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4ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre//15,16 e 17 Nov.

A Questão Feminina em Nossos Meios – Lucia Sanchez Saornil

O texto que segue é de Lucia Sanchez Saornil da organização Mujeres Libres da Espanha. A organização surgiu em 1936 na época da Revolução Espanhola, também contada como Guerra Civil Espanhola. O texto é um trecho de uma discussão entre Lucia e o secretário da CNT Mariano R. Vasquez que foi publicada no jornal Solidaridad Obrera em 1935.  O texto nos parece oportuno e ainda atual pois critica o pensamento científico da maternidade como característica definidora da mulher, ditando suas funções dentro da sociedade, e relata o machismo no meio anarquista da época.  Sentimos uma grande afinidade com o pensamento de Lucia, pois hoje ainda enfrentamos as mesmas dificuldades.

“Na atualidade, está socialmente questionada a teoria da inferioridade intelectual feminina ; um número considerável de mulheres de todas as condições sociais demonstrou praticamente a falsidade do dogma, poderíamos dizer, revelando a excelente qualidade de suas aptidões, em todos os ramos da atividade humana. Apenas nas camadas sócias inferiores onde a cultura penetra mais lentamente pode sustentar-se, ainda, uma crença tão perniciosa.

Quando, porém, o campo parecia limpo, um novo dogma, este com garantias científicas, aparentes, obstaculizou o caminho da mulher, levantando novos obstáculos à sua passagem; e é de tal qualidade que, por um momento, deve tê-la deixado pensativa.

Frente ao dogma da inferioridade intelectual da mulher, levantou-se o da diferenciação sexual. Já não se discute como no século passado, se a mulher é superior ou inferior; afirma-se que é diferente. Já não se trata de um cérebro de maior ou menor peso ou volume, mas de uns corpinhos esponjosos, chamados glândulas de secreção, que imprimem um caráter peculiar à criatura, determinando seu sexo e com este, suas atividades no campo social.

Nada tenho a objetar a esta teoria em seu aspecto fisiológico, mas sim às conclusões que se pretendem extrair da mesma. Que a mulher é diferente? De acordo. Embora talvez essa diversidade não se deva tanto à natureza, como ao meio ambiente em que se desenvolveu. É curioso que, quando se extraíam tantas conseqüências da teoria do meio na evolução das espécies, esta seja completamente esquecida quando se trata da mulher. Considera-se a mulher atual como um tipo acabado, sem levar-se em conta que não é mais do que o produto de um meio permanentemente coativo e é quase certo que, restabelecidas no possível as condições primárias, o tipo se modificaria ostensivamente, burlando, talvez, as teorias da ciência que pretendem defini-la.

Pela teoria da diferenciação, a mulher não é mais do que uma matriz tirânica que exerce suas influências obscuras até os últimos recantos do cérebro; toda vida psíquica da mulher é subordinada a um processo biológico, e tal processo biológico não é outro que o da gestação. “Nascer, sofrer, morrer”, dissemos num artigo anterior. A ciência veio modificar os termos, sem alterar a essência desse axioma: “Nascer, gestar, morrer”. E aí está todo o horizonte feminino.

É claro que se tentou cobrir essas conclusões com douradas nuvens apoteóticas. “A missão da mulher é a mais culta e sublime da natureza”, dizem; “ela é a mãe, a orientadora, a educadora da humanidade futura”. E, no entanto, fala-se em dirigir todos os seus passos, toda a sua vida, toda a sua educação para esse único fim; único ao que parece, em perfeita harmonia com sua natureza.

E novamente vemos, frente a frente, o conceito de mulher e o de mãe. Porque resulta que os sábios não descobriram nenhum mediterrâneo; em todas as idades, têm-se praticado a exaltação mística da maternidade; antes exaltava-se a mãe prolífica, parideira de heróis, de santos, de redentores ou tiranos; de agora em diante, exaltar-se-á a mãe eugênica, engendradora, gestadora, parideira perfeita; antes a agora, todos esforços são convergentes para manter em pé a brutal afirmação de Okén que citava outro dia: “A mulher não é o fim, mas o meio da natureza; o único fim e objeto é o homem”.

Eu disse que tínhamos novamente os conceitos de mulher e de mãe frente a frente, e disse mal; agora temos algo ainda pior: o conceito de mãe absorvendo o de mulher, a função anulando o indivíduo.

Dir-se-ia que no transcorrer dos séculos, o mundo masculino tem oscilado, frente à mulher, entre dois conceitos extremos: da prostituta à mãe, do abjeto ao sublime, sem deter-se no estritamente humano: a mulher. A mulher como indivíduo racional, pensante e autônomo. Se procurarmos a mulher nas sociedades primitivas, apenas encontraremos a mãe do guerreiro, exaltadora do valor e da força. Se a procurarmos na sociedade romana, apenas encontraremos a matrona prolífica que supre a República com cidadãos. Se a procurarmos na sociedade cristã encontra-la-emos já convertida em mãe de Deus.

A mãe é o produto da reação masculina frente à prostituta, que é para ele toda mulher. É a deificação da matriz que o abrigou.

Contudo – e ninguém deve escandalizar-se pois estamos entre anarquistas e nosso compromisso primordial é restabelecer as coisas em seus verdadeiros termos, derrubar todos os falsos conceitos, por mais prestigiados que sejam – , a mãe como valor social não deixou de ser, até o momento, a manifestação de um instinto, um instinto tanto mais agudo quanto a vida da mulher só girou em torno dele durante anos; porém, instinto, afinal; apenas, em algumas mulheres superiores, alcançou a categoria de sentimento.

A mulher, em troca, é o indivíduo, o ser pensante, a entidade superior. Em nome da mãe, quer-se excluir a mulher, quando se pode ter mulher e mãe, porque a mulher não exclui nunca a mãe.

Desdenha-se a mulher como valor determinante na sociedade, dando-lhe a qualidade de valor passivo. Desdenha-se o aporte direto de uma mulher inteligente por um filho talvez inepto. Repito que há que se restabelecerem as coisas em seus verdadeiros termos. Que as mulheres seja mulheres antes de tudo; somente sendo mulheres e que se terão as mães de se necessita.

O que verdadeiramente me assusta é que companheiros que se chamam de anarquistas, alucinados, talvez, pelo princípio científico sobre o qual se pretende estar assentado o novo dogma sejam capazes de sustentá-lo. Frente a eles, assusta-me essa dúvida: se são anarquistas, não são sinceros; se são sinceros, não são anarquistas.

Na teoria da diferenciação, a mãe é o equivalente do trabalhador. Para um anarquista, antes que o trabalhador, está o homem, antes que a mãe, deve estar a mulher (falo em sentido genérico). Porque para um anarquista, antes de tudo e acima de tudo, está o indivíduo.”

Extraído de Mujeres Libres da Espanha: Documentos da Revolução Espanhola : Editora Achiamé, 2007; Rago, Margareth; Biajoli, Maria Clara Pivato.

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2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre e Dissidência Muzikfesto- Relato

2ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre

No mês de novembro rolou a segunda edição da Feira do Livro Anarquista aqui da cidade. Foram meses de construção coletiva que resultaram em 4 dias intensos, de exposição de livros, de debates e oficinas, de troca e convivência entre todxs que participaram. Neste ano a feira aconteceu simultaneamente em dois locais, o Espaço Libertário Moinho Negro,onde aconteceram as oficinas, a maioria dos bate papos, os almoços e também alojamento, e a Travessa dos Venezianos onde está situada a sede da Federação Anarquista Gaúcha na qual se concentraram as banquinhas e onde ocorreram também as intervenções artísticas.

Em relação à edição da FLAPoA de 2010, vivenciamos um grande crescimento na participação de coletivos e individuxs de outras localidades do Brasil e do mundo, tanto como expositorxs e proponentxs de atividades, quanto na organização efetiva da feira, tomando parte nas comissões e absorvendo responsabilidades. Essa maior participação na pré-construção da feira auxiliou muito os coletivos locais, ampliando nossos horizontes e introduzindo novas experiências de organização, mas trouxe também um desafio em termos de comunicação e horizontalidade com distâncias tão grandes nos separando.

Abrindo com uma celebração na sexta-feira, dia 11 de novembro, com a apresentação de Animinimaldita (Arg), Minininha Pirracenta (BH) e Front Liberdade e Rima (PoA) a 2ª edição da FLAPoA seguiu sua programação até o dia 14. Rolaram bate-papos e oficinas sobre o Punk e a Contribuição para o Anarquismo, Fascismo e Antifascismo na Atualidade, Estratégias Anárquicas de Transformação, Saúde Feminina, Autonomia do Corpo: Pompoarismo e Dança, O Anarquismo e as Prisões Hoje, a Luta Libertária na Europa no Contexto Atual, Gestão de Espaços Libertários, Yomango, entre muitas outras, além de intervenções teatrais do Grupo T.I.A., do grupo Cambada de Teatro em Ação Direta Levanta Favela! e também da Federação Anarquista Gaúcha, e, obviamente, exposição dos livros e materiais das editoras Deriva, Imprensa Marginal, Faísca, Imaginário, Achiamé, Madre Selva, L-Dopa e outras mais.

Alguns problemas surgiram ou se mostraram presentes: o cancelamento da participação de alguns coletivos proponentes foi um deles, a solução foi remanejar os horários das atividades e propor atividades de ultima hora ou que tinham sido deixadas de lado durante a construção da feira. Acabou dando certo. Outro problema que se mostrou presente foi de rixas locais darem espaço para atitudes que ao nosso ver atrapalham a horizontalidade e liberdade. Mas a troca de experiências, de idéias e a vivência nos 4 dias foram motivadoras, construtivas e prazerosas.

Dissidência Muzikfesto

A idéia do festival surgiu do fato de que vários dos coletivos participantes também tocam em bandas, a oportunidade de encontro permitiu a construção do festival. Assim a contra cultura teve espaço para se manifestar em forma de som, expressão, e também de exposição de zines e outros materiais punks/anarcopunks. Houveram no festival também alguns problemas mas que foram superados. O primeiro deles foi de que algumas bandas cancelaram sua participação, e como tínhamos marcado 2 noites de festival por razão do numero de bandas os 2 dias não seriam mais tão necessários. O segundo problema foi que na primeira noite do festival ao chegarmos no local surpreendentemente estava já acontecendo um outro evento… questionamos a organização do local, mas muito mais a nossa organização, visto que foi difícil acreditar que aquilo estava acontecendo. Então descobrimos que é uma ocorrência comum naquele espaço. A solução que arranjamos foi de todas as bandas tocarem na noite seguinte, por sorte quem sabe, visto que o numero de bandas diminuído não faziam mais necessárias as 2 noites. Todxs participantxs e também o pessoal que veio para assistir o festival se mostraram muito compreensivxs. Conversamos sobre a falta de espaços autônomos para gigs e alguns problemas de se fazer som em bares. Dentro da realidade atual aqui da cidade, este bar é o mais interessante, e embora sujeitxs a situações como esta, temos uma certa abertura, as donas do espaço não cobram aluguel, tirando seu lucro apenas das bebidas e lanches que elas vendem. Isto juntamente com o equipamento ter sido cedido por um amigo, tornou possível dividirmos toda a bilheteria entre as bandas não locais. O festival contou com as bandas de fora Nieu Dieu Nieu Maitre, Revolta Popular e Gracias por Nada, e as locais, Digna Rábia, Conduta Destrutiva, Vapaus, Front Liberdade e Rima e Ferida (banda do nosso coletivo). A noite fechou a feira com muita celebração, som e troca de idéias.

A feira e o festival possibilitaram novas amizades e interações com pessoas que vivem distantes… o companheirismo, as descobertas de afinidades, e o estreitamento de relações entre amigxs mais próximxs também. Pensamos que isso fomenta as relações anarkikas e ajuda a divulgar o anarquismo e a contra cultura.

Que continuemos construindo e resistindo!

Liberdade! Anarquia! Feminismo!

seguem algumas fotos e o vídeo produzido pela AnarcoFilmes:





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2ª Feira do Livro Anarquista e Dissidência Muzikfesto!!!

Nos últimos meses temos estado organizando juntamente com outros grupos e indivíduos a segunda edição da Feira do livro Anarquista de Porto Alegre, e o festival que vai rolar durante a feira, o Dissidência Muzikfesto! Foi um longo caminho para construirmos a feira e o festival que este ano contam com a presença de varios coletivos de outras localidades também. Será uma programação diversa com muitos bate papos, oficinas, intervenções artísticas, bancas de livros, zines e materiais, difundindo as ideias anarquistas, promovendo troca, vivência e aproximação.
E agora falta apenas uma semana! Queremos convidar a todxs para juntxs participarem destes eventos!

Confira a programação da feira no site flapoa.deriva.com.br
e a programação do festival abaixo:

Domingo 13/11 tocam as bandas:

Gracias por Nada ///Brasília
Nieu dieu Nieu Maitre ///Curitiba
Ferida
Conduta Destrutiva
No Masters

Segunda 14/11 tocam:

Revolta Popular ///São Paulo
Lifelifters ///São Paulo
Flores do Holocausto /// Lajes
Tranca rua ///São Paulo
Digna Rabia
Vapaus

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