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Solidariedade à Paula

É com muita revolta que recebemos ontem a notícia da agressão à Paula por parte de Gustavo. Não conhecemos a Paula, mas o simples fato dela ser uma mulher que sofreu uma agressão nos faz sentir como se a conhecêssemos, e nos faz querer nos solidarizar e fazer de sua denúncia a nossa.  Soma-se a isso o fato de ela se proclamar uma libertária do mesmo meio e subcultura que é nossa luta, nossa casa. Já o Gustavo conhecemos, a última vez que o vimos foi na 2º Feira Feira do Livro Anarquista de POA, no ano passado. Gustavo propôs um bate papo na programação da feira e tocou com a banda Nieu Dieu Nieu Maitre da qual faz parte. Antes disso já havíamos tocado em gigs juntxs e ele esteve presente na okupa N4 onde morávamos. Ao saber desta agressão nos sentimos muito tristes e decepcionados com a atitude do Gustavo. É muito difícil descobrir que um amigo ou alguém próximo cometeu violência contra uma mulher, também porque simplesmente é difícil virar a cara para um amigo. Mas é insustentável para nós como anarcofeministas ficarmos caladxs diante desta denúncia.

A agressão cometida por Gustavo, sofrida por Paula, nos mostra mais uma vez que o machismo permeia mesmo dentro da cena libertária/punk, que se propõe a combater isso. Não é nenhuma novidade que nos deparamos com atitudes machistas dentro da cena, e nem que estas atitudes ficam impunes. Não é nenhuma novidade que os caras se valham do privilégio masculino e de sua influência, seja por tocarem numa banda, seja por engajamento político. E quantas vezes a culpa recai sobre as mulheres agredidas que geralmente tem menos voz na cena? Isso se dá porque infelizmente ainda não somos capazes de parar de reproduzir o machismo que acontece na sociedade. O fato das mulheres terem menos voz é reflexo do patriarcado e o fato de serem culpadas das agressões que sofrem, também.

Nos revolta ler no relato de Paula, como coisas nas quais acreditamos e pelas quais lutamos podem ser usadas para envolver e ludibriar outras pessoas principalmente numa lógica de gênero machista. É angustiante vermos pessoas ditas anarquistas se esconderem atrás de teorias. E tem sido muito comum vermos pessoas usarem do amor livre como pretexto para manipularem outras pessoas, ao mesmo tempo que não desconstroem sentimentos de possessão e ciúmes criando intrigas, inimizades e dinâmicas de poder.

A solidariedade é toda à Paula indiscutivelmente, o seu relato não pode ser desacreditado e cabe a comunidade libertária/punk abrigá-la. A Paula precisa de apoio, credibilidade e compreensão enquanto Gustavo precisa reconhecer a agressão que perpetrou para que ele perceba o que fez e não cometa o mesmo com outras mulheres/meninas. É muito comum agressores não admitirem que agrediram e que foram abusivos, sendo isso também uma violência.

Inúmeras vezes em casos semelhantes, as mulheres se afastam da cena porque os agressores ali circulam sem maiores problemas, fazendo com que elas se sintam constrangidas e intimidadas. Como comunidade anarquista/punk temos que focar no debate feminista e de gênero para prevenir estas agressões e trabalhar criando espaços seguros, e que promovam o apoio e o empoderamento das vítimas/sobreviventes.

Não nos satisfazemos com as propostas que se polarizam entre o silencio e a omissão ou o linchamento. No entanto, acreditamos que cabe a vítima tomar as decisões de como lidar com o agressor e a nós cabe apoiar ela e suas decisões.

A violência contra uma é violência contra todas!

açãoantisexista//
ferida//
no rest//

07/10/2012

leia o relato da Paula http://bastademachismo.blogspot.com.br/2012/10/venho-atraves-desta-carta-de-repudio.html

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