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Carta de Repúdio a decisão do juiz Paulo Augusto Oliveira Irion pela soltura do estuprador Marlon Patrick Silva de Mello// Ato – Estupradores Não Passarão!

Nós, Mulheres Organizadas Combatendo a Violência Contra a Mulher, viemos por meio desta, repudiar a decisão do juiz Paulo Augusto Irion, de soltar o estuprador Marlon Patrick Silva de Mello, pego em flagrante pela polícia no dia 12 de outubro último.

Era uma noite de domingo quando a adolescente de 16 anos foi brutalmente estuprada e espancada por Rodnei Alquimedes Ferreira da Silva e Marlon Patrick na orla do Guaíba. A menina foi levada para o hospital em estado grave, inconsciente e desfigurada a ponto de dificultar seu reconhecimento por familiares.

A decisão do juiz demonstra como a violência contra a mulher é naturalizada e reforçada diariamente a tal ponto que, mesmo sendo pego em flagrante, o juiz considerou de maior valia o fato do estuprador ser réu primário, alegando que o estupro foi um caso isolado na vida de Marlon Patrick. No entanto, o fato isolado ao qual o juiz se refere não é um delito comum, mas um crime hediondo decorrente da misoginia e da cultura do estupro. É notório o quão irresponsável foi a decisão do juiz ao minimizar o crime e também a dimensão da dor da vítima, bem como as consequências na sua vida. A definição de fato isolado se aplica melhor na condenação de um estuprador.

A cultura do estupro se dá na objetificação de nós mulheres e no senso comum de que o corpo feminino é propriedade do homem. A cultura do estupro se dá na hiperssexualização de nós mulheres nas diferentes esferas sociais, e na forma monstruosa que mídia reproduz estes estereótipos. A cultura do estupro se dá na banalização do estupro, na culpabilização das vítimas que são sempre questionadas, sejam pelas roupas, pelo comportamento, ou qualquer outra justificativa que sabemos servir somente para abrandar o que não pode ser abrandado. Desta vez não foi diferente, quando vimos os jornais chamarem atenção para a aparência da vítima, ou ao fato do pai da menina declarar que a filha “estava rebelde ultimamente”, para citarmos alguns exemplos. Sabemos que estas justificativas são meios de desvalidar nossa palavra e menosprezar nossa dor.

Procurem a culpa onde ela está que vocês acharão. A culpa é do estuprador e nunca da vítima.

A decisão de soltar o estuprador expõe ainda mais a vítima, a coloca em risco e também outras mulheres, e desencoraja a denúncia por parte de todas as mulheres que sofrem abuso, enquanto incentiva a perpetuação da violência contra a mulher através da impunidade.

Esta resolução e a cobertura midiática não são exclusividades deste caso, mas o padrão pelo qual se mantém um arranjo social cruel que expõe as mulheres a violências.

Repudiamos a decisão do juiz e o consideramos incapaz de julgar crimes sexuais e de violência contra a mulher, e exigimos que a justiça ampare e proteja as vítimas negligenciadas por interpretações arbitrárias de magistrados.

A maioria dos juízes que julgam casos de estupro são homens. Questionamos se como homens sejam capazes de compreender e tratar de questão tão grave com a seriedade que nós mulheres merecemos.

 

Estupradores não passarão!

Não nos calaremos!

 

Em solidariedade a vítima,

 

Mulheres Organizadas Combatendo a Violência contra a Mulher

Porto Alegre, 22 de Outubro de 2014

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Foto do ato que aconteceu ontem na frente do Fórum central de Porto Alegre, onde o juiz Paulo Augusto Irion presidia uma audiência.

No ato foi lida a carta acima que também foi entregue no gabinete do juiz. Foram feitas falas e gritos de luta em solidariedade a vítima e a todas as mulheres sobreviventes de abuso. Foi expressado o nosso repúdio a forma como o juiz está tratando o caso: ele entendeu que o estupro foi um “caso isolado” na vida de Marlon Patrick Silva de Mello.

Várias pessoas que entravam e saíam do fórum paravam para entender e ouvir o que estava sendo dito e várias mulheres se solidarizaram ao ato e mostraram sua indignação. Fomos impedidas por seguranças do local  quando nos direcionamos na entrada da parte lateral do Fórum e a polícia foi chamada. Resistimos e continuamos nosso ato até o final.

 

 

Adolescente estuprada por cinco em Pinhal

 

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Adolescente estuprada.
Mais uma.
Mais uma mulher estuprada.
Mais uma vítima desta violência brutal, misógina que as mulheres estão sofrendo.

Não existem palavras que possam expressar o significado do estupro para a vítima. Não conseguimos em palavras expressar o verdadeiro terror que é a misogina. Estamos em guerra. As mulheres estão na guerra tentando sobreviver.

Um dos estupradores disse não ter feito “nada errado”. Sim, eles com certeza acham que não fizeram “nada errado”. Eles foram ensinados que as mulheres gostam de serem estupradas, está nos filmes pornô que eles vêm, faz parte da cultura do estupro em seus diversos níveis, e se elas não gostam também não importa porque quem importa na sociedade patriarcal? O que importa é como os homens se sentem. E o que eles querem fazer.

E se eles decidem estuprar é isso que importa. E se eles decidem abusar, é isso que importa. E se eles decidem torturar e matar, é isso que importa. Porque as mulheres são seres de segunda classe. Porque são os homens que decidem as coisas. Porque são os homens “que sabem”. De tudo.

 

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276 meninas sequestradas de uma escola na Nigéria

Algumas semanas atrás 276 meninas foram sequestradas de uma escola secundária na cidade de Chibok na Nigéria. Familiares estão devastadas e exigem que o governo nigeriano saia em busca de suas filhas. Apesar de nenhum grupo alegar autoria, algumas meninas que conseguiram escapar dizem que os sequestradores se identificaram como do grupo “Boko Haram”.

43 meninas conseguiram escapar.

Há alguns dias atrás foi noticiado que as meninas seriam vendidas para militantes do Boko Haram para um casamento em massa.

Também foi noticiado que um negociador das reféns está em contato com os sequestradores. O negociador diz que “parece que existe a intenção de libertá-las”, porém também afirma que o grupo alerta que “qualquer tentativa dos militares de enviar resgate pode causar a morte de muitas reféns.”

Familiares das meninas questionam as autoridades e desconfiam da corrupção do governo, assim como não entendem como 276 meninas foram sequestradas, levadas em vários caminhões sem que isso tenha sido visto por ninguém, nem parado por nenhum agente de segurança durante a rota que fizeram desde que deixaram a escola.

Ir para escola para meninas nigerianas é uma luta e uma quebra das crenças arraigadas na sociedade. A falta de educação escolar afeta mais as meninas do que os meninos na Nigéria, a pobreza faz com que famílias vendam suas filhas ainda crianças para o casamento e escolham investir com a educação para os seus filhos homens. Além da questão da pobreza culturalmente existe no país a ideia de que as meninas não precisam de educação simplesmente porque são meninas. O casamento de meninas crianças é uma realidade na Nigéria onde homens adultos estupram crianças dentro da legalidade, muitas meninas morrem na “noite de núpcias”, e as que sobrevivem tem uma vida de escravidão laboral e sexual.

É fácil percebermos que as mulheres pagam o preço mais alto em contextos políticos variados.

#tragam nossas filhas de volta!
#bring back our girls

BmeO_p7IQAAb8m0

 

 

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>>>TRIGGER WARNING<<< DENÚNCIA VIOLÊNCIA SETE/NOVE

Segue a carta de denúncia contra o coletivo misógino e racista Sete/nove do dia 30 de março.
Viemos através dessa carta denunciar a conduta misógina e racista dos homens do coletivo Sete/nove e todos os que compactuam com essa atrocidade. Estamos todas humilhadas, abusadas, desrespeitadas, expostas e usadas. Isso é sobre todas as mulheres que foram vítimas desses caras.
O Sete/nove é um coletivo de fotografia de Porto Alegre composto por Alexandre Rudá de Melo e Henrique Fortes. Eles são os responsáveis pela organização do evento Selva#01, no bar CARIBE, Avenida João Pessoa nº905 e que tinha como proposta a “celebração para seres de todas as espécies (tipo horóscopo chinês), (…) SELVAgens salvarão o mundo, Pacha Mama te amamos, bixogrilagem inédita, aqui todos somos SELVA”.
Associadas a esta descrição estavam, primeiramente, fotos de mulheres brancas, dentro dos padrões de beleza impostos pela nossa sociedade, caracterizadas como indígenas, sexualizadas e em poses “selvagem”. Estas fotos geraram diversas críticas à festa, feitas principalmente por mulheres. Após os questionamentos, os organizadores da festa trocaram a imagem para outra que era composta por homens e mulheres, ainda caracterizadxs como índigenas e selvagens. Posteriormente, incluíram a foto de uma mulher branca pintada de preto, na tentativa de caracterizá-la como uma mulher negra, novamente em poses selvagens, expressando todo seu racismo velado na divulgação de uma festa chamada Selva.
Os questionamentos acerca da objetificação da mulher continuaram e nova problemática surgiu referente ao blackface, atitude racista por ser uma caracterização esteriotipada dx negrx. Muitxs denunciaram o racismo presente na foto e como resposta foram ignoradxs e tiveram seus comentários apagados. A polêmica em torno do flyer permitiu que outras companheiras se sentissem à vontade para compartilhar relatos acerca de condutas machistas e racistas adotadas pelos sócios da sete/nove em relação à elas. De repente, recebemos uma enxurrada de reclamações e denúncias de mulheres que, encorajadas pelos relatos umas das outras e pelo apoio das companheiras, romperam o silêncio que só protege os opressores e se uniram para se proteger. Denúncias como o fato de fotos dos seus peitos e suas bundas tiradas sem consentimento estarem disponíveis nas páginas de domínio desse coletivo, ou de meninas que se sentiram (ou que observaram outras meninas serem) desrespeitadas/enganadas durante ensaios fotográficos, além da evidente ausência de negrxs nas fotografias (sendo que quando estxs aparecem são mostrados de forma embranquecida).
Com uma breve pesquisa e com as informações facilitadas pela sensação de sororidade que se criou em torno desse evento, conseguimos compilar prints e links de outras atividades fascistas dos sócios da sete/nove como um grupo de teor extremamente misógino onde mulheres são expostas, avaliadas, hiperssexualizadas e objetificadas. Os dois têm seus nomes também ligados a uma conta no aplicativo instagram @iscagram que além de se referir às mulheres como ‘iscas’, expõe diversas pessoas em situação de vulnerabilidade de maneira debochada, como meninas desmaiadas ou passando mal em festas e vulnerabilidade social com fotos de moradores de rua. A expressão largamente utilizada por eles e seus amigos próximos ‘cadilandra’ (que segundo eles significa uma ‘gata malandra’) aparece tanto no grupo secreto misógino que se chama “Fórum da Cadilandragem” e em uma página de conteúdo também machista e misógino que se chama “Não sou Cadilandra mas…”. O administrador do grupo secreto é o Henrique Fortes e ambos os sócios apresentam ampla participação na página.
Mesmo depois de todo essa repercussão negativa sobre o evento, não foi cogitada uma retratação, nem o cancelamento da festa.
Como não houve diálogo, mesmo depois de diversas tentativas de nossa parte e à luz das novas informações a respeito dos organizadores do evento, resolvemos organizar um escracho no dia e local da festa. O nosso objetivo era denunciar e boicotar o evento. Cantamos nossas palavras de ordem, que manifestavam nossas opiniões sobre o machismo e o racismo praticados pelo coletivo sete/nove, não só na divulgação dessa festa, mas cotidianamente. Éramos vozes, palmas e batucadas em baldes pra fazer barulho. Os organizadores, quando saíam de dentro do bar para ‘espiar’ nossa manifestação tomavam um ar arrogante e nos provocavam com sorrisos debochados. Por volta da meia noite o dono do bar apareceu, já agressivo, falando que estávamos prejudicando o negócio dele. Tentamos dialogar e fomos ameaçadas de agressão. Mesmo assim, continuamos cantando. A polícia foi chamada pelo dono do bar e quando chegou ao local não fez absolutamente nada, sendo leviana com nossa denúncia de ameaça e com a denúncia de racismo dxs companheirxs negrxs. Na presença da brigada, um dos seguranças do bar saiu do estabelecimento, juntou-se à roda de pessoas na calçada e passou a fazer movimentos para intimidar os presentes, estralando os dedos e pescoço.
Mais pessoas se acumulavam em frente à festa: muitas não entravam, mas também não se juntavam a nós, estavam ali como espectadores. Outras, passavam pelo escracho e entravam na festa. O canto continuou, com novxs amigxs se juntando para dar força e cantar junto. Durante todo o processo, amigxs próximxs dos sócios da sete/nove ameaçaram, intimidaram e agrediram verbal e fisicamente várixs companheirxs (principalmente mulheres).
Em determinado momento, duas companheiras e um companheiro sentaram-se no degrau da porta do estabelecimento. Nesse momento o dono apareceu, com as mãos pra trás e protegido pelos seus dois seguranças. Ao ser questionado sobre o que tinha nas mãos, o dono do bar Caribe e os seguranças puxaram os cabelos de uma companheira e desferiram chutes nas costas de outra. Em seguida, o dono do bar atingiu várixs companheirxs com o CASSETETE que tinha nas mãos. Uma das meninas que estavam sentadas foi atingida na cabeça e começou a sangrar muito. As duas companheiras agredidas foram acompanhadas ao HPS onde realizaram os B.O e exames de corpo de delito. Parte dxs companheirxs permaneceu no local, absolutamente indignadxs e chocadxs com a atitude da produtora de continuar a festa como se nada tivesse acontecido. Xs companheirxs presentes no local chamaram a polícia diversas vezes e pediram para que outrxs companheirxs que acompanhavam por meios virtuais a manifestação também ligassem para a polícia para exigir que se dirigissem à João Pessoa. Decidimos então interromper o trânsito na avenida numa tentativa de atrair a polícia para o local, já que nenhumx de nós se sentia segurx estando ali.
Foram mais de 40 minutos com a rua fechada, até que a polícia aparecesse dizendo que estava ali pra cuidar do trânsito somente, que agressões aconteciam todos os dias e que podíamos continuar fechando a rua se quiséssemos.
Embora estivessem acompanhando nosso protesto desde o início, informadxs sobre o que aconteceu, a maioria das pessoas presentes (muitxs dos quais estavam em rodinhas ou sentadxs no meio fio do corredor de ônibus em conversas animadas num clima de confraternização de rua) estavam apáticxs com relação à violência sofrida pelas meninas. Integrantes do coletivo fotográfico Ovos e Llamas – que usa o espaço do bar Caribe e intermediou o contato entre o estabelecimento e o coletivo sete/nove – também não se posicionaram frente à situação¬. Os sócios da sete/nove circulavam livremente pela rua, que a essa altura já estava tomada por risos, cerveja e socialização. O clima por parte dxs organizadorxs era de deboche e vitória. Como durante o trancaço da rua houve alguns desentendimentos entre amigos/apoiadores do coletivo sete/nove e xs companheirxs manifestantes, avaliamos que se continuássemos em atrito com a organização do evento, ou com o dono do bar, provavelmente sofreríamos mais agressões, principalmente quando as pessoas que estavam dentro da festa saíssem. Não tivemos outra alternativa senão ir embora.
O que presenciamos nesse evento do sete/nove, pra muito além de todo racismo e machismo sofridos, foi a reação de uma classe média fascista, conivente com todo o tipo de violência contra a mulher e minorias, e que se recusa a reconhecer seus privilégios. Nesta noite, todxs xs espectadores daquelas situações absurdas de misoginia e racismo, todxs que entraram na festa, compactuaram com a violência sofrida por essas mulheres. Todxs são responsáveis pela agressão cometida pela equipe do bar Caribe. TODXS TÊM O SANGUE DAS COMPANHEIRAS AGREDIDAS NAS MÃOS. Sete/nove é fascismo!
Estamos organizadas, tudo o que foi relatado está gravado em vídeos e fotos, e não nos calaremos!
NÃO TEMOS MAIS MEDO! NÃO PASSARÃO!

Manifesto Yaki Livre!

Tirado de http://yakilivre.noblogs.org/manifesto-yaki-livre/

Esta é uma tradução ao português do manifesto escrito pelas companheiras mexicanas que estão na luta pela liberdade de Yakiri. No momento de publicação do manifesto, 17 de fevereiro de 2014, em “La Hoguera”, Yaki ainda estava presa. Agora, aguarda o processo em “liberdade”,depois de pagar no ato 140 mil da fiança, que foi fixada em 423.800 pesos no dia 5 de março, 86 dias depois da sua prisão. O valor total da fiança corresponde a cinco mil vezes o salário mínimo e é o valor previsto em constituição cobrado em relação a homicídios sem atenuantes. Mais uma vez o uso de legitima defesa de Yakiri não está sendo considerado.

http://lahoguera.confabulando.org/?p=3394

Manifesto Yaki Livre

Liberdade para Yakiri

Se nos julgam por sobreviver, a justiça quer todas nós mortas!

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No dia 9 de dezembro de 2013, em Doctores, bairro residencial da Cidade do México, os irmãos Luis Omar e Miguel Ángel Ramírez Anaya sequestraram Yakiri Rubí Rubio Aupart que estava indo encontrar a namorada. Ameaçam-na com uma faca, obrigam-na a montar na moto em que estão e levam-na contra a sua vontade ao hotel Alcázar. No quarto n° 27, Yakiri é insultada, golpeada e torturada sexualmente. Miguel Ángel Ramírez Anaya a estupra e, depois de tudo, tenta mata-la. Yaki consegue se defender, tomando a faca na mão de seu agressor.

Miguel Ángel Ramírez Anaya acaba gravemente ferido, foge em sua moto e morre pouco depois de sair do hotel.

Yakiri chega à agência 50 do Ministério Público, localizada na PGJDF (Procuradoria Geral de Justiça do Distrito Federal) e enquanto fazia a denúncia por estupro, sequestro, tortura e tentativa de homicídio, chega o outro agressor, Luis Omar Ramírez Anaya, e a acusa de assassinar seu irmão. Yakiri é imputada por homicídio qualificado. Levam-na à prisão sem notifica-la desconsiderando a veracidade de sua acusação, deixando ao agressor e cúmplice Luis Omar Ramírez Anaya livre e sem acusações. Duas denúncias e uma só detida: Yakiri.

No dia seguinte, o Procurador Geral de Justiça do DF, Rodolfo Ríos Garza, determinou iniciar um processo por homicídio qualificado, sem levar em conta o contexto de violência sexual em que se deu o óbito do agressor.

Por fim, Yakiri é levada à prisão de Santa Martha Acatitla onde ameaçam e batem nela. Transferem-na à prisão feminina de Tepepan, de onde só sai depois do pagamento de fiança.

Yakiri Rubi é privada de sua liberdade pelo juiz Santiago Ávila Negrón, titular do Juizado 68 Penal. Este juiz é réu em um processo aberto contra ele por assédio sexual a Betzabet Perea em 2011. Além disso, no ano 2004, foi reprovado no exame de atualização, no qual consta que Santiago Ávila Negrón apresenta “falta de técnica jurídica, omissão em notificar as partes, falta de motivação e incongruência em suas resoluções” (La Jornada, Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004).

Mexeu com uma mexeu com todas!!

A partir da Justiça Feminista sabemos que às mulheres historicamente foi imposta uma condição de obediência das normas patriarcais entre as quais se destaca a violência sexual como prerrogativa de domínio, melhor dizendo, o direito a invadir nossos corpos sem o NOSSO consentimento. É por isso que se castiga às mulheres quando nos defendemos, quando dizemos NÃO e reivindicamos a liberdade e a autonomia sobre nossos corpos.

Sabemos que existe uma cumplicidade evidente dentre os agressores sexuais e as instituições encarregadas de conceder justiça, que costumam proteger estupradores e feminicidas e criminalizar as mulheres ainda que se trate de situações evidentes de LEGÍTIMA DEFESA, como é o caso de Yakiri. Yakiri hoje está viva, lutou por sua vida e por sua liberdade. Nós a queremos do nosso lado e não nos esquecemos de todas as mortas por feminicídios daqui, de outras partes, de todo o mundo.

A liberdade de Yakiri significa a garantia da possibilidade de que todas as mulheres possamos decidir livremente sobre nossas vidas, de defender nossos corpos de toda a agressão. Por isso afirmamos que frente à qualquer agressão contra nossos corpos a defesa é legítima!

Frente à violência machista, autodefesa feminista. YAKIRI: LIBERDADE

#yakilibre
#yakirilibre
#euteriafeitoomesmo
#justiciaparayakiri
#yohubierahecholomismo

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Claudia Silva Ferreira

Claudia Silva Ferreira, 38 anos, estava a caminho da padaria pelas 7 horas da manhã de domingo. Claudia foi baleada quando a polícia trocava tiros com traficantes em mais uma “operação policial” na comunidade de Congonha no Rio de Janeiro. Os policiais então colocaram-na no porta malas da viatura e não se preocuparam em preservar a cena do crime. No caminho o porta-malas abriu e ela caiu sendo então arrastada por 250 metros. As pessoas na rua gritavam para os policiais que só ouviram quando o sinal fechou, então desceram da viatura para colocarem Claudia de volta no porta-malas.

Quem tem que levar as pessoas ao hospital são as ambulâncias.
Pessoas que necessitam de atendimentos médicos não deveriam serem levadas em porta-malas!
Um descaso total com a vida desta mulher que era negra e morava numa favela, para enfatizar que existe uma guerra contra as pessoas pobres, e que a brutalidade policial e as injustiças sociais recaem fortemente sobre as pessoas negras.

Moradores da comunidade disseram que os policiais chegaram atirando como de costume, “atiram pra depois ver quem é”.

Claudia cuidava de 8 crianças.

 

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imagem: MTST – Movimento dos/as trabalhadores/as Sem Teto via Marcha Mundial Das Mulheres

 

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Larga Viva – uma carta de repúdio a declaração de Paz Berti

Está sendo organizado para o dia 15 de março a Larga Viva, um evento pelo mês de março, para lembrar o dia 8, dia das mulheres, dia de luta.

Eu recebi um convite via e-mail para o evento e nele havia um link pro fa$ebook.

Acessei o link e tive o desprazer de ver a discussão gerada adivinhem pelo que? Tenho certeza que muitas já adivinharam, pois é, estão discutindo em como é excludente e autoritário o evento ser exclusivo de mulheres! Como ousam as mulheres fazerem um evento por elas e para elas?

Tudo começou porque o MC chamado Paz Berti se diz “censurado”, excluído e classificado porque não vai “poder” tocar neste evento pelo dia das mulheres que ousam serem as protagonistas do evento!

Ele diz assim:’Só queria informar que me tirarem da programação do próximo Largo Vivo por ter pênis e não xereca. Ta todo o errado!!! Tenho que lutar diariamente com atitudes machistas, homofóbicas e agora algumas femistas se sumarem. É complicado pensar um feminismo de esse jeito.’

Sim, é verdade, eu também custei a acreditar em tamanha ignorância e misogina. E tudo isso vindo de quem? De um cara que se diz feminista. Nem vou mencionar o fato que ele usou a palavra “femista”.

Vamos então colocar umas coisas para você Paz.

Primeiro, que você pode se dizer feminista mas isso não significa que: 1)você seja um 2) que homens possam ser feministas 3) qual “jeito” é o “feminismo certo” para você Paz Berti.

Você poderia ser uma aliado talvez, mas isso você também não é porque você acabou de demostrar.

O que aconteceu é que um homem se sentiu machucado e tá muito triste porque as mulheres não lhe priorizaram! E ele se diz feminista! Fala sério!

Notem que quando ele se refere a vagina ele fala “xereca”!, já ao se referir ao seu lindo pênis ele usa a palavra….pênis. Ele diz que sofre diariamente com atitudes machistas e homofóbicas e ele mesmo tem atitudes machistas e homofóbicas, e misóginas! É misoginia desqualificar a vagina em primeiro lugar! E é machismo supervalorizar seu pênis meu querido, caso você não saiba.

E aí este mesmo cara posa numa foto de saia sem camisa com uma garota do lado de mãos dadas também sem camisa, onde nos seus corpos está escrito “nem homem” “nem mulher”. Porém caro Paz, por mais que você ande por aí de saia você continua sendo privilegiado. E caso você não saiba você não é oprimido pelo patriarcado, você no máximo sente desconforto com as regras do mesmo, mas você é PRIVILEGIADO pelo patriarcado, de tal forma que basta você trocar suas saias por uma calça. Já nós mulheres mesmo de calças somos assediadas nas ruas, somos estupradas todos os dias, assassinadas por termos XERECAS (arg, que nojo esta coisa que fede a peixe já disseram muitos homens gays nos anos 70). Ou seja, não vai fazer nenhuma diferença para mim usar roupas neutras, hum seriam “masculinas”? Ou usar roupas que foram feitas para mulheres usarem.

Seguindo o show de horrores machista, ele tem apoiadoras que não titubearam em sair para “ajudá-lo”, em sua defesa, pobre coitadinho. Sabem por que isso acontece? Porque nós mulheres somos educadas para darmos prioridade aos homens. Porque nós mulheres sempre temos que ser apaziguadoras, porque nós mulheres estamos ‘classificadas’ – para usar o termo usado por Paz – como da classe inferior. Logo nós internalizamos o machismo e também somos capazes de atitudes machistas e misóginas. E é por isso que o feminismo existe caso você não saiba, para lutarmos contra o machismo e a misoginia vigentes e institucionais, lutarmos por nossa autonomia que inclui reaprendermos e buscarmos o que nos foi tirado e negado.

Uma das garotas que lhe defende diz assim:“Te ajudo e descolamos todo um equipo pra fazer dois palcos.Se ser feminista eh isso Sigo sendo anti machista e libertária.”

Sim gente, eu não estou inventando.

Eu também não acredito que passa pela cabeça de alguém alterar a programação, passar por cima literalmente das decisões e /ou vontades de outras mulheres para defender um homem, e tudo isso, ambxs dizem em nome do feminismo!

Pois o feminismo não é não uma luta para favorecer os homens! Ah não sabia! Pois é, o feminismo é uma luta das mulheres para as mulheres. E muitos homens que sentem desconforto com o machismo, que se sentem mal serão igualmente beneficiados nesta luta das mulheres.

Nós não seremos nem salvas, nem libertas, nem protegidas por vocês homens. São os homens que nos assediam nas ruas e em todos os espaços(trabalho, escolas, lazer, etc), são os homens que nos estupram, nos ameaçam, nos agridem física, emocional e verbalmente. Assim como você Paz acabou de fazer. Você está nos agredindo por não receber o tratamento que você acha que merece. E isso se dá por causa do seu privilégio, porque você não foi educado para ser excluído não é mesmo? Você cresceu tendo todos os espaços internos e externos sendo seus!

Nós não! Nós fomos educadas como inferiores e crescemos lutando por espaços ou nos conformando que os espaços não são nossos. Nós só temos estas duas opções. Nos conformar ou lutar!

Não Paz, você não é feminista, sinto lhe dizer. Você deve repensar o que você está sendo para o feminismo, para as mulheres e lésbicas, e repensar suas atitudes.

O machismo não se luta com paz. O machismo se enfrenta com muita luta, com muita batalha, até porque o machismo é a guerra não declarada contra as mulheres.

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link para o evento Larga Viva

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Copa do Mundo e a Exploração de Mulheres

A Adidas lançou camisetas para a Copa do Mundo de 2014.

Não me surpreendeu o motivo das camisetas: a objetificação da mulher brasileira e o incentivo do turismo sexual. Numa das estampas uma mulher está de biquíni (obviamente) com a frase “lookin’ to score in Brazil”, que é uma expressão que quer dizer “levar uma mulher para a cama”. A outra estampa é um coração que também é uma bunda de biquíni! É absolutamente absurda a proposta de camisetas da Adidas. O Brazil é bem conhecido mundialmente como destino de turismo sexual e na copa do mundo estima-se que haverá um grande aumento na exploração de mulheres, adolescentes e crianças.

Além de todo absurdo que é a existencia da copa por si só, os desalojos, a gentrificação, a repressão e a violencia policial, a perseguição dos movimentos sociais, que já estão acontecendo, as mulheres mais uma vez são alvos da estrutura capitalista patriarcal. A subjugação das mulheres é norma. As mulheres são estupradas e exploradas sejam nas guerras, sejam em “celebrações”, sejam no cotidiano.

Me angustia ver que mesmo no feminismo existam muitas pessoas que preferem não ver que a exploração sexual de mulheres só existe pela gigantesca diferença de oportunidades entre mulheres e homens.

As camisetas da Adidas além de incentivarem o turismo sexual, são uma ofensa e uma contribuição para que se continue tendo a mulher brasileira, assim como toda latina americana, especialmente as mulheres negras, como mulheres “quentes”, para nos manterem como objetos sexuais para o prazer masculino.

Parem com a exploração das mulheres!

Parem com a cultura do estupro!

Não vai ter copa!

Solidariedade à Paula

É com muita revolta que recebemos ontem a notícia da agressão à Paula por parte de Gustavo. Não conhecemos a Paula, mas o simples fato dela ser uma mulher que sofreu uma agressão nos faz sentir como se a conhecêssemos, e nos faz querer nos solidarizar e fazer de sua denúncia a nossa.  Soma-se a isso o fato de ela se proclamar uma libertária do mesmo meio e subcultura que é nossa luta, nossa casa. Já o Gustavo conhecemos, a última vez que o vimos foi na 2º Feira Feira do Livro Anarquista de POA, no ano passado. Gustavo propôs um bate papo na programação da feira e tocou com a banda Nieu Dieu Nieu Maitre da qual faz parte. Antes disso já havíamos tocado em gigs juntxs e ele esteve presente na okupa N4 onde morávamos. Ao saber desta agressão nos sentimos muito tristes e decepcionados com a atitude do Gustavo. É muito difícil descobrir que um amigo ou alguém próximo cometeu violência contra uma mulher, também porque simplesmente é difícil virar a cara para um amigo. Mas é insustentável para nós como anarcofeministas ficarmos caladxs diante desta denúncia.

A agressão cometida por Gustavo, sofrida por Paula, nos mostra mais uma vez que o machismo permeia mesmo dentro da cena libertária/punk, que se propõe a combater isso. Não é nenhuma novidade que nos deparamos com atitudes machistas dentro da cena, e nem que estas atitudes ficam impunes. Não é nenhuma novidade que os caras se valham do privilégio masculino e de sua influência, seja por tocarem numa banda, seja por engajamento político. E quantas vezes a culpa recai sobre as mulheres agredidas que geralmente tem menos voz na cena? Isso se dá porque infelizmente ainda não somos capazes de parar de reproduzir o machismo que acontece na sociedade. O fato das mulheres terem menos voz é reflexo do patriarcado e o fato de serem culpadas das agressões que sofrem, também.

Nos revolta ler no relato de Paula, como coisas nas quais acreditamos e pelas quais lutamos podem ser usadas para envolver e ludibriar outras pessoas principalmente numa lógica de gênero machista. É angustiante vermos pessoas ditas anarquistas se esconderem atrás de teorias. E tem sido muito comum vermos pessoas usarem do amor livre como pretexto para manipularem outras pessoas, ao mesmo tempo que não desconstroem sentimentos de possessão e ciúmes criando intrigas, inimizades e dinâmicas de poder.

A solidariedade é toda à Paula indiscutivelmente, o seu relato não pode ser desacreditado e cabe a comunidade libertária/punk abrigá-la. A Paula precisa de apoio, credibilidade e compreensão enquanto Gustavo precisa reconhecer a agressão que perpetrou para que ele perceba o que fez e não cometa o mesmo com outras mulheres/meninas. É muito comum agressores não admitirem que agrediram e que foram abusivos, sendo isso também uma violência.

Inúmeras vezes em casos semelhantes, as mulheres se afastam da cena porque os agressores ali circulam sem maiores problemas, fazendo com que elas se sintam constrangidas e intimidadas. Como comunidade anarquista/punk temos que focar no debate feminista e de gênero para prevenir estas agressões e trabalhar criando espaços seguros, e que promovam o apoio e o empoderamento das vítimas/sobreviventes.

Não nos satisfazemos com as propostas que se polarizam entre o silencio e a omissão ou o linchamento. No entanto, acreditamos que cabe a vítima tomar as decisões de como lidar com o agressor e a nós cabe apoiar ela e suas decisões.

A violência contra uma é violência contra todas!

açãoantisexista//
ferida//
no rest//

07/10/2012

leia o relato da Paula http://bastademachismo.blogspot.com.br/2012/10/venho-atraves-desta-carta-de-repudio.html

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