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Ciclo da Autonomia – Espaço Deriva

Todo sábado, a partir das 17h, convidamos coletivos e pessoas para debater alguns temas a partir de uma perspectiva autonomista, e este mês os temas serão: saúde, feminismo, transporte, tecnologias e alimentação. Em setembro, teremos oficinas sobre comunicação, economia, justiça e comunalismo.

Consideramos que a onda de manifestações dos últimos meses nos mostra que tem muita coisa interessante acontecendo ao mesmo tempo, muitos debates e gente querendo fazer coisas para tranformar a sociedade. No entanto, o fato de ser um movimento principalmente de rua tem feito muitas vezes com que as pessoas fiquem meio perdidas, sem saber o que fazer além das manifestações, e os processos continuam muito desarticulados. Enquanto autonomistas, nos preocupa ver que as pautas estão sempre marcadas por reivindicações aos governos, e a políticas públicas, e muito pouco aparece no debate a inquietação com a autonomia das ações – a possibilidade de “trabalhar” os temas mais além de estar sempre pedindo para o estado. Achamos que isso reflete bastante a maneira de fazer política que já acontece há bastante tempo entre os movimentos sociais, mas também que essa “estratégia” (se chega a ser uma) está bastante desgastada – e isso é visível na inquietação de várias pessoas com quem temos conversado, mesmo as que vem dessa trajetória. Basicamente, pensamos que tem muita energia circulando por aí, e gostaríamos de criar espaços para canalizar essa energia mais além do diálogo com o estado, que costuma acabar com frustrações, já que este dificilmente dá conta das demandas.

Então propomos fazer um ciclo de encontros entre pessoas e coletivos que queiram compartilhar suas inquietações nesse sentido, pensando as possibilidades – e dificuldades – de atuar autonomamente. Como autonomia estamos entendendo não só o fato de não pautar suas ações pelo estado – tanto em termos financeiros, quanto de agenda – (e poderíamos também incluir grandes instituições como partidos e organismos internacionais), mas também de buscar maneiras de organização autogeridas e de se pensar no entorno de maneira que – na falta de palavra melhor – chamaremos de sustentável. A ideia é que, a partir de temas, diferentes grupos que trabalham com aquilo possam contar as ideias que os movem, suas experiências e suas dificuldades, para assim pensarmos juntxs as possibilidade de atuar com autonomia.

Espaço Deriva
Ramiro Barcelos, 1853
www.deriva.com.br

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Exibição do filme Moolaadé – 18.jun

Moolaadé ( proteção mágica) é um filme  de  2004 dirigido por Ousmane Sembène. O filme trata sobre Mutilação Genital Feminina (MGF), uma prática comum em muitos países da África e Ásia. Um tipo de MGF envolve cortar e  fechar a vagina deixando uma abertura apenas para saída de urina e sangue. A mutilação não acaba na infância, pois no dia do casamento as mulheres sofrem nova cirurgia dolorosa, onde cortam o tecido costurado para possibilitar o coito. Os familiares dizem que este “selo” é a garantia de que suas filhas não façam sexo antes do casamento e protege a honra da família. Além da infibulação (nome dado a este tipo de mutilação), também é comum a prática da remoção do clitóris para impedir o prazer sexual. O filme tem uma postura firme contra estas práticas contando a história de uma mulher de uma vila em Burkina Faso, que usa moolaadé para proteger um grupo de meninas. Ela confronta xs moradorxs da vila que acreditam que a MGF é uma “purificação”.

Estaremos exibindo o filme às 19h nesta terça feira 18 de junho no Espaço Deriva, que fica na rua Ramiro Barcelos, 1853.

Apareça!

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Terráqueos e bate papo sobre Veganismo dia 18

Seguindo com a atividade da terceira quinta feira do mês do nosso coletivo no Espaço Deriva, estaremos no dia 18 passando o documentário Terráqueos, seguido de bate papo sobre Veganismo.

Abaixo o cartaz com a programação completa deste mês de abril na Deriva que tem como tema a Alimentação.

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Bate Papo sobre a Marcha das Vadias e exibição do filme Monster- no Espaço Deriva

Em continuidade pelo mês de luta das Mulheres, nesta semana nós do Ação Antisexista, estaremos com duas atividades no Espaço Deriva. Hoje, terça feira 19, faremos leitura e debate sobre o zine “Considerações sobre a Marcha das Vadias e outros textos”, e na quinta feira, 21, vamos exibir o filme Monster. A prostituição é assunto em ambas atividades. Bom momento para discutirmos o que é ser uma prostituta de verdade…sobre as violências contra as mulheres e a misoginia implicada nestas violências.

Terça-feira, 19/março : Leitura e debate do zine Considerações sobre a Marcha das Vadias e outros Textos. 19h.

Quando surgiu a Marcha das Vadias eu fiquei um pouco confusa: eu me revoltei contra a declaração do policial canadense como todas as mulheres que criaram a Slutwalk, mas eu achei a estratégia bem falha em vários sentidos, coisa que eu explico em dois textos desse zine. O primeiro texto que escrevi, Considerações sobre a Marcha da Vadias, comecei em novembro de 2011, depois de um diálogo virtual com uma amiga que estava vivendo em outro país. Eu comecei a escrever a resposta e isso acabou se tornando um texto sobre o assunto. Eu fiquei muito tempo em cima do texto, mas não consegui concluir na época… deixei o texto de lado. Isso se deu porque eu via muita dificuldade em abordar e organizar todas as questões que envolviam o assunto, em função de sua complexidade e pela dicotomia que foi criada entre liberação e moralismo. As pessoas não queriam discutir sobre a estratégia adotada pela Marcha das Vadias. Talvez muitas de nós chegaram a pensar em reconstruir as estratégias, pois havia uma intenção de contestarmos também o ponto de vista machista do policial canadense, e não só dele. Mas a Marcha já tinha sido criada e não sofreria mudanças, ao perceber isso não me engajei. Retomei o texto este ano também fruto de diálogo sobre o assunto e da tradução dos textos de Rebecca Mott. das quais participei.

Este zine explica um pouco os pontos de vista que criticam as estratégias da Marcha das Vadias. É um compilação de dois textos da escritora feminista radical e sobrevivente de prostituição Rebecca Mott., e dois textos meus.

Rebecca Mott. como ex-prostituta nos traz seu ponto de vista, fruto de sua vida cheia de abusos e violência no passado. É impossível ficarmos alheixs ao que ela coloca. A violência contra uma é a violência contra todas, e o que Rebecca escreve é reflexo das violências das quais passou. Existe a ideia de quando uma mulher sofre violência, seu relato e opinião por serem frutos de trauma são deslegitimados, como se não houvesse racionalização, reflexão e elaboração no pensamento. Eu penso essa ser uma forma de reproduzir a desvalorização das ideias que as mulheres têm. Eu penso essa ser uma forma de supervalorizar o pensamento cientifico em detrimento do conhecimento adquirido por vivência.

Enila Dor, novembro de 2012.

Quinta-feira, 21/março: Exibição do filme Monster seguido de bate-papo. 19h.

Filme da diretora Patty Jenkins, 2003, 109min. O filme é baseado em parte da vida de Aileen Wuornos, mulher prostituída executada pelo Estado que a considerou como uma assassina em série, apesar de Aileen ter alegado legítima defesa, evidenciando como o Estado reprime e criminaliza a auto defesa das mulheres. O filme é ao mesmo tempo brutal e sensível, tocando também sobre sororidade e lesbianidade.

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