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Homens Abusivos Que Usam do Feminismo Para Conseguirem Imunidade

Alguns homens se beneficiam ao usarem do feminismo para conseguirem imunidade. São homens que não diferente de outros abusam de mulheres, porém descobriram que “apoiando” o feminismo eles nunca serão descobertos nem cobrados. São homens que lançam textos sobre feminismo ou discursam feminismo mas nunca tiveram nem de perto a tentativa de se retratarem com as mulheres que eles abusaram. Isso nos mostra que ele não está interessado em praticar o discurso, nem apoiar as mulheres, mas se livrar da culpa. O que só mostra seu grau de manipulação, só confirma o quanto foi abusivo. Só comprova que ele continua sendo abusivo ao seguir passando por cima dos sentimentos e da realidade das mulheres que ele abusou, sem nenhum escrúpulo. Ora, se esse homem se dá ao trabalho de ler textos sobre abuso e distribuí-los ou discursar sobre feminismo, significa que ele tem acesso para entender a questão. Mas muito pelo contrário, ao invés de procurar entender o que é de fato abuso, ele escolhe continuar sendo um homem manipulativo, logo, abusivo. Ele continua desta forma que escolheu – de fingir que nada aconteceu e ainda adentrar no feminismo como cooperador – a causar danos no psicológico da mulher que ele abusou, pois além de ter sido abusada, ela agora tem que lidar com o total apagamento dos abusos que sofreu, e ainda vê-lo procurando ser reconhecido como apoiador da luta das mulheres. Mais uma vez o patriarcado exige apenas dela que resolva sozinha os seus traumas. Mais uma vez ela tem que achar forças para enfrentar uma nova batalha.

O comportamento manipulativo e narcisista de seu abusador tá sempre lá presente ao alcance deste para que possa se beneficiar, para conseguir algo em troca, para conseguir o que ele deseja e só o que ele deseja (característica do seu narcisismo), e para que se mantenha na mesma posição social que tinha antes de cometer os abusos.

Algumas pessoas vão dizer que bastava então as mulheres abusadas por esses homens fazerem denúncias. Bastava mesmo? Elas por acaso não as fazem? Quantas mulheres denunciam seus abusadores e são tachadas de exageradas, vingativas, rancorosas e mentirosas? Quantas mulheres depois dos abusos que sofreram ainda tem que lidar com estar constantemente tendo que provar para todo mundo que o que lhes aconteceu é verdade? Quantas mulheres ficam estigmatizadas e são ostracizadas por denunciarem abuso enquanto seus abusadores não só se safam mas recebem solidariedade da comunidade? Quantas vezes a mulher mesmo que não faça uma denúncia numa escala pública, aberta, fala sim para amigos mais próximos ou em comum com seu abusador e tem que ver o mesmo continuando receber o mesmo tratamento sem nenhuma ressalva por parte de nenhuma dessas pessoas? Nem todas as mulheres estão também dispostas a se exporem, principalmente porque sabem que não serão apoiadas.
E por que a responsabilidade disso tudo fica com a vítima do abuso?
O que a sociedade está querendo nos dizer?

A obrigação não está na mulher em fazer a denúncia, mas deveria estar nos homens não cometerem abusos e se cometerem se responsabilizarem por isso. Isso não é dizer que as mulheres não devem denunciar, de forma alguma, isso é tirar a responsabilidade exclusiva dos ombros das mulheres abusadas e também compreender as que não se sentem seguras para fazê-lo.

É muito comum homens que cometeram abusos preferirem enxergar que o que aconteceu foi uma questão pessoal, uma coisa entre homem e mulher, das “relações interpessoais”, e falham em compreender que o que aconteceu foi completamente fruto do patriarcado, que enquanto lhes beneficia, tem desfavoráveis consequências materiais e específicas às mulheres dentro deste mesmo sistema.

Mas esses mesmos homens (pasmem!) discursam também sobre a estrutura do patriarcado! Como se ele tivesse imunidade, como se ele não tivesse colaborado e não seguisse colaborando com essa estrutura. Então o homem abusador que defende que se deve meter a colher na violência contra a mulher, que demonstra ter consciência de que o pessoal é político, por quê ele de repente tenta a todo custo defender que o que ele fez foi meramente a nível humano, natural e pessoal, e procura agora separar o pessoal do político? Para esta eu tenho a resposta: por conveniência e covardia.

É conveniente oscilar entre o que é pessoal do que é político quando se trata de você mesmo. E é covardia desde quando ele se utilizou da manipulação, e segue incessantemente com o seu comportamento covarde. Eu acho é muito triste, não me dá nenhuma alegria escrever este texto nem recompensa. Mas está feita a denúncia. Esta é a minha denúncia, contra todos os homens que se safam dos abusos que cometem, saibam vocês que nós sabemos muito bem o que aconteceu. E se lhes resta um pingo de dignidade admitam que o que fizeram foi abusivo, lembrem do que acontecia durante o tempo que se relacionavam, lembrem das mentiras relevantes e graves, e igualmente das atitudes, que como consequência, só estendeu o prazo de validade da manipulação que se operava. lembrem dos impedimentos que criaram sejam nas escolhas que suas parceiras faziam, seja nas roupas que vocês criticavam ou no comportamento delas com o intuito de controlá-las. Lembrem de como vocês as usaram para prazer pessoal ou para outros fins quando ao mesmo tempo desconsideravam as necessidades ou dificuldades delas. lembrem daquele momento que vocês já sabiam o que tava acontecendo mas optaram por deixá-la no escuro e a enganaram até o fim, mas não vacilaram de forma alguma, de sugá-la até drená-la quase que completamente porque “sua companheira” estava ali para te servir e nutrir afinal das contas. Lembrem de que foram vocês que continuaram andando pelos mesmos espaços que tinham em comum enquanto ela teve que se retirar, e não esqueçam que muitas vezes esses espaços eram o ganha pão dela, e aqui vale lembrar que as mulheres tem menor poder econômico em comparação aos homens. Lembrem do que vocês faziam no foro íntimo, quando sua parceira estava dormindo. Porque elas não esqueceram, e ao contrário de vocês, elas se culpabilizam por “terem deixado chegar até aquele ponto”. O patriarcado é tão cruel que a culpa sempre fica com a mulher. Foi ela em fim que aguentou porque quis.

aline rodrigues

Chamado – Greve Geral de Mulheres – 8M 2017

O Patriarcado data de no mínimo cinco mil anos de diferença do capitalismo. O antecede.
Logo, com o fim do capitalismo não está garantida nossa libertação. Ela não se dará automaticamente.

Ao constatar isso eu entendi o que é ser feminista. Ser feminista é viver numa luta sem fim, porque ser mulher já é viver numa guerra. Mesmo que a gente não perceba, mesmo que a gente reproduza comportamentos que corroboram com o patriarcado, é exatamente isso que estaremos fazendo: contribuindo com o patriarcado a nos explorar e oprimir. Quando nós mulheres reproduzimos esses comportamentos nós não somos beneficiadas. As únicas pessoas beneficiadas serão os homens, mesmo os que negam o benefício, porque eles podem ser beneficiados mesmo que não queiram, assim que precisarem ou decidirem que tal momento se faz necessário que se utilizem do benefício.

Ser feminista acima de tudo é aprender a estar só. Uma feminista sempre vai invariavelmente estar só numa parte da sua vida ou por toda ela. Eu falo de só de verdade. Até que ela vai encontrar outras mulheres que estão igualmente sós e ela vai aprender o que é o amor entre mulheres, o que é valorizar uma amiga, dar abertura para uma desconhecida. Inevitavelmente esse agora grupo de mulheres vai se deparar constantemente com rechaço, vai ter que explicar o porquê de sua existência e importância, vai ter que se explicar em casa também. Inúmeras vezes você vai se ver entrando e saindo de grupos que não conseguem se manter porque existe muita pressão para que esses grupos acabem. A pressão pode se dar de forma direta ou indireta. Uma pressão direta é o grupo receber fortes críticas pela forma como atua, geralmente colocada por um grupo de homens ou outro grupo com outro interesse político, ou ainda, ser atacado. Uma pressão indireta vai se dar no âmbito privado, que vai dificultar seu engajamento com suas companheiras feministas. A pressão indireta também se subdivide, ela pode acontecer, por um familiar ou parceiro que pode questioná-la do porquê do envolvimento dela com o feminismo, como por um parceiro ciumento, abertamente ciumento, e o grau de pressão aqui vai se subdividir de novo entre os ciumentos mais brandos até os mais violentos. Já a outra forma de pressão indireta é aquela que não lhe dará tempo para que se engaje ou afetará o seu grau de engajamento porque ela cuida da filha, ou dos filhos, ou da mãe ou do pai, do avô, da sobrinha, da tia, ou dos afazeres domésticos, além de trabalhar ou de ter outras responsabilidades. A desistência ou falta de engajamento com o feminismo também se dá pelo medo de ser abandonada ou ostracizada.

Eu escrevo agora as duas e meia da madrugada depois que eu consegui cumprir com meus outros prazos. Essa não é uma informação relevante em si mesma não fosse pelo fato de ter percebido a uns momentos atrás que quase desisti de escrever porque eu to cansada.
Mas eu sei que eu to mais cansada de como o patriarcado afeta minha vida e de todas as mulheres. Eu to mais cansada de lutar diariamente desde que nasci. E também eu não desisti de escrever esse chamado, porque eu decidi lá bem atrás no meu caminho, que essa luta é uma responsabilidade minha, eu escolhi assim, dentro das minhas opções de escolha, que também não me parecem ser bem caracterizadas como escolha.

Eu amanhã, ou, hoje logo mais, estarei me encontrando com minhas amigas e com outras mulheres feministas ou não. Eu irei nesta ou naquela atividade. E eu estarei as 17h na Greve Internacional de Mulheres por todas essas razões que eu coloquei aqui.
Se isso é um erro para alguns, eu vou ter tentado.
Nenhuma pessoa ou entidade é dona da Greve ou sozinha a representa, se existe tentativa de cooptação por grupos, ela deve igualmente ser combatida.

Vem, vamos tentar juntas, mais uma vez e para todo sempre, até que alcancemos a vitória, mesmo que isso só aconteça quando já não estivermos mais aqui.

Aline Rodrigues

Violência Masculina – uma reflexão após mais um feminicídio

Quantas mulheres ainda precisam ser assassinadas pelos seus (ex) maridos, (ex) namorados, (ex) amantes ou mesmo pretendentes para que sejamos ouvidas e garantirmos nossa sobrevivência? O que precisa para que as denúncias de mulheres contra seus abusadores sejam tratadas com seriedade?

A misoginia mata. A misoginia é combustível para o feminicídio. Mas para o feminicídio ainda se encontram justificativas e culpabilização da vítima. As mulheres são incessantemente questionadas sobre onde foi que erraram, o que fizeram ou deixaram de fazer. As mulheres lutam sozinhas, cada uma na sua ilha, contra todo um sistema que ataca a sua integridade ao mesmo tempo que a responsabiliza pelas violências sofridas. Mas para que exista uma violência sofrida existe uma violência cometida. A vítima de feminicídio não pode ser seu próprio algoz. A violência dos homens contra as mulheres só pode se manter numa sociedade patriarcal, que gera a violência e se alimenta dela para seguir existindo. Essa é a verdade cruel do patriarcado. Para que os homens continuem com o domínio nas suas mãos é necessário que o bem-estar das mulheres seja ignorado ou negado.

A violência misógina pode se manifestar para qualquer mulher, mulher estranha, mulher próxima. O grau maior de intimidade não garante segurança às mulheres, pelo contrário, o risco de uma mulher sofrer violência é proporcional a proximidade dela com homens. Esta constatação causa desconforto, eu sei, porém esse desconforto não pode prevalecer a integridade das mulheres, não pode ser mais importante e urgente do que garantir às mulheres sua existência.

Negar isso acaba por contribuir em perpetuar o feminicídio, pois cria-se uma falsa realidade de que o âmbito doméstico ou privado é seguro e confortável (porque sim, deveria ser). Essa falsa realidade pode se refletir no próprio comportamento das mulheres, que acabam igualmente introduzindo pra si a ideia de que aquele comportamento agressivo do seu parceiro pode não ser tão perigoso assim. Porém é um verdadeiro conflito interior, porque quando uma mulher sofre algum tipo de violência no âmbito privado ela mais do que ninguém sente na pele sua sobrevivência ou bem-estar ameaçados. Ela sabe. Não a subestime. Porém estamos dizendo a ela que é um problema que ela tem que resolver sozinha, como se não fosse um problema político, como se não fosse consequência do sistema patriarcal e da misoginia inerente a ele. Como se fosse um problema pessoal, o que geralmente leva a crer que ela é o problema. Nestas circunstâncias as mulheres permanecem na situação de risco porque não encontram saída, seus receios e suas experiências são desprezados e elas não tem a quem recorrer se não a si mesmas, e torcer para que o pior desfecho seja uma coisa que só existe na página do jornal.

Isamara Filier não pode mais falar e muito provavelmente não foi ouvida enquanto viva. Não nos parece agora “à toa” que Isamara lutou para obter a guarda do filho e garantir que o feminicida Sidnei Ramis de Araújo se mantivesse distante. Ela lutou com o que pode, e mesmo assim não foi suficiente, porque a violência masculina está na estrutura patriarcal e não sofre restrições nem barreiras. E mesmo que agora nos pareça obvio dos seus motivos para manter o ex marido distante, existe apoio de uma parte da sociedade ao feminicida, o que nos mostra a verdadeira face do patriarcado – o desprezo e ódio pelas mulheres e consequentemente pelo nosso bem-estar.

O senso de direito de Sidnei Ramis de cometer seu crime foi tão grande que ele é ainda o único que pode ser ouvido através da carta que deixou. Ele matou Isamara, o filho e outras dez pessoas, na maioria mulheres, sem lhes dar nenhuma chance de reagir e lhes calando para todo sempre.

Na luta pela libertação das mulheres é nossa responsabilidade não deixar as mulheres lutando sozinhas pela sua sobrevivência e bem-estar. Nós tampouco devemos culpabilizar as mulheres por se relacionarem com homens. A culpabilização das mulheres pelas violências que sofrem sempre foi e continua sendo uma poderosa ferramenta para justificar e desculpar a violência masculina.

aline rod.

Resistência Feminista – um breve “insight”

Uma sensação indescritível acontece quando ao observar uma mulher você gosta dela pelas mesmas razões que você a criticaria antes na sua vida. Quando você percebe que essa sensação acontece com você, é porque você conseguiu curar várias mazelas que foram bombardeadas e introduzidas de formas extremamente opressivas e mal intencionadas durante toda a sua vida. E você sente um gostinho de vitória ao confrontar todas expectativas dos manipuladores, que fizeram de tudo para te manter domesticada em benefício deles. Não conseguiram.

matrix.

aline rod.

Esperança nas Mulheres

Primeiro me trataram diferente.
Eu segui com a esperança que só é possível uma criança ter.

Depois foram trabalhando em minar minha autoestima.
Eu segui com a confiança abalada mas segui.

Logo mais percebi que minha segurança e integridade estavam em risco.
Eu segui desconfiada e mudei minha percepção das coisas mas segui.

Então sofri o primeiro abuso. O segundo e os que mais se sucederam. A violência e a humilhação que as mulheres sofrem por terem nascido mulheres. Porque existe uma cultura de ódio às mulheres. E eu segui já com meu coração apertado e meu sono interrompido.

Em constante estado de alerta.

Minha esperança mudou de parâmetro, já não era mais na humanidade, minha esperança passou de acreditar nas pessoas para lutar pelas mulheres. Na esperança de que um dia nos libertaremos.

Então passaram a me dizer que eu estava muito focada no “meu problema”. Mas não é “um problema”. Nem meu. O nome disso não é “problema”, é patriarcado – dominação exercida pelos homens – que oprime e explora as mulheres. A dominação masculina beneficia apenas os homens. Quer eles queiram, quer não.

Apesar de que deste homem que não quer, que acredita não querer, não nos é possível saber realmente o quanto ele não quer o benefício. Porque ele fala de um ponto de vista onde lhe é tudo garantido.

aline rod.

Uma Visão Sobre a Política Queer – em inglês

A Point About Genderqueer Politics

When I first started playing and writing lyrics it was because I had all this idea of getting out from my chest the oppression of patriarchy. Of course I loved music, it was not only gloom. But I thought that all the pain could be transformed into something ‘useful’. Events that I had been passed through affected my life in a way that to scream and say were a way of surviving.

I wanted to fight sexism and misogyny and I thought that in the punk scene I would find a place of support and identification.

Some feminists who are not punks say that I should leave it. But I don’t want to leave it. At least not yet. I just don’t want to stop doing something that means to me, that it’s part of my life (playing and writing) just because people involved also reproduce sexism. In every place, every job, every school, every community, every kind of entertainment, you will always find sexism and misogyny. We can’t just stop living, and leaving spaces in order to make room for others, to make them feel comfortable without our presence, without our fight.

I have been passed through many situations in and out of the punk scene that makes me keep struggling. But I don’t want to talk about that now.

I just want to point that to fight sexism and misogyny in the punk scene is restless, just like it is in our daily basis. I have always been in the brink of war. In the war. For all the reasons – discrimination, jokes, abuse, fear, threat. For some time now something “new” happened. Not to ease our fight, not to be by our side. But to add more effort to our fight. It is the genderqueer views of feminism.

One of these days, a gender fluid man told me that he doesn’t believe in “biological stuff”. I asked what do you mean by that? He said, I for myself like to wear women’s clothes. That could be fine for me (could be) because first I “don’t believe” in “women’s clothes”, isn’t that a convention? I asked why was that, and what it has to do with “biological stuff”? He answered that sentence I was sensing it was coming up: “because I feel like a woman” but he added “sometimes”. Than I just made a simple question: yeah, and how does it feel to “feel like” a woman, please tell me because I actually wasn’t born with that feeling, you know, I was forced to be a woman”. It’s pretty senseless and a very shallow view to say that “you don’t believe in “biological stuff” and say that there is such a thing as “feeling like a woman”. This is as inconsistent as it can get. Like you are saying that there is a feminine brain? Isn’t that biological? Make your decision please to believe or not in “biological stuff”. Are you saying you don’t like gender roles but believe you are in the “feminine side” because you like lipsticks and skirts? Do you actually believe that being a woman means a certain costume to wear? Or even to be feminine? Don’t you really know that we are groomed to be feminine, there is nothing natural on that. And “natural” isn’t biological?

What I see is men thinking they are subverting a convention when in fact they are stressing the gender stereotypes when they say “I like skirts that must make me a woman”. Or all the other stuff we have been listening like “I always liked dolls”, “I was always very sensitive” and so on.

I know that convention exists and the need of people to be part of conventions. I know people have dysphoria. But that is another thing. Even so, we should question why people feel so bad in their bodies, and try to find the roots of their deep discomfort. And it’s not them who should be questioned, but society.

But I also can tell that in the punk scene, and also in the anarchist scene, when you ask directly to these men, are you a woman? They never answer yes. The majority of them say, I’m nonbinary. It’s like they themselves don’t even believe in what they are saying. It’s also a very good strategy to have a possibility to change your mind when it’s convenient. When the time of convenience comes.

And than he and another friend started asking me a lot of questions in a very male socialized way of asking. Very aggressive, very putting me against the wall. I felt more than pressured. I felt what men eventually make us feel: I felt hurt.

They were two men, none of them were reclaiming they were women just for the record. So they were telling me now how I should think and feel. How my feminism “is wrong” and how it “should be”, that I should “respect” people’s choices when they want to be treated like a woman (one of them told me that). First. “people” here means “men” right? Second. You really want to be treated like a woman? Do you want to see your brother have more respect even if you are the elder one since forever? So the hierarchy of age here it was suddenly forgotten. Do you want to be seen as object for your classmates and feel very uncomfortable when they touch you? When your best friend’s father touches you and you are not able to understand what have happened but you sense you have to be in silence, because although you know nothing about it you know for some reason it will be considered your fault? Do you want to go to the gynecologist when you are a teenager and the male doctor abuses you, because “why are you in his office in the first place?” Do you want to keep being abused for male doctors along your life? Do you want to be abused for many men because it’s ok to have sex, and it’s subversive, and they just keep hurting your feelings? Do you want to see your self esteem drowning because you were supposed to be thin, or to have the right curves? Do you want to be forced to get pregnant? I’ll ask again: Do you want to be forced to get pregnant? And forced to get pregnant again? Do you want to have no idea if you want to get pregnant or if it is just pressure of someone else’s expectations or because it’s just another form he can control you even more? Do you want to raise your children alone? Do you want to have no rights and support when deciding to make an abortion? Do you want to walk always in fear???? Do you really want to walk always in fear???

Do you want to be the one chosen to be raped because you are a woman in a group? Do you really want to be the favorite target of rape? And tortured? And killed? Do you want to get less money for the same job you do now? Do you want to have prostitution and pornography as the only “opportunity” for you? Would you rather being not here having this conversation because you couldn’t even be treated further like a woman as they killed you when your were born? Do you want to have been a victim of FMG? What does it mean for you to be treated like a woman? That somebody opens the f***ing door to relieve their consciousness? Or when someone acts nicely because he wants a “favor” in exchange?

And than they told me. You should explain yourself because you seem to be transphobic.

Should I really?

Shouldn’t you try listening to me? Shouldn’t you step back? Shouldn’t you stop telling us how we have to fight against the oppression that is inflicted to us and affects our entire lives in every level? Shouldn’t you better check your position? Shouldn’t you be telling other men what they should or shouldn’t do in order to stop women exploitation as you say you care?

I think you should.

aline rod.

Vítima ou Sobrevivente?

 

Somos todas vítimas do patriarcado porque é um sistema de opressão e exploração. Somos todas sobreviventes pelas mesmas razões.

Quando eu vejo as pessoas dizendo que as mulheres não devem “agir como vítimas” eu sinto duas coisas. Uma, que eu preferiria que as mulheres saíssem psicologicamente do estado de depressão. Porém não tem como não pensar que este estado de depressão é fruto de uma situação real que não foi inventada. A outra, é que eu não consigo deixar de pensar que quando alguém diz que as mulheres não devem “se fazer de vítimas” que existe por trás disso uma culpabilização das mulheres. Como se elas se sentissem vítimas sem o serem. O que não é possível.

Quando uma mulher é estuprada ela não está se vitimizando, ela está sendo vítima de um estuprador.

Quando uma mulher faz uma denúncia de estupro, ela não está se vitimizando ela está lutando contra a cultura do estupro, ela está alertando outras mulheres, ela está no seu processo de cura da qual só ela pode escolher como se sente – se uma vítima ou uma sobrevivente.

Quando uma mulher chora ao lembrar do abuso que sofreu ela não está se vitimizando. Ela está realmente?

Quando uma mulher não consegue reagir, ela não está se vitimizando! Ela está lutando pela sua sobrevivência.

Uma coisa é nós querermos promover força e resistência para nós mulheres, é querermos desenvolver uma elevação na nossa autoestima tão atacada a todo instante. Uma coisa é querermos promover um aumento na nossa moral, respirar em meio ao nosso abalo emocional. Mas outra coisa diferente é acharmos que só o termo sobrevivente é válido. O termo sobrevivente muitas vezes vem com o discurso do empoderamento. Porém o empoderamento em si é um conceito questionável, visto que se empoderar não é ter poder. Só se empodera quem não tem poder, quem tem poder não se empodera, mas exerce poder. Existe uma grande confusão quanto ao se sentir empoderada como se fosse uma solução. Mais uma das tantas falas do discurso liberal, mais voltado para a indivídua, o que ela toma como ‘empoderador’ independente de que faça uma mudança material na sua vida. Obviamente que a atitude que uma mulher exerce na sua vida traz mudanças materiais, o que estou querendo dizer é que nem sempre uma ‘atitude’ vai lhe garantir o tratamento que você merece. Se fosse assim, bastava a gente dizer que tal coisa nunca vai acontecer para esta coisa nunca acontecer, bastava estar com a atitude ‘certa’. É um discurso perigoso porque fala em termos de mérito e culpabiliza quem não é bem sucedida.

Eu não estou aqui ‘reivindicando’ o termo vítima como se eu achasse uma coisa maravilhosa alguma mulher se sentir vítima. To questionando o que tem me incomodado. E tem me incomodado faz tempo ver as pessoas substituírem a palavra vítima por sobrevivente como se fosse uma ordem, como se fosse uma falha se compreender como vítima. E principalmente para criticar uma mulher que se sente vítima depois de ter sido uma vítima. Por mais que seja melhor para ela ‘levantar a cabeça’, essa resolução não pode vir como uma regra que ela deve seguir. Além do que é bem possível que se autodenominar vítima ou sobrevivente seja parte de ciclos que podem se intercalarem, uma mulher bem pode se dizer vítima e sobrevivente dependendo do ponto de vista que ela enxergar.

Para ser bem sincera eu comecei a pensar sobre essa questão quando eu de cara pensei nas mulheres que não sobreviveram. Eu sempre penso nelas, eu sempre penso nas mulheres que não conseguiram, nas que foram assassinadas.

Se escolhemos dizer que não somos vítimas mas sobreviventes não estaríamos automaticamente chamando as mulheres mortas de as únicas vítimas e com isso lhes tirando ‘o poder’ do qual parece que só nós as sobreviventes teríamos? Não estaríamos com isso sendo meritocratas? Não estaríamos passando por cima dos túmulos dessas mulheres? Não estaríamos silenciando-as ainda mais? E isso por acaso não dá ainda mais poder ao assassino? Pois saibam que as mulheres morrem bravamente, que lutam pela sua sobrevivência, mesmo as que não a alcançam.

Eu totalmente entendo o valor de se sentir uma sobrevivente.

Mas os estupradores não estão violentando as mulheres para que elas se sintam empoderadas.

As vítimas sabem melhor do que ninguém que elas são também sobreviventes, mesmo que elas não usem o termo para si. Porque elas podem, se assim quiserem, te contar o que lhes aconteceu.

aline rod.

Certeza Inabalável

Nós mulheres estamos sobrevivendo desde que nascemos. São muitas herstórias que temos para contar, são muitos horrores pelos quais passamos mas ao contrário do que esperam, estamos aqui, lutando. Apesar de todas as tentativas de minarem com nossa autoestima, quando não com nossa vida, estamos aqui. E sabem porquê estamos aqui? Porque não temos outra escolha. Porque estamos aqui também pelas que não sobreviveram e pelas que virão. Nós sabemos o que queremos mas temos que constantemente descobrir e desbravar novos caminhos porque não nos deram nada mastigado, pelo contrário, escondem nossos feitos. Desde nossas antepassadas há lições que foram manipuladas para que não chegassem até nós. As tentativas de apagarem nossos conhecimentos e feitos são estratégias para impedir de sentirmos identificação, de nos reconhecermos como classe, isolando cada uma de nós, nos afastando umas das outras. Concomitantemente, a competição entre mulheres é motivada para que o isolamento seja ainda mais efetivo e para que seja desviada da nossa atenção o que realmente nos oprime, mantendo o caminho livre para mais exploração. São tentativas para impedir de nos organizarmos, sempre nos mantendo neste ciclo de voltar um passo atrás do que já foi previamente alcançado. Quando o conhecimento é destruído ou manipulado, nós mulheres temos que recomeçar de onde este foi “parado”. Vários desses “novos” caminhos que desbravamos já foram trilhados por outras mulheres anteriormente. Por isso é muito importante que nossos conhecimentos e descobertas sejam devidamente valorizados e repassados.

A exploração também vai se transformando e sim, também temos que lidar com novas formas de opressão. E por isso também qualquer mulher está sempre lidando com sobreviver a algo profundamente solidificado por ser antigo e estabelecido, e com sobreviver a um golpe novo, que requer urgência de atenção para que consigamos responder para evitarmos que o estrago seja ainda maior.

Enquanto estamos resistindo e lutando, existem forças contrárias bem mais institucionalizadas, que detêm poder. O que significa duplicar, triplicar nossos esforços para nos mantermos respirando e para construirmos uma realidade menos inóspita para nós e para as que estão por vir.

Por isso dizemos que toda mulher é uma sobrevivente. É contra toda essa guerra não declarada mas bem estabelecida que temos que nos sustentar psicológica, física e materialmente.

Nossa luta só pode ser feita por nós mesmas, ninguém nos libertará e ninguém além de nós pode realmente se sentir no direito para dizer como devemos agir. Sabemos bem que as tentativas de nos colocarem constantemente em cheque são parte do esquema para nos manterem colonizadas, para que a subjugação se mantenha naturalizada. Como se não tivéssemos saída. Pois a nossa saída é a libertação. E quando percebemos isso nossa certeza é inabalável. A certeza de que nossa libertação é a nossa única saída é uma certeza inabalável.

E isso é temido, e por isso nossa realidade é seguir sobrevivendo em meio a subjugação manifestada

em formas ardis com seus subterfúgios e nas mais brutais e explícitas.

As tentativas de moldar o feminismo para que acate as necessidades de outros grupos compõe de estratégia egoísta e é uma das mais efetivas para dissiparem nossos esforços. E também para nos dividirem.Uma coisa é solidariedade, outra coisa é exigirem que modifiquemos princípios e mecanismos de luta vitais para nós. E que conquistas quase alcançadas sejam revertidas ao ponto de nos colocar na estaca zero. É como se nós mulheres sempre pudéssemos ser um pouco mais exploradas, um pouco mais desprezadas, como se já não o fôssemos o bastante. Sabendo que nós mulheres fomos educadas a nutrir, não apenas esperam, mas exigem que passemos a encaixar na nossa luta necessidades que não são nossas sob ameaça de sermos ainda mais ostracizadas e recusadas. Mas nós aprendemos desde cedo a sermos recusadas, a termos o acesso negado. Sabemos lidar com o “nos ser negado”, pois nos ensinam logo no início sobre o que não é de nosso direito. Nos ensinam quais lugares podemos ir e quais não poderemos, quais comportamentos teremos que ter e quais seremos castigadas ou marginalizadas se os tivermos. Por isso, por termos sido acostumadas com imposição de limites específicos a nós, é que desenvolvemos determinadas habilidades, um tipo de inteligência desenvolvida para sobreviver.

O Feminismo é nossa luta preciosa, necessária e por sobrevivência. A Libertação é o nosso objetivo. Para todas.

Aline rod.

08 de março 2016

Mulheres são parte da piada para a banda francesa ‘Attentat Fanfare!’

No dia 12 de janeiro passado, eu vi o show da banda francesa Atenttat Fanfare, no VL na cidade de Halle na Alemanha. O VL é uma hausprojekt, uma casa onde acontecem gigs, oficinas, encontros de grupos de esquerda e também é uma comunidade onde moram várias pessoas. Em seus princípios estão o anti racismo, o anti sexismo, a anti homofobia e a luta contra o anti semitismo.

Eu não fui propriamente para o show, mas estava na casa e acabei ficando. A banda subiu no palco. Os integrantes estavam todos fantasiados, exceto pela mulher que toca acordeon. O vocalista estava de pijamas e pantufas, e os outros integrantes vestiam outras fantasias ou acessórios ‘engraçados’. um deles estava ‘fantasiado’ de mulher. Não pude deixar de pensar que a piada era muito ruim.

Os homens sempre acham uma grande sacada se vestirem de mulher para serem engraçados e debochados. É misógino querer fazer graça com vestimentas associadas às mulheres. Enquanto para os homens pode ser uma brincadeira usar salto alto, maquiagem, etc, para a mulher é como o patriarcado nos força à feminilidade e estabelece como padrões de beleza que nos oprimem.

Apesar de eu ter críticas a esta e outras características da banda não foram estas as razões para eu escrever.

Faço aqui um relato do que se sucedeu durante o show.

No meio do show entre uma música e outra, o vocalista parou para anunciar a próxima música e começou dizendo: “eu estive no Rio no Brasil e lá as mulheres tem grandes ‘tetas’ e bundas incríveis.” E juntamente gesticulava desenhando seios e bundas grandes no ar com as mãos enquanto arregalava os olhos. Eu realmente não acreditei no ponto que chegara. Já estava bastante intragável aquela banda, mas este foi o dado mais concreto e sem nenhuma sombra de dúvida do que estava acontecendo ali. Esta frase só tem a seguinte leitura: misoginia e racismo. Falar das mulheres daquele jeito. Se referir daquela forma às mulheres brasileiras, de um país que muito provavelmente ele nunca tenha pisado, mas que se pisou também não melhora em nada.

Com esta atitude, ele mostrou sem nenhum constrangimento o seu privilégio como homem e como europeu. Ele achou muito engraçado utilizar do estereótipo que se têm – e que também se vende – da mulher brasileira. Ele não está nem aí para o que isso representa. O quanto as mulheres no Brasil são exploradas por exemplo pelo turismo sexual, que seus compatriotas, outros europeus e homens de outros países mais ricos fazem.

Ele simplesmente não sofre com a objetificação do seu corpo, ao contrário de nós mulheres que temos nossos corpos controlados pelo patriarcado e suas leis, onde nossos corpos são objetificados e vendidos em rótulos de cerveja, objetificados e violados inclusive por homens que confiamos. Onde os padrões de beleza nos oprimem e levam muitas mulheres a uma busca incansável e infrutífera pelo corpo perfeito do qual o capitalismo (além do patriarcado) se alimenta. Padrões estes que levam às mulheres, incluindo meninas muito novas, a depressão, anorexia, bulimia e outros transtornos que por si só já são muito sérios, mas que ainda podem levar à morte. Ele se coloca do degrau da misoginia, do privilégio de macho eurocentrado e racista. Ele se apresenta desta forma mesmo num local de reputação libertária e política. Porque os homens se sentem no direito de serem machistas e se beneficiam disso.

Eu reagi gritando contra o vocalista em meio ao som alto as seguintes frases: “you have no right to say what Brazilian women are! you sexist! you racist!”

Ele respondeu dizendo: “maybe I’m too drunk”.

O público seguiu dançando e eles continuaram tocando tranquilamente. E eu me retirei da sala.

Eu não quero com isso culpabilizar as pessoas que ali se encontravam pela falta de reação. Estou me atendo aos fatos, porque estes dizem bastante sobre como aconteceu e como eu me senti. E entendo que principalmente mulheres podem não se sentirem seguras para reagir. Acredito também que algumas pessoas “não viram”, não perceberam. Porém também não deixo de notar que parte deste “não ver” é por conta de que a luta contra a misoginia e o machismo não são consideradas causas legitimas. A luta das mulheres é luta de segunda ordem, para não dizer de terceira ou quinta muitas vezes na escala de hierarquia de lutas. Esta falta de reação me surpreendeu bastante neste contexto específico, diz muito sobre como patriarcado funciona e que é também dominante na cena de esquerda.

Eu posso dizer que eu notei. Eu fui atingida, nós todas as mulheres fomos atingidas pela atitude do vocalista,e por isso faço esta denúncia.

Gostaria de dizer que não sou patriota, não estava defendendo o “meu país”. Isso foi apenas coincidência, teria reagido contra ele da mesma forma se ele estivesse falando de qualquer mulher de qualquer outro lugar do planeta. O que ele fez é culpabilizar as mulheres por serem exploradas. Porque ele não falou dos homens que as exploram, das indústrias que as exploram, do sistema patriarcal. Ele estava objetificando e também debochando das mulheres que ele vê serem retratadas na mídia como enfeites de carnaval.

Porém a ofensa foi a todas as mulheres que ali estavam, quer as pessoas percebam isso ou não. E isso é misoginia.

Dizer que é “só uma piada” não é um bom argumento de defesa. Deu para perceber isso. Não melhora em absolutamente nada, apenas confirma o grau de misoginia e desrespeito pelas mulheres ao tratá-las como objeto também de chacota.

Machistas não passarão!

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Este relato está escrito já fazem uns dias e gostaria de informar que só está sendo publicado depois de eu ter colocado no offenes plenum da casa, que é uma reunião aberta à qualquer pessoa interessada em saber como a casa funciona, sugerir propostas e debater problemas como este. A casa se mostrou solidária e foi tirado nesta reunião que apoiariam minha iniciativa de relatar o ocorrido. As pessoas da casa também me falaram para avisá-las de qualquer situação sexista que ocorrer dentro dela porque não intencionam tolerar.

enilador

 

————————————————-  atualizado no dia 12.03.15

Uma Ladainha Pela Sobrevivência – Audre Lorde

 “…Para aquelas de nós
que foram marcadas pelo medo
como uma linha tênue no meio de nossas testas
aprendendo a ter medo com o leite de nossas mães
pois por essa arma
essa ilusão de alguma segurança vindoura
os marchantes esperavam nos calar
Pra todas nós
este instante e esta glória
Não esperavam que sobrevivêssemos

E quando o sol nasce nós temos medo
ele pode não durar
quando o sol se põe nós temos medo
ele pode não nascer pela manhã
quando estamos de barriga cheia nós temos medo
de indigestão
quando nossos estômagos estão vazios nós temos medo
nós podemos nunca mais comer novamente
quando somos amadas nós temos medo
o amor vai acabar
quando estamos sozinhas nós temos medo
o amor nunca vai voltar
e quando falamos nós temos medo
nossas palavras não serão ouvidas
nem bem-vindas
mas quando estamos em silêncio
nós ainda temos medo

Então é melhor falar
tendo em mente que
não esperavam que sobrevivêssemos.”

Audre Lorde