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Archive for the ‘Relatos’ Category.

O Machismo Também Saiu às Ruas

Nos protestos pelo Brasil pudemos observar que o machismo também “saiu às ruas”. É importante ressaltar isso, principalmente porque o machismo é sempre abrandado, quando não negado, e historicamente ignorado devido a “coisas mais importantes para se resolver ou para se focar”.

Desta vez porém, referente aos protestos, observamos e denunciamos o sentimento ufanista, a necessidade desesperada de caracterizar o movimento como pacifista, a violência perpetuada contra pixadorxs, a perseguição de manifestantes alcunhadxs como vândalxs, a tentativa de cooptação da direita, a infiltração de neonazis e da própria polícia, entre outras questões.

Nada menos do que imprescindível nos atermos sobre questões que sim, não tenham impedido os protestos de continuarem, mas que incomodaram uma grande parcela de manifestantes, principalmente mulheres e que podem sim terem impedido algumas de continuarem participando. Geralmente em eventos públicos, com aglomeração de pessoas, a gente vê manifestações de racismo, machismo e heterossexismo, e normalmente as pessoas ficam caladas. Tais preconceitos não acontecem apenas em eventos e aglomerações obviamente, diariamente nos deparamos com situações machistas, racistas e heterossexistas e nem sempre temos na ponta da língua uma resposta, ou não dispomos de energia, ou “presença de espírito” para respondermos, ou simplesmente percebemos outras problemáticas implícitas numa possível explicação. Além do que, estes preconceitos são reproduzidos de forma sistemática e normalizada, o que dificulta tentativas de diálogo que são tratadas com hostilidade, descartando que hostil é a manifestação do preconceito em primeiro lugar.

De certa forma poderia ser mais fácil confrontar preconceitos em situações similares a protestos como este, onde é trazido à tona as desigualdades, já que existe um terreno propício ao questionamento. Mas parece não ser tão fácil assim.

Os protestos estão dizendo que não aguentamos mais as desigualdades sociais e de classes, e que estamos dispostxs a lutar por demandas que nos são importantes e necessárias para nossas vidas e para a sobrevivência de vários grupos. Desta forma precisamos dar atenção para não oprimirmos outros grupos que sofrem outras opressões.

Durante estes protestos surgiram cartazes e gritos machistas, como os referentes a Dilma não enquanto presidente, mas enquanto mulher, como no cartaz que dizia: “de quantas mulheres precisa pro Brasil afundar? Di(u)ma.” Piadas como esta, estão carregadas de misoginia mas são encaradas com naturalidade, e fazem “todo mundo” rir. Exceto a quem ela atinge, como são as piadas de negrxs e de “viado” ou “sapatão” em que as pessoas dizem “não sou racista/homofóbico mas escuta essa!”

Ouvi em diferentes momentos mulheres serem chamadas de vadia no meio dos protestos, por não corresponderem ao esperado delas. Argumentei com estas pessoas que não fazia sentido elas se referirem assim àquelas mulheres e recebi de volta comentários de desprezo também por eu ser mulher.

É importante combatermos as opressões, incorporando como ação importante nas nossas lutas e no nosso cotidiano, até que o machismo, a misoginia e o preconceito encontrem resistência, e passem a não ser mais uma normalidade.

enila dor

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3ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre- Relato

A Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre vem acontecendo anualmente desde 2010,  neste ano chegou à sua terceira edição.

A Feira foi bastante interessante, e bem diferente por ter acontecido num espaço público. Nas nossas reuniões até decidirmos pelo Gasômetro, a opinião geral de todos os coletivos envolvidos, era de fortalecer os espaços anarquistas da cidade, por isso a dúvida entre estes espaços e um espaço público gestionado pela prefeitura. O limite de espaço físico e outras questões nos fizeram optar pelo Gasômetro, um centro cultural. Tirado isso, com questionamentos e crítica, passamos a ver as vantagens, uma delas a do acesso ao anarquismo para todxs. Muito além de uma palavra ou teoria, este acesso se mostrou verdadeiro na prática, muitas pessoas que por ali circularam, e embora muitas sem intenção de irem à feira, acabaram entrando em contato com o anarquismo, participando de alguma forma, simpatizando ou mesmo não concordando.

As bancas com livros, zines, revistas e materiais diversos se propuseram mais do que à exposição, mas à interação e muito debate, ao fluxo de pessoas e idéias, e às impressões com tudo isso, como espaços assim costumam ser. As oficinas rolavam nos arcos, uma extensão do espaço das bancas, e no píer, com muito calor e vento.  Foi bonito de ver e participar deste ambiente, meio caótico, intenso, barulhento e por isso mesmo necessário, pra mexer com o conforto e o previsível.

Houveram duas oficinas fechadas para mulheres e uma para homens. E isso novamente mexeu com as pessoas, gerou discussão e desconforto. Bem, oficina para mulheres sempre é questionada, tratada como algo sectário. A sociedade é sectária, nos divide em seres binários, bipolariza nossas ações, sentidos e emoções em função de gênero, e é por isso que precisamos nos organizar muitas vezes entre nós mesmas para decidirmos pelos problemas das quais apenas nós passamos, para não dizer sofremos. Desta forma, proporcionamos e incentivamos que sejamos as agentes das decisões que dizem respeito a nós somente, coisa que a sociedade não nos incentiva a fazer, pelo contrário, padroniza que nossas vidas estejam nas mãos de nossos pais, irmãos, maridos e também filhos (mostrando quanto o sistema de hierarquias é “flexível”), sendo eles os que “sabem o que é melhor para nós”, tomando decisões que nos dizem respeito.

A oficina para homens foi menos questionada, mas ainda assim com alguns olhares tortos. Algumas oficinas somente para homens têm intenção de vitimizar os homens e ofuscar os problemas das mulheres, ou mesmo ser uma “resposta” ao feminismo – como se o feminismo fosse um assunto isolado, ou que defendesse a superioridade das mulheres – designando que os homens passam por problemas opostos proporcionalmente iguais, ignorando os privilégios dos quais os homens detêm, mesmo quando a seu contragosto.  Que os homens passam por problemas de gênero, isto é inegável, mas de um ponto de vista privilegiado, o que difere bastante as experiências que vivem, mesmo que nem sempre positivas. Não foi o caso desta oficina, que pelo contrário, propôs a desconstrução da masculinidade e reflexão dos privilégios masculinos.

Ainda sobre as questões de gênero, das quais nosso coletivo propõe trazer para o debate como parte da luta anarquista, nossa banca foi bastante freqüentada por aquelxs que se afinizam e se interessam pelo anarcofeminismo, e tivemos a oportunidade de conversar bastante e conhecer pessoas e coletivos, o que sempre nos deixa muito motivadxs. Alguns homens porém  a repudiaram. Não digo pessoas porque foram alguns homens apenas que na feira criticaram o conteúdo anarcofeminista da nossa banca, ou que expuseram isso, talvez porque os homens se sintam mais à vontade de fazerem críticas, ou porque de alguma forma sentiram ameaçadas suas crenças. Muitas das interações foram no sentido de explicarmos o porquê das nossas reivindicações e fomos acusadxs de nos focarmos numa coisa só. Pra começar nós não estamos focadxs numa coisa só, pelo contrário, a intenção é incluir o feminismo como questão fundamental na luta por igualdades, nós realmente não acreditamos em anarquismo sem feminismo. É muito cansativo ver que ainda existe a idéia que temos que esquecer as diferenças e nos unirmos por uma causa “mais importante”- neste caso a anti-civilização. Por que haveríamos nós de deixarmos de lado os males que nos afligem?  Quem decide qual causa é mais importante para quem, x oprimidx ou quem tem o poder em suas mãos para oprimir? As distintas lutas ao contrário de se divergirem se conectam. Não pode ser mais incoerente reivindicar “união” por uma causa – que alguém julga mais importante – porque ela afasta, ela não mostra compaixão ou companheirismo, ela se disfarça em união com o único propósito de que esqueçamos das nossas lutas específicas, do tratamento e oportunidades diferenciados que temos, para nos transformarmos em massa de manobra. A solidariedade é uma das questões mais importantes do anarquismo, se não sabemos nos solidarizar, se não podemos compreender as dificuldades pelas quais não passamos e as reivindicações que surgem dessas dificuldades, estaremos sendo insensíveis e incoerentes enquanto anarquistas. A solidariedade derruba dogmas e instituições, as ameaça e enfraquece, por isso se diz que a solidariedade é uma arma.

Mas podemos dizer que muito mais foram as pessoas que se interessaram positivamente, muitxs foram xs que gostaram das bancas, materiais e das oficinas sobre gênero e que comentaram que estavam entusiasmadxs por verem na feira o feminismo tão presente.

A Feira rolou intensa. Importante dizer que mais uma vez foi fundamental a colaboração das pessoas que vieram de outras localidades, diversificando o espaço e tornando-o mais atrativo, além de propiciar os intercâmbios diversos. A feira aconteceu, e nos faz refletir de sua importância quanto a um espaço para encontro, troca e difusão das idéias libertárias. Que as feiras anarquistas continuem se espalhando pelo mundo.

Enila Dor.
ação anti sexista
26.12.2012

confira também compartilhando impressões da 3ª FLAPOA

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KontraDogma//Revoluciclo

KontraDogma

A Fanzinada, um encontro itinerante de fanzineirxs, passou por Porto Alegre na última sexta. Participamos e tivemos a oportunidade de mostrar nosso novo zine, KontraDogma, que estivemos confeccionando nos meses de dezembro e janeiro.

O zine nasce da vontade de escrever sobre temas diversos, e esta primeira edição conta com o Relato da 2ª Feira do Livro Anarquista de PoA, entrevista com a banda anarcopunk de Grenoble, Chicken’s Call, e devaneios diversos… Entre em contato se voce quiser uma cópia!

Na Fanzinada, rolaram vídeos interessantes sobre o punk no ABC Paulista, e sobre fanzineirxs, enquanto na outra sala do Moinho Negro rolava a exposição de zines de várias épocas e temas diversos. Depois seguiu-se um debate que contou com xs zineirxs Law Tissot, Thina Curtis, Jamer Mello e Daniel Villaverde.

Revoluciclo

Outra novidade aqui no blog é a nova categoria r(E)voluciclo, contendo os posts do blog de mesmo nome que costumavamos tocar no servidor noblogs. A temática principal destas postagens trata de mobilidade urbana e do uso da bicicleta como ferramenta de autonomia e resistência e surgiu da nossa vivência ao utilizar a bicicleta como meio de transporte diariamente. Resolvemos migrar o conteúdo do blog Revoluciclo para cá e novos textos também serão postados diretamente aqui.

2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre e Dissidência Muzikfesto- Relato

2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

No mês de novembro rolou a segunda edição da Feira do Livro Anarquista aqui da cidade. Foram meses de construção coletiva que resultaram em 4 dias intensos, de exposição de livros, de debates e oficinas, de troca e convivência entre todxs que participaram. Neste ano a feira aconteceu simultaneamente em dois locais, o Espaço Libertário Moinho Negro,onde aconteceram as oficinas, a maioria dos bate papos, os almoços e também alojamento, e a Travessa dos Venezianos onde está situada a sede da Federação Anarquista Gaúcha na qual se concentraram as banquinhas e onde ocorreram também as intervenções artísticas.

Em relação à edição da FLAPoA de 2010, vivenciamos um grande crescimento na participação de coletivos e individuxs de outras localidades do Brasil e do mundo, tanto como expositorxs e proponentxs de atividades, quanto na organização efetiva da feira, tomando parte nas comissões e absorvendo responsabilidades. Essa maior participação na pré-construção da feira auxiliou muito os coletivos locais, ampliando nossos horizontes e introduzindo novas experiências de organização, mas trouxe também um desafio em termos de comunicação e horizontalidade com distâncias tão grandes nos separando.

Abrindo com uma celebração na sexta-feira, dia 11 de novembro, com a apresentação de Animinimaldita (Arg), Minininha Pirracenta (BH) e Front Liberdade e Rima (PoA) a 2ª edição da FLAPoA seguiu sua programação até o dia 14. Rolaram bate-papos e oficinas sobre o Punk e a Contribuição para o Anarquismo, Fascismo e Antifascismo na Atualidade, Estratégias Anárquicas de Transformação, Saúde Feminina, Autonomia do Corpo: Pompoarismo e Dança, O Anarquismo e as Prisões Hoje, a Luta Libertária na Europa no Contexto Atual, Gestão de Espaços Libertários, Yomango, entre muitas outras, além de intervenções teatrais do Grupo T.I.A., do grupo Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta Favela! e também da Federação Anarquista Gaúcha, e, obviamente, exposição dos livros e materiais das editoras Deriva, Imprensa Marginal, Faísca, Imaginário, Achiamé, Madre Selva, L-Dopa e outras mais.

Alguns problemas surgiram ou se mostraram presentes: o cancelamento da participação de alguns coletivos proponentes foi um deles, a solução foi remanejar os horários das atividades e propor atividades de ultima hora ou que tinham sido deixadas de lado durante a construção da feira. Acabou dando certo. Outro problema que se mostrou presente foi de rixas locais darem espaço para atitudes que ao nosso ver atrapalham a horizontalidade e liberdade. Mas a troca de experiências, de idéias e a vivência nos 4 dias foram motivadoras, construtivas e prazerosas.

Dissidência Muzikfesto

A idéia do festival surgiu do fato de que vários dos coletivos participantes também tocam em bandas, a oportunidade de encontro permitiu a construção do festival. Assim a contra cultura teve espaço para se manifestar em forma de som, expressão, e também de exposição de zines e outros materiais punks/anarcopunks. Houveram no festival também alguns problemas mas que foram superados. O primeiro deles foi de que algumas bandas cancelaram sua participação, e como tínhamos marcado 2 noites de festival por razão do numero de bandas os 2 dias não seriam mais tão necessários. O segundo problema foi que na primeira noite do festival ao chegarmos no local surpreendentemente estava já acontecendo um outro evento… questionamos a organização do local, mas muito mais a nossa organização, visto que foi difícil acreditar que aquilo estava acontecendo. Então descobrimos que é uma ocorrência comum naquele espaço. A solução que arranjamos foi de todas as bandas tocarem na noite seguinte, por sorte quem sabe, visto que o numero de bandas diminuído não faziam mais necessárias as 2 noites. Todxs participantxs e também o pessoal que veio para assistir o festival se mostraram muito compreensivxs. Conversamos sobre a falta de espaços autônomos para gigs e alguns problemas de se fazer som em bares. Dentro da realidade atual aqui da cidade, este bar é o mais interessante, e embora sujeitxs a situações como esta, temos uma certa abertura, as donas do espaço não cobram aluguel, tirando seu lucro apenas das bebidas e lanches que elas vendem. Isto juntamente com o equipamento ter sido cedido por um amigo, tornou possível dividirmos toda a bilheteria entre as bandas não locais. O festival contou com as bandas de fora Nieu Dieu Nieu Maitre, Revolta Popular e Gracias por Nada, e as locais, Digna Rábia, Conduta Destrutiva, Vapaus, Front Liberdade e Rima e Ferida (banda do nosso coletivo). A noite fechou a feira com muita celebração, som e troca de idéias.

A feira e o festival possibilitaram novas amizades e interações com pessoas que vivem distantes… o companheirismo, as descobertas de afinidades, e o estreitamento de relações entre amigxs mais próximxs também. Pensamos que isso fomenta as relações anarkikas e ajuda a divulgar o anarquismo e a contra cultura.

Que continuemos construindo e resistindo!

Liberdade! Anarquia! Feminismo!

seguem algumas fotos e o vídeo produzido pela AnarcoFilmes:





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relato manifestação 8 de julho

Na última sexta-feira saímos às ruas para demonstrarmos nossa revolta contra os grupos neo-nazistas e os recentes ataques por elxs perpetrados. Nos reunimos por volta das 19h na escadaria da Borges, em frente ao prédio da Comunidade Utopia e Luta e já na concentração dava para sentir a força que o ato teria. Mais de 2 centenas de pessoas estavam lá: moradorxs do Utopia e Luta, membros do Levanta Favela, do Moinho Negro, Amigos da terra, Mulheres Rebeldes, Resistência Popular, quilombolas, movimento negro, movimento LGBT, moradorxs de rua, anarkopunks, ciclistas, nós da açãoantisexista e outrxs indivíduos. Pouco depois das 20h começamos a caminhada pelas ruas do centro da cidade denunciando locais freqüentados por neo-nazis, distribuindo panfletos e conversando com as pessoas que passavam. Durante todo percurso tivemos batucada e cantos anti fascistas, entoando sempre  o “Não Passarão!”

Terminamos o ato com uma concentração no Largo Zumbi dos Palmares, onde o microfone ficou aberto a denúncias e relatos. Também teve música, dança, diversão… uma festa de rua!

temos o panfleto em melhor qualidade para baixar na seção zines

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8 de Março – Manifesto das Mulheres Urbanas aos Poderes

ontem, nós as Mulheres Urbanas, fizemos uma caminhada pela cidade para manifestarmos nossa luta por ocasião do dia 8 de Março. no fim de nossa caminhada nos juntamos as Mulheres do Campo, que antes de chegarem a Porto Alegre, ocuparam a Braskem, protestando contra a monocultura de cana de açúcar. mulheres do campo e da cidade unidas na luta!

nós Urbanas, escolhemos este ano denunciar 4 poderes, que representam a opressão e a desigualdade que sofremos pela lei do capital e do patriarcado que se sustentam reciprocamente.

poderes: ESTADO, GOVERNO, “JUSTIÇA” e MÍDIA.

poderes estes que se cegam a todxs aquelxs que são consideradxs minorias. poderes que falam em direitos humanos, como a Justiça, mas que sabemos que defendem uma elite, permitindo que por exemplo as mulheres ainda recebam menores salários e que tenham trabalhos precários e desumanos. poderes que objetificam as mulheres, como a Mídia que explora a imagem da mulher, lucra com isso e dita padrões de beleza para nos escravizar. poderes que se utilzam do controle que detêm para manterem a dominação de unxs sobre outrxs caracerizando a hierarquia em que o Estado ocupa o grau mais elevado e alimenta a sociedade patriarcal. poderes que são negligentes com as necessidades de muitxs, incluindo as das mulheres que sofrem c0m as leis dos Governantes. leis que impedem a nós mulheres decidirmos sobre nossos próprios corpos, leis que não cumprem o papel da qual dizem fazer, e não proporcionam condições básicas para se viver. todos esses poderes colocam as mulheres em posição de vulnerabilidade, instigam a violência contra a mulher e a desigualdade de tratamento e de direitos.

8 de março – Menos Flores, Mais luta!

grupos que participaram:

ação anti sexista
cambada de teatro em ação direta levanta favela
casa de resistência cultural
comunidade autônoma utopia e luta
mulheres livres
resistência popular

algumas fotos aqui!

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Manifestação contra o aumento da passagem – relato/opinião

Na quarta feira 9 de fevereiro, aconteceu mais uma manifestação contra o aumento das passagens aqui em porto alegre. Organizada por partidos e outros grupos que mais estão preocupados com interesses pessoais, cargos eleitorais, méritos, status, e que ainda se aproveitam de movimentos sociais como massa de manobra. A forma de fazer política dos partidos de oposição não é oposição real a política vigente e aos problemas que estamos questionando. Usar a indignação dxs desfavorecidxs com fins oportunistas é prática da qual fazemos questão de continuar delatando. Nascem novas oposições, mas a tática é a mesma, e quando/se conseguirem alcançar o poder acatarão as mesmas decisões, nascerão outros partidos e assim o sistema é alimentado.

Este relato começa com esta crítica, porque foi bastante gritante a necessidade desses grupos e pessoas em liderar e a total arrogância e desrespeito que mostraram com xs participantes. O carro de som, por exemplo, abafou a participação dos indivíduos e centralizou o poder de fala, decidiu quais palavras a serem gritadas e “naturalmente” não ouvia novas idéias que iam surgindo no caminho.

Esta crítica é direcionada aos partidos e sua forma de organização, às diretrizes dos grupos que se vinculam aos partidos ou que se organizam de forma hierárquica, mas não aos indivíduos necessariamente. É claro que enquanto parte destes partidos e organizações, a crítica vai também a esta postura tomada, escolhida, mas ainda em graus diferentes entre xs participantes daquelxs que tem maior poder de decisão.

Em função disso, foi articulado entre alguns grupos e indivíduos um bloco autônomo do qual nós participamos. O bloco resolveu nomear dois delegados para compor junto com o Comitê Contra o Aumento da Passagem, que estava por trás do chamado da manifestação. Nos parece que a idéia era ficar por dentro das propostas e estratégias do Comitê e até quem sabe participar da construção dessas estratégias e propostas, nós da ação antisexista duvidamos disso, e percebemos que a presença de representantes do Bloco Autônomo no Comitê apenas legitimou a centralização do poder em torno do mesmo. Formar um bloco é uma estratégia muito útil por nos permitir participar nos solidarizando com as causas mas não com os oportunistas, porém não é de jeito algum fazer parte e acabar perdendo a identidade. Nessa última manifestação foi difícil reconhecer um bloco em separado do bloco dos partidos/partidários, fomos no máximo uma dúzia de pessoas à parte do bloco maior.

Compreendemos que pode ser questionável o fato de termos ido à manifestação e agora a estarmos criticando. O que nos motivou a participarmos foi pensarmos que a presença de um bloco autônomo e crítico poderia ser o contraponto disso para xs manifestantes e xs transeuntes. E acreditamos que fez diferença, embora muito pequena, estarmos ali procurando passar uma outra perspectiva de crítica, reafirmando o nosso ponto de vista de que o aumento das passagens é uma prática corriqueira e inerente ao aparato estatal. Ao longo do curso da marcha varixs participantes foram se aproximando de nós e foi muito válido sentirmos essa afinidade com outros indivíduos. Mas o nosso próprio bloco se dissolveu de certa forma, ou foi engolido pela maioria, mesmo que sem perceber. Então aqui compartilhamos esta reflexão e sugerimos que um bloco autônomo só irá assim ser efetivamente se não se deixar desaparecer no meio de uma manifestação consistida por organizações não autônomas.

Pensamos que o movimento Passe Livre inteiro tem que ser autônomo, livre de influências partidárias! São as pessoas que são desfavorecidas, não os partidos e movimentos interesseiros, e por isso a luta não pode ser cooptada e utilizada como instrumento de ascensão destes.

É importante também, que percebamos o aumento da passagem não como um fato isolado, mas como uma parte das conexões das injustiças sociais. É esperado que um movimento, grupo ou classe tome uma posição específica, uma posição com relação a uma injustiça social cometida a este movimento/grupo/classe. Mas só contextualizando e conectando todas as injustiças é que se terá uma atitude coerente de não contribuir com outras injustiças em outros setores.

Que o Passe Livre não seja um movimento de um grupo apenas, que seja para todxs que do passe livre precisem!

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Relato – 1ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

A 1ª Feira do Livro Anarquista de PoA tava demais! Mesmo! muitas pessoas circularam e demonstraram seu interesse e algumas inclusive vieram de lugares distantes, como do interior do estado, do uruguai, de santa catarina, em fim!

Foram 3 dias de muitos livros, zines, trocas de ideias, experiências, relatos, sugestões, música e novas amizades! Tudo isso acompanhado sempre de muita comida! Além dos bate-papos rolaram as oficinas de stencil e de costura de livros com varixs interessadxs!

Os bate-papos estavam sempre com a sala cheia e com as mentes em turbilhões de idéias e percebeu-se uma vontade muito grande de todxs em interagir, propor, contribuir.

Valeu a todxs que participaram e fizeram da Feira uma realidade.

Conseguimos tirar algumas fotos, não tantas quanto agora vemos que poderíamos ter tirado, mas isso significa também que a intensidade de como aconteceram as coisas foi grande e o tempo para fotos foi menor.

http://www.flickr.com/photos/acaoantisexista/sets/72157625369610088/

os zines Nem Escravas Nem Musas #2 e Reagindo – auto defesa para mulheres de todas as idades também estavam presentes na feira. E agora estão disponíveis para download aqui na página, já prontos para impressão! E quem tiver interesse, adoraríamos trocar materiais, nos escreva e vemos uma forma de mandar esses e outros materiais via correio!

A 1ª Feira do Livro Anarquista de PoA tava demais! Mesmo! muitas pessoas circularam e demonstraram seu interesse e algumas inclusive vieram de lugares distantes, como do interior do estado, do uruguai, de santa catarina, em fim!

Foram 3 dias de muitos livros, zines, trocas de ideias, experiências, relatos, sugestões, música e novas amizades! Tudo isso acompanhado sempre de muita comida! Além dos bate-papos rolaram as oficinas de stencil e de costura de livros com varixs interessadxs!

Os bate-papos estavam sempre com a sala cheia e com as mentes em turbilhões de idéias e percebeu-se uma vontade muito grande de todxs em de interagir, propor, contribuir.

Valeu a todxs que participaram e fizeram da Feira uma realidade.

Conseguimos tirar algumas fotos, não tantas quanto agora vemos que poderíamos ter tirado, mas isso significa também que a intensidade de como aconteceram as coisas foi grande e o tempo para fotos foi menor.

http://www.flickr.com/photos/acaoantisexista/sets/72157625369610088/

os zines Nem Escravas Nem Musas #2 e Reagindo – auto defesa para mulheres de todas as idades também estavam presentes na feira. E agora estão disponíveis para download aqui na página, já prontos para impressão! E quem tiver interesse, adoraríamos trocar materiais, nos escreva e vemos uma forma de mandar os materiais via correio!

Ações de Agosto e Inicio de Setembro

Nas últimas semanas aconteceram algumas atividades que gostariamos de dividir com todxs que acompanham o blog. Têm sido semanas corridas, e as vezes é dificil sincronizar as ações na vida real com as atualizações aqui do site, entao as atividades vão se acumulando….

O fim de agosto foi bastante movimentado. No dia 21 aconteceu o lançamento da OUTRA CAMPANHA, uma proposta inspirada na La Otra Campaña dxs companheirxs Zapatistas,  construindo e celebrando uma nova politica, combativa e horizontal, em oposição ao circo eleitoral porque nossas urgências não cabem nas urnas! A atividade também lembrou o 1º ano do assassinato de Elton Brum pela brigada militar. Na última sexta do mês, dia 27 rolou a Massa Critica, apesar da forte chuva.

Sábado, dia 28 participamos do 1º Caracol Libertário, que juntou diversos grupos para discutir temas ligados a teoria e prática anarquista. Rolaram papos sobre as anarquistas Louise Michel e Juana Buela,  sobre as correntes anarquistas e o especifismo, sobre capoeira, uma perspectiva revolucionária do movimento socioambiental, exibição de filmes… Nosso coletivo puxou uma conversa sobre a relação entre anarquismo e feminismo, tentando trazer a tona essa conexão intrinsica entre o poder do estado e o poder patriarcal; o poder do patrão, o poder do marido, o poder do pai.  Distribuímos um pequeno texto a fim de acender o debate e não concentrarmos tanto a palavra. Por coincidência todas as conversas sobre feminismo, protagonismo da mulher e antisexismo ficaram para o período da tarde, então houve uma continuidade no debate sobre essa temática, mesmo assim sentimos que o tema segue sendo muito polêmico e velhos preconceitos ainda estão muito vivos…  xs feministas continuam sendo acusadxs de ‘dividirem’ o movimento e pra muitxs as demandas feministas ainda devem ser mantidas em segundo plano e em muitos momentos nos sentimos atacadxs e desvalidadxs. Entendemos que o tema é especialmente polêmico por visibilizar as estruturas de poder e de privilégios presentes em todxs nós – até mesmo entre anarquistas.  Mesmo assim surgiram muitas questões importantes, e foi muito bom ver muitxs se solidarizando com as idéias anarcafeministas.

No dia 29 de Agosto é celebrado o DIA NACIONAL DA VISIBILIDADE LÉSBIKA e aqui em Porto Alegre aconteceu a 4ª Marcha Lésbika. Pelo segundo ano consecutivo organizou-se um bloco autonômo que reuniu o Coletivo Mentes Plurais, As Mulheres Rebeldes, o Coletivo Corpos em Revolta, e nós do AçãoAntisexista, que participamos pela primeira vez.

O feriado de 7 de setembro parecia seguir normalmente: os militares marchavam, o público aplaudia, e xs descontentes faziam uma passeata passiva, há uma distância segura, invisiveis. Tem sido assim há alguns anos, mas nesse ano um outro elemento foi adicionado. Participamos com o pessoal da ResistênciaPopular, Levanta Favela, Mulheres Livres, coletivos antimanicomiais…. começando nossa caminhada na borges, um pouco atrás do [fraco] Grito dos Excluídos, mas logo mudando a rota e nos aproximando ao máximo do “desfile militar”. Rapidamente a Tropa de Choque formou um cordão de isolamento nos mantendo distantes,nos intimidando com armas não letais e letais. ali o pessoal do Levanta Favela apresentou uma esquete sobre a tortura durante a ditadura e hoje, provocando e chamando a atenção das pessoas que estavam por perto. Caminhamos um pouco mais em diversas direções e a esquete foi encenada em diferentes pontos ao longo da parada militar, sempre sob vigilância policial.

Agora estamos envolvidxs com a organização da 1ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, marcada para outubro, logo logo estaremos divulgando. Também em outubro vamos participar do MorroStock, vão rolar feiras de materiais independentes, um painel sobre midia alternativa com a participação da rádio livre Antena Negra e vamos tocar com a ferida no dia 15.

Ato Contra as Declarações do Arcebispo de Porto Alegre

Na ultima quinta-feira, 19 de maio, Brasilia viveu a 1ª Marcha Nacional Contra a Homofobia que veio exigir a garantia de um Estado laico e livre do radicalismo religioso e a criminalização da homofobia através da PLC 122, entre outras demandas. Simultaneamente, em Porto Alegre um ato com cerca de 70 pessoas declarou repudio às declarações homofóbicas do Arcebispo da cidade Dom Dadeus Grings.

Dom Dadeus relacionou homossexualidade à pedofilia em seu discurso na abertura da assembléia da CNBB, no inicio deste mês. Na sua mente perturbada: “A sociedade atual é pedófila, esse é o problema. Então, facilmente as pessoas caem nisso.” e “quando começa a (dizer) que eles [xs homossexuais] têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos”.

Ele vai além; em falas anteriores, culpou o ingresso das mulheres no mercado de trabalho pelo desemprego mundial, inventou uma “conspiração judaica” que detém o poder sobre a mídia para então criar a imagem de vitima associada aos judeus no holocausto. Dom Dadeus chega ao cumulo de declarar que morreram apenas 1 milhão de judeus durante o regime de exterminio instaurado pelos nazistas, contrariando a versão oficial de que teriam perdido a vida cerca de 6 milhões de judeus.

Importante é ressaltar que essas declarações não representam uma anomalia dentro do pensamento católico, sequer sua face mais extremada: Dom Dadeus faz parte da ala moderada da igreja no Brasil. Suas opiniões e posicionamentos denotam o racismo, a homofobia e o machismo atados à historia que o catolicismo construiu. A queima das mulheres, a inquisição, os massacres dos povos originários, a catequisação e revisão da história promovida pelos jesuitas, entre outros não são de forma alguma fatos isolados na história da igreja.

nem igrejas, nem estados…
nem padre, nem pátria…

fotos da mani pelas compas Mulheres Rebeldes