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Transativistas Atacam Mulheres em Londres – 13.09.2017

Não importa o quanto transativistas cometam e defendam essa violência ela tem um nome: VIOLÊNCIA MASCULINA MISÓGINA!!

Mulher de 60 anos é agredida por transativistas no Speaker’s Corner em Londres na última quarta feira dia 13. localizado no Hyde Park este era o ponto de encontro para feministas e pessoas interessadas em participarem do evento chamado “O que é Gênero?”. O debate tinha sido primeiramente marcado para acontecer numa biblioteca comunitária em Londres, mas as organizadoras sofreram perseguição e ameaças por transativistas e a biblioteca cancelou o evento um dia antes, dia 12. Porém para seguirem com o evento, foi organizado um outro local, que desta vez foi mantido em segredo para garantir a segurança dos participantes. Apenas o ponto de encontro foi divulgado, dali seguiriam para o novo local.
E então transativistas apareceram no Speaker’s Corner para protestar contra o evento, foi quando, como aparece no vídeo, um transativista chega para agredir uma das mulheres que estavam ali. Logo depois outro começa a dar socos na feminista que desvia para se proteger.

Feministas estão sendo silenciadas e censuradas por serem críticas a noção de gênero. Até quando mulheres terão que sofrer ameaças e agressões? isso que está acontecendo a muito tempo vem sendo abafado pelo medo que as pessoas tem de serem erroneamente acusadas de transfobia por qualquer desacordo que tenham com as teorias de identidade de gênero.

Áustria – Vendida a casa onde José Fritzl torturou e estuprou a filha para um proprietário de uma “casa noturna”.

Essa notícia é muito perturbadora. Toda essa história é muito perturbadora. Um pai que manteve a filha em cativeiro estuprando-a repetidamente por 24 anos. 24 anos. Como se não bastasse os estupros e a privação, Elisabeth a vítima (sua filha), teve sete filhos decorrentes dos estupros, dos quais três (com 5, 18 e 19 anos) nunca haviam visto a luz do dia até serem resgatados em 2008.
Agora um dono de um “strip club” comprou a casa por 160.000 euros. É como um filme de terror, é como uma risada bem grande na nossa cara, no sofrimento das mulheres. O ódio às mulheres tanto não tem limites quanto é negligenciado. Eu sempre considero relevante lembrar que o patriarcado antecede ao capitalismo, porém eu também sei que o capitalismo e o patriarcado andam juntos e se sustentam entre si. A compra desta casa é uma ‘jogada de marketing’, e o mais incrível é que associa a exploração das mulheres com estupro e incesto como propaganda, nem se preocupa em negar e defender que “os clientes compram um serviço como qualquer outro”, como costumam dizer. Eu vejo assim pelo menos, pra mim tá bastante claro. Me perturba demais esta notícia, mexe com alguma coisa dentro de mim, um absolutamente medo do que tudo isso possa causar um “incremento” no abuso, exploração, sofrimento, na vida dessas mulheres. Porque a fantasia masculina está sempre garantida e impulsiona e gera o que os liberais chamam de “trabalho sexual”, em detrimento ao mal-estar, a insegurança, a vulnerabilidade, a exploração das mulheres, as desiguais oportunidades e a violência contra a mulher.

link da notícia:
http://metro.co.uk/2016/12/07/house-where-josef-fritzl-tortured-and-raped-daughter-sold-to-strip-club-owner-6306260/

* essa notícia veio no meu feed de notícias no fb através da página “Wipeout Misoginy”. Agora a Ação Antisexista tem pagina no fb também. Confere lá, curte e apoie!

Violência Masculina – uma reflexão após mais um feminicídio

Quantas mulheres ainda precisam ser assassinadas pelos seus (ex) maridos, (ex) namorados, (ex) amantes ou mesmo pretendentes para que sejamos ouvidas e garantirmos nossa sobrevivência? O que precisa para que as denúncias de mulheres contra seus abusadores sejam tratadas com seriedade?

A misoginia mata. A misoginia é combustível para o feminicídio. Mas para o feminicídio ainda se encontram justificativas e culpabilização da vítima. As mulheres são incessantemente questionadas sobre onde foi que erraram, o que fizeram ou deixaram de fazer. As mulheres lutam sozinhas, cada uma na sua ilha, contra todo um sistema que ataca a sua integridade ao mesmo tempo que a responsabiliza pelas violências sofridas. Mas para que exista uma violência sofrida existe uma violência cometida. A vítima de feminicídio não pode ser seu próprio algoz. A violência dos homens contra as mulheres só pode se manter numa sociedade patriarcal, que gera a violência e se alimenta dela para seguir existindo. Essa é a verdade cruel do patriarcado. Para que os homens continuem com o domínio nas suas mãos é necessário que o bem-estar das mulheres seja ignorado ou negado.

A violência misógina pode se manifestar para qualquer mulher, mulher estranha, mulher próxima. O grau maior de intimidade não garante segurança às mulheres, pelo contrário, o risco de uma mulher sofrer violência é proporcional a proximidade dela com homens. Esta constatação causa desconforto, eu sei, porém esse desconforto não pode prevalecer a integridade das mulheres, não pode ser mais importante e urgente do que garantir às mulheres sua existência.

Negar isso acaba por contribuir em perpetuar o feminicídio, pois cria-se uma falsa realidade de que o âmbito doméstico ou privado é seguro e confortável (porque sim, deveria ser). Essa falsa realidade pode se refletir no próprio comportamento das mulheres, que acabam igualmente introduzindo pra si a ideia de que aquele comportamento agressivo do seu parceiro pode não ser tão perigoso assim. Porém é um verdadeiro conflito interior, porque quando uma mulher sofre algum tipo de violência no âmbito privado ela mais do que ninguém sente na pele sua sobrevivência ou bem-estar ameaçados. Ela sabe. Não a subestime. Porém estamos dizendo a ela que é um problema que ela tem que resolver sozinha, como se não fosse um problema político, como se não fosse consequência do sistema patriarcal e da misoginia inerente a ele. Como se fosse um problema pessoal, o que geralmente leva a crer que ela é o problema. Nestas circunstâncias as mulheres permanecem na situação de risco porque não encontram saída, seus receios e suas experiências são desprezados e elas não tem a quem recorrer se não a si mesmas, e torcer para que o pior desfecho seja uma coisa que só existe na página do jornal.

Isamara Filier não pode mais falar e muito provavelmente não foi ouvida enquanto viva. Não nos parece agora “à toa” que Isamara lutou para obter a guarda do filho e garantir que o feminicida Sidnei Ramis de Araújo se mantivesse distante. Ela lutou com o que pode, e mesmo assim não foi suficiente, porque a violência masculina está na estrutura patriarcal e não sofre restrições nem barreiras. E mesmo que agora nos pareça obvio dos seus motivos para manter o ex marido distante, existe apoio de uma parte da sociedade ao feminicida, o que nos mostra a verdadeira face do patriarcado – o desprezo e ódio pelas mulheres e consequentemente pelo nosso bem-estar.

O senso de direito de Sidnei Ramis de cometer seu crime foi tão grande que ele é ainda o único que pode ser ouvido através da carta que deixou. Ele matou Isamara, o filho e outras dez pessoas, na maioria mulheres, sem lhes dar nenhuma chance de reagir e lhes calando para todo sempre.

Na luta pela libertação das mulheres é nossa responsabilidade não deixar as mulheres lutando sozinhas pela sua sobrevivência e bem-estar. Nós tampouco devemos culpabilizar as mulheres por se relacionarem com homens. A culpabilização das mulheres pelas violências que sofrem sempre foi e continua sendo uma poderosa ferramenta para justificar e desculpar a violência masculina.

aline rod.

Dia Internacional da Mulher – Relato sobre as demos de Potsdam e Berlim

No momento me encontro em Berlim. Aqui tenho articulado com grupos feministas e pude participar de duas demos que aconteceram final de semana passado pelo Dia Internacional da Mulher. Sábado aconteceu a demonstração e protesto organizada por Women in Exile & Friends na cidade de Potsdam que juntou mais de 200 mulheres. Caminhamos pela cidade com nossas faixas e cartazes, gritando frases contra o patriarcado e as fronteiras.

Domingo, no dia 8 de março marchamos também em protesto pelas ruas de Berlim. As mulheres da comunidade Curda estiveram em peso na marcha da qual organizaram juntamente com outros grupos feministas como o grupo International Women Space, e outros grupos de esquerda. Ao mesmo tempo acontecia outra marcha em Berlim organizada por outros grupos feministas. Ambas marchas finalizaram no Brandeburgertor (Portão de Brandenburgo) num total de 8 mil pessoas. Havia um palco montado onde algumas mulheres fizeram suas falas e também bandas compostas por mulheres  tocaram.

Aqui, não diferente do Brasil, também existem homens querendo protagonizar as marchas feministas. No início da marcha em Berlim, as Curdas falaram no microfone para que os homens presentes ficassem na parte de trás da marcha. Vários homens ignoraram este pedido, seja por não terem ouvido ou não terem “entendido” ou por não acharem relevante e propositalmente desafiarem isso. Mais de uma vez varias de nós íamos dizendo para eles irem para trás. Mas o espaço era público e com uma concentração muito grande de pessoas com várias delas se somando no meio do caminho o que tornou mais difícil. Felizmente nós mulheres eramos em número muito maior e nossas vozes e presença se sobressaíram.

As duas demos ( Potsdam e Berlim) foram organizadas por grupos feministas que têm ênfase nos direitos das mulheres imigrantes e refugiadas. Estes grupos lutam contra o racismo, a discriminação, a deportação e denunciam o tratamento dado pelo governo alemão. Uma das exigências destes grupos é abolir os “lagers” (campos de isolamento) como são chamados por ativistas os prédios  aonde as refugiadas e refugiados são obrigados a ficar. O nome utilizado pelo estado alemão é Asylheim (casas de asilo). Porém as pessoas que estão pedindo asilo são colocadas em espaços muito pequenos, tem seus direitos básicos negados, estão sempre sobre risco de serem deportadas, e são marginalizadas ao serem obrigadas a ficarem em áreas restritas e distantes dos centros lhes deixando mais vulneráveis a ataques racistas.

Estes grupos feministas de refugiadas e imigrantes fazem um trabalho para garantirem espaços seguros para as mulheres e trabalham com questões específicas que as mulheres enfrentam.

Não posso deixar de frisar a frente que as mulheres Curdas fizeram na demonstração com seus dizeres, com suas mãos erguidas, com sua música que todas cantavam bem alto. Desta maneira contribuíram para que a demonstração fosse bastante forte e emocionante de forma bastante impressionante.

Eu me sinto muito feliz por ter podido participar das marchas e por estar tendo a oportunidade de articular com as mulheres que encontro aqui de diferentes partes do mundo. Os grupos feministas, as mulheres e as nossas exigências formam uma rede de solidariedade e ações por uma luta em comum: a luta contra a opressão do patriarcado que nos ataca diretamente. A forma como somos atingidas pela opressão quando decorrente de virmos de locais diferentes (muitas formas são exatamente iguais) não nos afasta se respeitarmos nossas diferentes circunstâncias, e nos une ao nos reconhecermos  como classe explorada por vivermos em sociedades misóginas.

13.03.2015

Marcha em Berlim

Marcha em Potsdam

 

 

 

informação adicional sobre o dia: a demo feminista na cidade de Nuremberg foi atacada por neonazis que jogaram objetos e spray de pimenta nas pessoas que estavam na marcha. Algumas pessoas tiveram ferimentos leves.

 

 

 

Ato Estupradores Não Passarão!!! 15 de Novembro

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Carta de Repúdio a decisão do juiz Paulo Augusto Oliveira Irion pela soltura do estuprador Marlon Patrick Silva de Mello// Ato – Estupradores Não Passarão!

Nós, Mulheres Organizadas Combatendo a Violência Contra a Mulher, viemos por meio desta, repudiar a decisão do juiz Paulo Augusto Irion, de soltar o estuprador Marlon Patrick Silva de Mello, pego em flagrante pela polícia no dia 12 de outubro último.

Era uma noite de domingo quando a adolescente de 16 anos foi brutalmente estuprada e espancada por Rodnei Alquimedes Ferreira da Silva e Marlon Patrick na orla do Guaíba. A menina foi levada para o hospital em estado grave, inconsciente e desfigurada a ponto de dificultar seu reconhecimento por familiares.

A decisão do juiz demonstra como a violência contra a mulher é naturalizada e reforçada diariamente a tal ponto que, mesmo sendo pego em flagrante, o juiz considerou de maior valia o fato do estuprador ser réu primário, alegando que o estupro foi um caso isolado na vida de Marlon Patrick. No entanto, o fato isolado ao qual o juiz se refere não é um delito comum, mas um crime hediondo decorrente da misoginia e da cultura do estupro. É notório o quão irresponsável foi a decisão do juiz ao minimizar o crime e também a dimensão da dor da vítima, bem como as consequências na sua vida. A definição de fato isolado se aplica melhor na condenação de um estuprador.

A cultura do estupro se dá na objetificação de nós mulheres e no senso comum de que o corpo feminino é propriedade do homem. A cultura do estupro se dá na hiperssexualização de nós mulheres nas diferentes esferas sociais, e na forma monstruosa que mídia reproduz estes estereótipos. A cultura do estupro se dá na banalização do estupro, na culpabilização das vítimas que são sempre questionadas, sejam pelas roupas, pelo comportamento, ou qualquer outra justificativa que sabemos servir somente para abrandar o que não pode ser abrandado. Desta vez não foi diferente, quando vimos os jornais chamarem atenção para a aparência da vítima, ou ao fato do pai da menina declarar que a filha “estava rebelde ultimamente”, para citarmos alguns exemplos. Sabemos que estas justificativas são meios de desvalidar nossa palavra e menosprezar nossa dor.

Procurem a culpa onde ela está que vocês acharão. A culpa é do estuprador e nunca da vítima.

A decisão de soltar o estuprador expõe ainda mais a vítima, a coloca em risco e também outras mulheres, e desencoraja a denúncia por parte de todas as mulheres que sofrem abuso, enquanto incentiva a perpetuação da violência contra a mulher através da impunidade.

Esta resolução e a cobertura midiática não são exclusividades deste caso, mas o padrão pelo qual se mantém um arranjo social cruel que expõe as mulheres a violências.

Repudiamos a decisão do juiz e o consideramos incapaz de julgar crimes sexuais e de violência contra a mulher, e exigimos que a justiça ampare e proteja as vítimas negligenciadas por interpretações arbitrárias de magistrados.

A maioria dos juízes que julgam casos de estupro são homens. Questionamos se como homens sejam capazes de compreender e tratar de questão tão grave com a seriedade que nós mulheres merecemos.

 

Estupradores não passarão!

Não nos calaremos!

 

Em solidariedade a vítima,

 

Mulheres Organizadas Combatendo a Violência contra a Mulher

Porto Alegre, 22 de Outubro de 2014

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Foto do ato que aconteceu ontem na frente do Fórum central de Porto Alegre, onde o juiz Paulo Augusto Irion presidia uma audiência.

No ato foi lida a carta acima que também foi entregue no gabinete do juiz. Foram feitas falas e gritos de luta em solidariedade a vítima e a todas as mulheres sobreviventes de abuso. Foi expressado o nosso repúdio a forma como o juiz está tratando o caso: ele entendeu que o estupro foi um “caso isolado” na vida de Marlon Patrick Silva de Mello.

Várias pessoas que entravam e saíam do fórum paravam para entender e ouvir o que estava sendo dito e várias mulheres se solidarizaram ao ato e mostraram sua indignação. Fomos impedidas por seguranças do local  quando nos direcionamos na entrada da parte lateral do Fórum e a polícia foi chamada. Resistimos e continuamos nosso ato até o final.

 

 

Escrachando o Feminismo Radical – uma resposta às acusações ao feminismo radical de poa

Abaixo segue a resposta à “Moção de Repúdio ao Movimento Feminista Radical de POA”. A resposta fala por si, contextualiza, em fim, não há necessidade de introdução basta lê-la. Mas sinto a necessidade de colocar o seguinte:

Uma moção de repúdio a feministas radicais daqui ou de qualquer lugar é algo questionável. É questionável do ponto de vista feminista fazer uma moção de repúdio contra mulheres que se organizam para lutarem por libertação. Uma moção de repúdio? Um repudio? Uma coisa é discordar teoricamente, uma coisa é escolher com quem vai se aliar, com quem vai lutar e de qual forma. Mas outra coisa bem diferente é REPUDIAR feministas e ainda tornar isso público e colocar a segurança física e emocional de um determinado grupo de mulheres em risco. Não é possível fazer acusações por fazer, sem um mínimo de consideração, sem informação pelo que se está criticando, em fim. Nós mulheres já somos alvos de ataques misóginos de todos os níveis, nossa luta e sobrevivência são parte do nosso diário.

Também acho importante ressaltar o apoio que o “repúdio” recebeu, quando prontamente 100 pessoas “curtiram”. 100 pessoas se sentiram confortáveis o suficiente para tornar público que concordam com ser possível repudiar um grupo de mulheres que compartilham da teoria feminista radical.

Eu queria problematizar isso. De onde vem este conforto, esta confiança para se dar este apoio? Sim, é seguro criticar feministas radicais, pois são odiadas, são taxadas de transfóbicas, de excludentes, de anti-homens. Nada mais seguro e confortável persegui-las sem tentar compreendê-las. E diria mais, esta não é uma questão de não “tentar” compreendê-las somente, mas percebo que é uma negação proposital, porque compreender o feminismo radical causaria ter que rever suas posições, seus privilégios, ceder espaço para mulheres, todas estas coisas da quais os homens se beneficiam no patriarcado. Então não finjam que estão do lado das mulheres, do nosso lado, porque vocês não estão, e ativamente estão contribuindo com a exploração e a opressão que combatemos para a nossa libertação, e para que sejamos silenciadas.

Também gostaria de frisar que o escracho não foi uma ação feita por feministas radicais, então a “Moção de repúdio às feministas radicais de Poa” é difamatória. Porém como está explicada na carta abaixo não farei desta a defesa das feministas radicais, porque respeitamos a ação escolhida(o escracho) por estas mulheres e cabe apenas a elas falarem por elas se assim desejarem.

Isso tudo é assustador: existir uma moção de repudio a mulheres feministas radicais, e 100 pessoas tornarem público seu acordo a isso. É assustador utilizar de um escracho denunciando o machismo para atacar um grupo de mulheres. É assustador também que mesmo com a descoberta de que não foi este grupo de mulheres (feministas radicais) que fizeram este escracho, tenha se sucedido uma “retratação” que apenas reforçou as críticas levianas ao feminismo radical, e não consiste em retratação de forma alguma, mas apenas a continuidade da postura de irresponsabilidade política adotada. E mesmo sabendo disso as pessoas continuaram “curtindo” ou mantiveram lá suas “curtidas”.

Ao contrário do que dizem os difamadores, feministas radicais são mulheres de todos os tipos e lugares, de classes sociais , raças e etnias diferentes. O que nos aproxima vai além da teoria, porque nossa teoria e nossa prática andam juntas. É comum encontramos no feminismo radical o único espaço onde sentimos conforto, compreensão e acolhimento. E ao contrário do que dizem, o feminismo radical não é a teoria feminista mais difundida nas universidades, se fosse não seria uma vergonha mas uma conquista. Sejam honestos pelo menos com isso.

enila dor.
ESCRACHANDO O FEMINISMO RADICAL

Sobre as acusações ao feminismo radical POA referentes ao escracho no Bar Zumbi

Diante de diversas acusações, nos sentimos compelidas a dar respostas a uma série de falácias motivadas e endossadas por toda uma histórica perseguição a mulheres feministas. Perseguição esta que atualmente assume nova roupagem, mas continua servindo da mesma maneira ao patriarcado, desacreditando e desarticulando a nossa luta. A perseguição a feministas radicais chegou a tal ponto que fomos responsabilizadas por decisões que não tomamos, como, por exemplo, pelo recente escracho organizado por mulheres autônomas de diversas correntes feministas contra o bar Zumbi e o evento que seria lá sediado.

No último período, Porto Alegre (bem como outras cidades do país e do mundo) tem sido palco de festas que se dizem alternativas e libertárias e que, no entanto, tem demonstrado conteúdo misógino, machista, lesbofóbico e racista, tornando-se espaços de silenciamento, assédio e abuso de mulheres. Neste contexto, várias mulheres têm se organizado para se contrapor a essas iniciativas. Embora o movimento radical não tenha organizado o referido escracho, salientamos que sempre estivemos e sempre estaremos ao lado das mulheres que combatem o machismo em suas diferentes manifestações. Não falaremos aqui sobre as críticas feitas ao método utilizado por essas mulheres, pois acreditamos que elas mesmas podem se pronunciar sobre isso.

Quanto às críticas direcionadas ao movimento, percebemos que vem ocorrendo interpretações errôneas sobre o que é o feminismo radical. Somos feministas radicais porque buscamos combater a opressão patriarcal em sua raiz. No entanto temos sofrido a acusação de transfobia como uma associação direta à teoria radical. Entendemos que a associação de feminismo radical à transfobia é uma redução desonesta de todas as demandas desse movimento a uma mentira que se utiliza desse “carimbo” como ferramenta de perseguição de militantes e uma maneira de invisibilizar as pautas que dizem respeito a mulheres e suas vivências. Consideramos a acusação de transfobia leviana e irresponsável, na medida em que culpabiliza mulheres militantes por uma violência real causada por um inimigo comum, que tem os mesmos ideais machistas que combatemos.

Também consideramos que a acusação de academicismo que feministas vêm sofrendo é bastante problemática, tendo em vista toda a história de exclusão das mulheres no acesso ao conhecimento formal e da configuração de um espaço acadêmico extremamente machista e dominado por homens. Reivindicamos o conhecimento formal produzido por escritoras, cientistas e estudantes, num esforço de valorizar o saber produzido pelas mulheres, que deve ser passado adiante dentro dos espaços feministas para enriquecer nossa luta com a perspectiva feminina e valorizar a herança deixada pelas mulheres que vieram antes de nós. No entanto, não entendemos conhecimento formal como algo que desvalorize ou se contraponha às vivências feministas, mas que são complementares. Nosso feminismo é construído cotidianamente através da nossa prática, a partir das nossas ações na luta global das mulheres pelas mulheres.

Além das demais acusações acima, houve a de racismo. Enfatizamos nosso posicionamento contra o racismo, o qual consideramos uma violência muito grave, que combatemos em nossa atuação e cuja acusação levamos extremamente a sério. Nesse sentido, gostaríamos que fosse apontado onde está o racismo em nossas problematizações. Lamentamos, ainda, que seja dito que a motivação das mulheres que realizaram o referido escracho tenha sido racista, pois é um contrassenso, uma vez que entendemos que o objetivo do escracho e das manifestações das redes sociais foi justamente denunciar o conteúdo racista (além de misógino, machista e lesbofóbico) do evento que teria lugar no bar Zumbi e com a qual os organizadores, os donos do bar e as bandas participantes foram coniventes.

Não podemos ignorar que foi de extrema irresponsabilidade política e pessoal as acusações feitas tanto ao grupo que realizou o escracho quanto as mulheres organizadas no feminismo radical, pois expôs e colocou em risco a integridade física e moral de integrantes de ambos os grupos.

Infelizmente é inviável abordar todas as pautas necessárias a este texto e a este contexto, no entanto, gostaríamos de convidar todas as mulheres a construir conosco um movimento feminista de maneira responsável, coerente e que não exponha mulheres, mas sim lute por elas.”

276 meninas sequestradas de uma escola na Nigéria

Algumas semanas atrás 276 meninas foram sequestradas de uma escola secundária na cidade de Chibok na Nigéria. Familiares estão devastadas e exigem que o governo nigeriano saia em busca de suas filhas. Apesar de nenhum grupo alegar autoria, algumas meninas que conseguiram escapar dizem que os sequestradores se identificaram como do grupo “Boko Haram”.

43 meninas conseguiram escapar.

Há alguns dias atrás foi noticiado que as meninas seriam vendidas para militantes do Boko Haram para um casamento em massa.

Também foi noticiado que um negociador das reféns está em contato com os sequestradores. O negociador diz que “parece que existe a intenção de libertá-las”, porém também afirma que o grupo alerta que “qualquer tentativa dos militares de enviar resgate pode causar a morte de muitas reféns.”

Familiares das meninas questionam as autoridades e desconfiam da corrupção do governo, assim como não entendem como 276 meninas foram sequestradas, levadas em vários caminhões sem que isso tenha sido visto por ninguém, nem parado por nenhum agente de segurança durante a rota que fizeram desde que deixaram a escola.

Ir para escola para meninas nigerianas é uma luta e uma quebra das crenças arraigadas na sociedade. A falta de educação escolar afeta mais as meninas do que os meninos na Nigéria, a pobreza faz com que famílias vendam suas filhas ainda crianças para o casamento e escolham investir com a educação para os seus filhos homens. Além da questão da pobreza culturalmente existe no país a ideia de que as meninas não precisam de educação simplesmente porque são meninas. O casamento de meninas crianças é uma realidade na Nigéria onde homens adultos estupram crianças dentro da legalidade, muitas meninas morrem na “noite de núpcias”, e as que sobrevivem tem uma vida de escravidão laboral e sexual.

É fácil percebermos que as mulheres pagam o preço mais alto em contextos políticos variados.

#tragam nossas filhas de volta!
#bring back our girls

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