuido, acaba por culpabilizar a vítima. E apesar de que o feminismo tem como fundamento nunca culpabilizar nenhuma vítima de estupro, quero dizer, a gente pensa que isso é consenso básico no “mundo” feminista, algumas teorias compartilhadas acabam por culpabilizar. O próprio termo estupro vem sendo desconstruído e banalizado, e tem pessoas que falam em estupro verbal por exemplo, que tentam comparar situações totalmente diferentes de estupros com o estupro. Não é solidário colocar tudo no mesmo saco, e pode ser altamente ofensivo, além de desconsiderar sofrimentos e traumas profundos. E por que haveríamos de ignorar que estes espaços agregam mulheres com traumas e dificuldades? Obviamente que não estou sugerindo que não devemos debater questões que se apresentam, mas que estejamos atentas para não machucarmos umas às outras.

Desde as formas como nos organizarmos, é fundamental que não exerçamos controle e centralidade, mas isso eu percebo estar mais em andamento, mesmo que na prática nem sempre funcione muito bem. O que nos mostra que temos muito por fazer, lembrando que para nossa autonomia é importante que geremos nossas próprias propostas, procurando criar as realidades que queremos para todas nós.

Outra coisa importante de se considerar, é que não podemos também exigir umas das outras, que sejam tomadas atitudes que julgamos mais importantes, sem levar em conta que a outra pode não estar preparada para tomar tais atitudes. O que podemos fazer é contribuir mutuamente nesta “preparação”, para que cada uma se desvincule o máximo que conseguir de suas dificuldades, daquilo que cada uma quer se desvincular. A interação entre nós tem que ser no sentido de nos libertar e de apoio mutuo, e não de reproduzirmos a opressão. Muitas vezes podemos não perceber o que estamos fazendo e estar “contribuindo” para silenciarmos a outra e deixá-la ainda mais insegura.

Penso que uma tentativa de solucionarmos problemas como estes, é de buscarmos desenvolver práticas de apoio quando nos propormos a construir e nos envolvermos em um espaço feminista. Não este cuidado paternalista atrelado ao conceito de fraqueza das mulheres, mas o cuidado para não causarmos mais danos. É essencial que espaços feministas sejam também espaços de apoio e confiança, além de serem de luta e resistência.

Pensemos enquanto feministas nas consequências de que nossas palavras e atos tenham em outras mulheres. Pensemos enquanto feministas em nos colocarmos no lugar da outra com solidariedade, não caridade.

enila dor

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