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Azul para meninos e rosa para meninas é ser pró gênero

A ministra Damares Alves deu uma declaração gravada em vídeo afirmando que “o país vive uma nova era”, e “menino veste azul e menina veste rosa”.

Realmente estamos vivendo tempos muito obscuros. Como era de se esperar, a declaração foi veementemente criticada e as redes sociais foram inundadas com memes, fotos de homens de rosa e mulheres de azul, e textos de todos os tipos para se opor à declaração tão retrógrada. E então me parece pertinente lembrar do significado de gênero, e das consequências das políticas identitárias do queer acolhidas pelo “feminismo” liberal.

Azul para meninos e rosa para meninas é ser pró gênero, o que torna contraditória a própria declaração de Damares Alves, que diz ser contra a ideologia de gênero. Se ela fosse contra a ideologia de gênero ela seria contra que ambas cores tivessem que ser usadas distintamente por mulheres e homens. Pois bem, contra a ideologia de gênero sou eu, somos nós as feministas, tirando o feminismo liberal que reforça os estereótipos de gênero através principalmente das políticas identitárias. Sendo ou não sendo metáfora, é a mesma coisa. Assim como as cores rosa e azul, vários outros símbolos de vestimenta e também de hábitos e comportamentos, estão na categoria gênero. O gênero é um papel que um indivíduo tem que representar de acordo com o seu sexo. Por isso obviamente a indignação, pois é ridículo limitar mulheres e homens nestes estereótipos. Porém não é só a Damares Alves que faz confusão não. E agora que o bicho vai pegar. Se todo mundo ficou indignado com esta declaração limitante, como a grande maioria das pessoas chama homens de mulheres quando eles usam rosa? Ou maquiagem? Ou salto alto ou vestido? Não é a cor nem a vestimenta que se usa que faz uma pessoa ser homem ou mulher. Mas na atualidade quando um homem usa rosa, maquiagem, etc ele logo passa a ser chamado de mulher (pelas mesmas pessoas que agora estão indignadas com o episódio rosa-azul). Nesta lógica bastaria nós mulheres não usarmos nenhum dos símbolos da feminilidade para não sofrermos a opressão patriarcal (violência, exploração, discriminação, reprodução controlada, feminicídio, etc), pois se o que define ser mulher é uma vestimenta ou comportamento cultural, nós automaticamente nos tornaríamos e seríamos tratadas como homens. Eu fico anos sem usar nenhuma dessas coisas e continuo sendo mulher nesse tempo. Então o homem diz que se sente mulher e passa usar o que? Rosa. Aí é subversivo? Não, aí é reforçar um estereótipo de gênero. Porque como vocês mesmos reivindicaram, com toda a razão, homens também podem usar rosa e mulheres azul. Então meus amigos e amigas, olha só que oportunidade para aprofundar no feminismo e desmascarar toda esta farsa de gênero que vivemos e que nos tempos atuais se intensificou com as políticas de identidade de gênero. Ser mulher ou homem não é usar uma vestimenta.

Agora, não se enganem, Damares Alves e Bolsonaro querem reforçar os estereótipos de gênero, e ao falarem em ideologia de gênero estão se referindo na verdade que são contra o feminismo, contra que o nosso útero seja livre das punições das leis e a favor que sejamos encubadoras, eles são contra as sexualidades que não a heterossexual.

aline rod.

Prostituição é Exploração

Quando você critica a prostituição você sempre tem que ouvir alguém te perguntando o que você tem contra as mulheres prostituídas.

Por acaso quando você critica qualquer outro tipo de exploração, tortura ou escravidão alguém te pergunta o que você tem contra estas pessoas exploradas, torturadas ou escravizadas?

 

 

Pelo fim da violência, pela vida das mulheres

No último dia do ano é normal que as pessoas estejam com o pensamento no futuro, num ano melhor, independentemente de quais sejam as suas crenças, ou descrenças. Sem querer tornar pesado este momento, principalmente porque sim é muito exaustiva a opressão patriarcal, e triste, injusta e covarde a violência oriunda deste sistema contra às mulheres. Mas como um sinal de respeito as mulheres que tiveram suas vidas ceifadas e que não podem ver o novo ano ou chegarem ao seu futuro.

No dia 31 de dezembro de 2016, Isamara Filier foi assassinada pelo seu ex marido juntamente com seu filho de 8 anos e mais 10 pessoas. O feminicídio em massa, acabou com a vida de 9 mulheres – “Eu tentei pegar a vadia no almoço de Natal e dia da minha visita, assim pegaria o máximo de vadias daquela família” – Sidnei Ramis de Araújo, o assassino, que cumpriu sua promessa misógina.

Ele também justifica porque matará seu filho: “Morto também já estou, porque não posso ficar contigo, ver você crescer, desfrutar a vida contigo por causa de um sistema feminista e umas loucas.” Fica difícil qual ponto pegar para se discorrer sobre. Mas vamos julgar que neste instante não precisamos falar sobre tudo o que sempre viemos falando, e vamos nos ater numa coisa então por hora. Egoísmo masculino. O egoísmo talvez tenha na masculinidade seu maior ápice. Julgar que as vidas de sua ex mulher, seu filho, e mais 10 pessoas devem ser extinguidas porque sua ex mulher está pedindo a separação e a guarda do filho é egoísmo masculino. E a prova mais violenta disso é que na verdade, com o distanciamento, o que aconteceria é que ele não mais poderia exercer a violência contra a sua família o quanto gostaria. Isamara Filier havia registrado cinco boletins de ocorrência contra Sidnei Ramis por ameaças de agressão e morte além de uma denúncia de abuso sexual contra o filho. O egoísmo masculino é o homem centrado na sua autoimportância levado a crer, pela própria lei dos homens, que ele está em primeiro lugar na hierarquia até mesmo para decidir sobre a vida e a morte. O egoísmo masculino em sua plenitude, costuma causar violência a outras pessoas, especialmente mulheres. Isso nos leva a pensar que nós, as mulheres, somos ou podemos ser a ameaça a este sistema patriarcal. Embora o patriarcado seja a verdadeira ameaça a nossa sobrevivência, sendo os homens os idealizadores e iniciadores do que podemos chamar de guerra, a nossa insubmissão e oposição são as ferramentas possíveis para que esta estrutura venha a ruir e chegar ao seu fim. E ela só será feita se seguirmos lutando pela nossa libertação e pelos nossos direitos. Sempre.

Em memória a Isamara Filier e a todas as mulheres assassinadas vítimas da violência masculina, que só pode existir porque o patriarcado permite e se retroalimenta da sua inerente misoginia.

Aline Rod.

link para o texto escrito na época:

Violência Masculina – uma reflexão após mais um feminicídio

O Que Importa

A Nova Pasta Mulher e o Antigo Ataque aos Nossos Direitos

A futura ministra da nova pasta Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, diz que o Estatuto do Nascituro será prioridade no ministério que comandará no governo de Bolsonaro. O Estatuto do Nascituro proposto em 2007 pelos deputados Osmânio Pereira e Elimar Máximo Damasceno, não permite o aborto sobre nenhuma circunstância. (Atualmente, a interrupção da gravidez é permitida no Brasil em caso de risco de vida da mãe, gestação causada por estupro e quando o feto é anencéfalo). Integrada ao texto do Estatuto do Nascituro, está a proposta de que a vítima de estupro receba um pagamento de uma bolsa custeada pelo estuprador ou pelo governo quando o agressor não for identificado. Em 2013, na última votação do projeto, ele foi apelidado de “bolsa estupro”, porque é exatamente o que esta proposta significa. É um ataque aos direitos das mulheres.

É um tipo de legalização para o estupro, porque aceita que o estupro existe e cria uma “saída” para que o controle reprodutivo sobre as mulheres não seja ameaçado. Mas por quê não se aceita que o aborto existe? Já que as mulheres abortam por quê não criar condições humanas básicas para as mulheres? Se a resposta é “porque o aborto é crime”, e o estupro não é? Os homens estupram, mas as mulheres não podem abortar. A ideia de uma “bolsa estupro” dá continuidade a violência contra às mulheres. É a misoginia em toda sua perversidade. As mulheres são estupradas sem distinção de classe social, cultura ou raça. Da mesma forma os homens que estupram não se enquadram numa categoria única de classe social, cultura ou raça. Isso é a supremacia masculina, e para que ela se mantenha é preciso aliviar a culpa dos homens controlando e punindo as mulheres.

As mulheres já são punidas por abortarem no Brasil, muitas vezes até mesmo nos casos previstos em lei enfrentam dificuldades, e com o Estatuto do Nascituro a punição se estenderia à obrigatoriedade de levar uma gravidez decorrente de uma violência brutal e traumática. A punição se daria de formas que nem podemos imaginar, parlamentares contrários ao projeto, já alertaram que a medida muito provavelmente forçaria a mulher estuprada a um tipo de relação com seu estuprador para o resto da vida. O que seria extremamente nocivo para a saúde psicológica da mulher, e novamente, de formas que não conseguimos imaginar, pois é impossível abarcar todas as consequências que obviamente fogem de um sistema pragmático ou de algum protocolo.

É um retrocesso que trava ainda mais a luta pela descriminalização do aborto encabeçada há várias décadas por mulheres de gerações anteriores. A punição com a ilegalidade do aborto está na criminalização das mulheres, na ausência de atendimento e de políticas públicas de saúde, deixando as mulheres sozinhas para resolverem a interrupção da gravidez arriscando suas vidas, ou a se tornarem criminosas podendo serem presas. A punição está nas sequelas físicas dos procedimentos precários dos abortos clandestinos. A punição é de morte para milhares de mulheres que não sobrevivem ao aborto. A punição é psicológica causando consequências que podem durar uma vida toda, pelas dificuldades enfrentadas geralmente de forma solitária, por sentimentos de culpa gerados pela própria criminalização e pelos conceitos de moralidade que permeiam a questão. Enquanto estamos lutando para vencermos este quadro já cruel e que nega a nós mulheres nossos direitos humanos básicos, esses projetos sustentados pelo fundamentalismo religioso e pela misoginia, impedem nossos avanços a essas conquistas.

Milhares de mulheres abortam todos os dias no país. As mulheres não vão deixar de abortar por causa de uma pensão. Uma gravidez decorrente de um estupro é um trauma gigantesco, não pode ser reduzido a um problema meramente econômico. É também de uma insinceridade social e política tamanha criminalizar o aborto, pois só se pode proibir o aborto legal, seguro e gratuito, mas não é possível impedir que mulheres busquem meios para interromper a gravidez.

Ainda se faz relevante ressaltar que a própria Damares Alves foi vítima de violência sexual, ela conta que dos 6 aos 8 anos foi estuprada e abusada por dois pastores, homens muito próximos que frequentavam sua casa. Esta parte é um tanto delicada e tem dividido as pessoas que se solidarizam com a sua história entre as pessoas que dizem que isso pouco importa. Dizer que as violências que ela passou pouco importam é uma simplificação e até mesmo uma ingenuidade, e é também inevitavelmente a falta de entendimento sobre como funciona a misoginia estrutural e os processos psicológicos decorrentes de abusos sexuais. É possível compreender o que ela passou quando criança, sem se deixar levar pela sua política conservadora e arbitrária. É possível reconhecer seu sofrimento e manter uma postura crítica e combatente aos programas apresentados por ela no governo que fará parte. E aí entra a questão da ingenuidade em simplificar às críticas colocando em termos de que pouco importa que foi abusada. Pois este fato é justamente utilizado para legitimar as propostas do governo de Bolsonaro. É muito comum este tipo de jogada, de manipulação na política. O simples fato de colocar uma mulher na pasta Mulher, que vai priorizar a proibição do aborto em qualquer circunstância, é uma tentativa de silenciamento às críticas contra esta que é uma supressão dos direitos das mulheres. Mas ao ocupar cargo de tal relevância e autoridade, nem Damares Alves nem o governo que atuará, poderão de forma incólume se utilizar dos abusos que ela foi vítima para vitimizar mais mulheres através de propostas de um governo que se estabelece num discurso retrógrado e que tem orgulho disso. Nós estaremos firmes para fazer oposição ao governo e a propostas como estas, e principalmente nós estaremos firmes lutando para que as mulheres tenham em algum momento neste país seus direitos garantidos e a dignidade que merecem. Milhões de nós não tivemos ou não teremos, mas nos manteremos fortes e principalmente constantes na luta pelos nossos direitos e pelos de todas aquelas que virão.

Dia Internacional da Não Violência Contra à Mulher – [Sobre a Violência Sexual]

Em 2017 foram registrados 60.018 casos de estupro no Brasil, isso dá uma média de 164 estupros por dia. Porém sabemos que os dados são subnotificados. Existem muitas razões para isso. As mulheres além de sofrerem violências sexuais, são ameaçadas de mais violências ou morte caso denunciem seus agressores. Muitas mulheres por razões econômicas ou afetivas não podem denunciar nem se afastar de seus agressores. Também é muito frequente que as mulheres sejam acusadas de terem causado ou facilitado a violência. A triste e cruel realidade, é que na maioria das vezes as pessoas questionam as mulheres violentadas, procurando achar justificativas que absolvam os perpetradores enquanto culpabilizam a vítima. Sempre se pergunta do porquê a mulher estava tarde ou sozinha na rua, insinua-se que sua roupa era provocativa, ou que o seu comportamento não foi apropriado. Mas as mulheres são estupradas a qualquer hora do dia, independente de suas roupas ou aparência, por homens estranhos ou conhecidos. Todos estes questionamentos demonstram de forma bem definida em como funciona a opressão do patriarcado. Enquanto as mulheres são questionadas e culpabilizadas, os homens são perdoados pelas violências que eles cometem. É comum dizerem “ela estava muito bêbada e pediu por isso”, “sabia que isso aconteceria”, enquanto o agressor é desculpado exatamente pela mesma razão, “ele estava muito bêbado não sabia o que estava fazendo”. Lembrando ainda que os homens podem beber e se comportar como quiserem sem que exista esta ameaça, sem que seus corpos e integridade sejam atacados como os nossos, lhes concedendo uma liberdade muito maior de ir e vir e de ser.

Uma outra face dessa realidade, nem sempre lembrada, é a de que muitas vezes o estupro e os abusos não são assim considerados. Isso é muito comum entre casais, onde existe uma obrigação da mulher em satisfazer qualquer vontade de seu cônjuge, porque a mulher ainda é vista como propriedade do homem.

O estigma e a vergonha também são outras razões que impedem as mulheres de procurar ajuda. Isso é algo que só deixa nós mulheres ainda mais sozinhas para resolvermos o que faremos dali pra frente para não sermos atacadas novamente, contando apenas com nós mesmas para superarmos nossos traumas decorrentes desta violência brutal.

O estupro pode ter consequências físicas como doenças sexualmente transmissíveis, gravidez e traumatismos, ou decorrentes de outras agressões durante o ataque. As consequências psicológicas são imensuráveis e diversas, de fobias, depressão, transtorno pós traumático ao suicídio.

As marcas do estrupo acompanham uma mulher por toda a sua vida.

A culpa da violência sexual nunca é da vítima, mas de quem a comete.

 

Mulheres Organizadas Contra o Fascismo

Mais uma vez nós mulheres tomamos a frente e estivemos nas ruas porque lugar de mulher é na luta. Nosso primeiro ato foi um dos maiores da história desse país porém fomos alvos de duríssimas críticas, tanto da direita quanto da esquerda masculinista. Outros fingiram que nada havia acontecido. Mas como podem fingir que milhares e milhares de mulheres estão passando pela porta da sua casa? Em uma das respostas a isso eu disse o seguinte: “Olha, que a mídia vire as costas pros atos gigantescos em todo o Brasil e no mundo em mais uma tentativa malsucedida de nos silenciar, eu já esperava. Mas agora, que homens da esquerda ignorem, finjam que não tá acontecendo nada, e ainda criem teorias, mansplaining milhões de mulheres em como se combate “de verdade” o fascismo, por essa eu não tinha dúvida nenhuma.” De fato não foi uma surpresa que homens de esquerda começassem a nos criticar, seja por acharem que “não sabemos como combater o fascismo”, seja por acharem que contribuímos para que aumentasse a visibilidade do Bolsonaro. Como se fosse possível lutar contra um inimigo sem nominá-lo.

Nós fomos milhares e milhares de mulheres de vários contextos diferentes, crenças diferentes, posicionamentos políticos e ideológicos diferentes mas nos unimos numa manifestação popular a qual organizamos e lideramos. E me parece que isso em si é uma ousadia, afinal como ousam as mulheres saírem da esfera doméstica e irem para as ruas organizadas e liderando uma manifestação política?

Não é a toa que nós mulheres fazemos essa frente, é porque Bolsonaro e suas ideias objetivam impedir que avancemos na luta pelos nossos direitos e igualmente tirar os direitos arduamente conquistados por nós. Bolsonaro e suas ideias são uma ameaça real a nossa sobrevivência.

Nós mulheres lutamos pela nossa sobrevivência todos os dias.Toda mulher é uma sobrevivente. E nesta hora não seria diferente. Estamos nos defendendo de sermos exterminadas, de sermos ainda mais exploradas e violadas do que já somos. Nós mulheres estamos cientes e juntas defendendo outras classes que também são alvos do fascismo. Nós nunca fomos a classe egoísta (se fosse esse o caso) muito pelo contrário, nós somos a classe que nutre, que cuida, e embora este seja um papel que devemos questionar, a realidade é que não vem de nós o esquecimento àqueles que precisam de nosso apoio, trabalho e esforço. Somos nós as que somos constantemente esquecidas ou colocadas em segundo plano, até mesmo por nós mesmas.

A nossa luta vai para além das urnas, precisamos continuar nos organizando e seguirmos combatentes. Por hora porém a luta está também neste que é um dos campos de batalha nesse momento da nossa história, pois seria irresponsável, mesmo sem concordar com o sistema político e eleitoral, que ele não esteja exercendo influência na sociedade e consequentemente nas nossas vidas, ou ainda ignorar que não esteja acontecendo uma eleição com proporções de ascensão ao fascismo. Negar esse sistema não derruba este sistema. Apenas nos organizando que seremos capazes de mudanças reais.

Imagens da manifestação Mulheres Contra Bolsonaro em Porto Alegre, 20.10.2018.

Surpresas boas da vida

Por totalmente ao acaso descobri que a tradução que eu fiz há exatamente um ano atrás para o dia/mês da visibilidade lésbica tá lá no site original, o premiado Sister Outrider, blog da escritora excepcional Claire Heuchan – feminista radical negra escocesa. Nossa fiquei muito feliz, este texto me deu bastante trabalho para traduzir, passei acho que uma semana revisando. Eu lembro que até pensei em escrever pra ela e acabei achando que ela não tinha tempo pra isso! Mas tá lá no blog dela! e eu fico muito feliz mesmo de poder contribuir em divulgar um texto tão valioso nesses tempos onde “a tensão entre as políticas de identidade do queer e a libertação das mulheres se tornou realmente insuportável” segundo a própria Claire. <3

e ela ainda agradece a Ação Antisexista e eu achei tudo isso bacana demais!

aline rod.

a tradução no blog Sister Outrider:

https://sisteroutrider.wordpress.com/2017/09/01/a-questao-do-desaparecimento-uma-reflexao-sobre-o-apagamento-da-lesbianidade/

E a tradução original postei aqui http://acaoantisexista.tk/a-questao-do-desaparecimento-uma-reflexao-sobre-o-apagamento-da-lesbianidade/

e assim a gente vai postando lá postando aqui postando aqui que postou lá até uma hora chegar até você! 🙂

 

 

Manifesto Pelo Aborto Legal, Seguro e Gratuito Já!

MANIFESTO PELO ABORTO LEGAL, SEGURO E GRATUITO JÁ!

O aborto é uma realidade na vida das mulheres no mundo inteiro e no Brasil não é diferente. A pesquisa nacional de aborto de 2016 diz que aproximadamente 1 a cada 5 mulheres de até 40 anos já abortou no Brasil. Porém como as mulheres abortam clandestinamente o número das que abortam, certamente é ainda maior.

O debate, portanto, não pode ficar em torno de ser a favor ou não do aborto. A questão é se vamos compactuar com que milhares de mulheres continuem morrendo por aborto clandestino e inseguro no Brasil. O aborto é uma questão de saúde pública, pois as mulheres morrem em decorrência da forma precária como os procedimentos são feitos. Além de arriscarem suas vidas, as mulheres também podem ser punidas, pois o aborto é crime no Brasil, algo que fere os direitos das mulheres.

As mulheres exigem seus direitos sexuais e reprodutivos respeitados e para isso precisam da liberdade de decidir sobre seus próprios corpos, a sua vida, sua dignidade e privacidade – seus direitos fundamentais dependem disso. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – CF/88 que institui o Estado Democrático de Direito garante esses direitos as mulheres, bem como diversas Convenções Internacionais que o Brasil é signatário dispõe sobre o direito e autonomia das mulheres

A OMS – Organização Mundial da Saúde – afirma que mais de 25 milhões de abortos acontecem anualmente no mundo, e mais de 90% desses abortos acontecem na África, Ásia e América Latina. Afirma ainda que a proibição não reduz o número de abortos, que pelo contrário, houve a redução de mortes de mulheres e gastos na saúde em países que legalizaram o aborto, pois quando o assunto deixa de ser tabu existe uma abertura para que sejam feitas conjuntamente campanhas educativas.

A Organização das Nações unidas – ONU explica que quando o aborto ocorre de acordo com as diretrizes e padrões da OMS, o risco de complicações ou de morte é insignificante. No Brasil a maior parte das mulheres criminalizadas e mortas por abortos clandestinos e inseguros são mulheres da classe trabalhadora, negras, do norte e nordeste, mas o aborto é uma realidade de todas as mulheres em todos os lugares do Brasil e do mundo.

Proibir e criminalizar mulheres por interromperem uma gestação indesejada viola seus direitos humanos. O Estado privar qualquer mulher de decidir sobre seu corpo, sobre sua vida, viola direitos constitucionais, e isso é um crime do Estado. Por isso lutamos por um aborto legal, seguro e gratuito no Brasil e no mundo, para que mulheres parem de morrer e tenham autonomia para decidir.

FRENTE PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO – RS

Porto Alegre, julho de 2018.

Chegamos no Dia Internacional da Mulher

Chegamos no Dia Internacional da Mulher
sem que saibam o que é ser uma
sem que saibam de onde vem nossa opressão
outros protagonistas mais uma presunção
chegamos no dia internacional da mulher
e não querem saber como chegamos aqui
nem como sobreviveram nossas antepassadas
terem nos gerado é irrelevância
melhor quando esquecidas na sua insignificância
chegamos no dia internacional da mulher
o que fizeram não pode ser lembrado
e antes que o conhecimento seja repassado
deem um jeito dele junto ao corpo ficar soterrado
chegamos no dia internacional da mulher
nosso engenho é renegado
nosso sangue é derramado
nosso útero é desprezado
mas tem valor para ser alugado
chegamos no dia internacional da mulher
e ser mulher é uma roupa
ou fetiche
uma sensação matinal
que pode mudar no meio da tarde
ao estender uma roupa de baixo no varal
chegamos no dia internacional da mulher
e nosso corpo é tabu
é “biologia terf”
é biomedicina
é experimento
é xyz com vitamina
chegamos no dia internacional da mulher
e eles são comemorados
e o homem neste dia é situado
para garantir que ele sempre seja o primeiro colocado
chegamos no dia internacional da mulher
e nosso futuro é incerto
nossa esperança é abalada
mas quem se importa com gente desatualizada
chegamos no dia internacional da mulher
e a mais antiga opressão chamam de profissão
é capital é diversão
o poder tá na mão
o prazer está na exploração
chegamos no dia internacional da mulher
ela tá tentando escapar mas ninguém a nota
a quem interessa afinal
é só mais uma mulher morta
chegamos no dia internacional da mulher
o dia da arca de noé não esqueçam
é dia de salvar todas espécies que apareçam
porque afinal hoje é o dia de quem quiser

 

aline rod