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Manifestação contra o aumento da passagem – relato/opinião

Na quarta feira 9 de fevereiro, aconteceu mais uma manifestação contra o aumento das passagens aqui em porto alegre. Organizada por partidos e outros grupos que mais estão preocupados com interesses pessoais, cargos eleitorais, méritos, status, e que ainda se aproveitam de movimentos sociais como massa de manobra. A forma de fazer política dos partidos de oposição não é oposição real a política vigente e aos problemas que estamos questionando. Usar a indignação dxs desfavorecidxs com fins oportunistas é prática da qual fazemos questão de continuar delatando. Nascem novas oposições, mas a tática é a mesma, e quando/se conseguirem alcançar o poder acatarão as mesmas decisões, nascerão outros partidos e assim o sistema é alimentado.

Este relato começa com esta crítica, porque foi bastante gritante a necessidade desses grupos e pessoas em liderar e a total arrogância e desrespeito que mostraram com xs participantes. O carro de som, por exemplo, abafou a participação dos indivíduos e centralizou o poder de fala, decidiu quais palavras a serem gritadas e “naturalmente” não ouvia novas idéias que iam surgindo no caminho.

Esta crítica é direcionada aos partidos e sua forma de organização, às diretrizes dos grupos que se vinculam aos partidos ou que se organizam de forma hierárquica, mas não aos indivíduos necessariamente. É claro que enquanto parte destes partidos e organizações, a crítica vai também a esta postura tomada, escolhida, mas ainda em graus diferentes entre xs participantes daquelxs que tem maior poder de decisão.

Em função disso, foi articulado entre alguns grupos e indivíduos um bloco autônomo do qual nós participamos. O bloco resolveu nomear dois delegados para compor junto com o Comitê Contra o Aumento da Passagem, que estava por trás do chamado da manifestação. Nos parece que a idéia era ficar por dentro das propostas e estratégias do Comitê e até quem sabe participar da construção dessas estratégias e propostas, nós da ação antisexista duvidamos disso, e percebemos que a presença de representantes do Bloco Autônomo no Comitê apenas legitimou a centralização do poder em torno do mesmo. Formar um bloco é uma estratégia muito útil por nos permitir participar nos solidarizando com as causas mas não com os oportunistas, porém não é de jeito algum fazer parte e acabar perdendo a identidade. Nessa última manifestação foi difícil reconhecer um bloco em separado do bloco dos partidos/partidários, fomos no máximo uma dúzia de pessoas à parte do bloco maior.

Compreendemos que pode ser questionável o fato de termos ido à manifestação e agora a estarmos criticando. O que nos motivou a participarmos foi pensarmos que a presença de um bloco autônomo e crítico poderia ser o contraponto disso para xs manifestantes e xs transeuntes. E acreditamos que fez diferença, embora muito pequena, estarmos ali procurando passar uma outra perspectiva de crítica, reafirmando o nosso ponto de vista de que o aumento das passagens é uma prática corriqueira e inerente ao aparato estatal. Ao longo do curso da marcha varixs participantes foram se aproximando de nós e foi muito válido sentirmos essa afinidade com outros indivíduos. Mas o nosso próprio bloco se dissolveu de certa forma, ou foi engolido pela maioria, mesmo que sem perceber. Então aqui compartilhamos esta reflexão e sugerimos que um bloco autônomo só irá assim ser efetivamente se não se deixar desaparecer no meio de uma manifestação consistida por organizações não autônomas.

Pensamos que o movimento Passe Livre inteiro tem que ser autônomo, livre de influências partidárias! São as pessoas que são desfavorecidas, não os partidos e movimentos interesseiros, e por isso a luta não pode ser cooptada e utilizada como instrumento de ascensão destes.

É importante também, que percebamos o aumento da passagem não como um fato isolado, mas como uma parte das conexões das injustiças sociais. É esperado que um movimento, grupo ou classe tome uma posição específica, uma posição com relação a uma injustiça social cometida a este movimento/grupo/classe. Mas só contextualizando e conectando todas as injustiças é que se terá uma atitude coerente de não contribuir com outras injustiças em outros setores.

Que o Passe Livre não seja um movimento de um grupo apenas, que seja para todxs que do passe livre precisem!

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