Falecimento de Magdalen Berns – Lésbica Feminista Radical

 

Magdalen Berns faleceu. Que triste notícia.

Magdalen foi uma lésbica feminista crítica à noção de gênero. Sua postura feminista radical, sempre em defesa dos direitos e interesses das mulheres lésbicas e de toda a classe de mulheres, a tornou tanto alvo de ataques constantes, como uma influência feminista. Ela foi inspiração para muitas lésbicas, admirada e respeitada por muitas pessoas em várias partes do mundo.

Corajosa, brilhante, charmosa, espirituosa.

Farás falta.

Magdalen Berns (6.05.1983 – 13.09. 2019)

Women’s Shero

 

Azul para meninos e rosa para meninas é ser pró gênero

A ministra Damares Alves deu uma declaração gravada em vídeo afirmando que “o país vive uma nova era”, e “menino veste azul e menina veste rosa”.

Realmente estamos vivendo tempos muito obscuros. Como era de se esperar, a declaração foi veementemente criticada e as redes sociais foram inundadas com memes, fotos de homens de rosa e mulheres de azul, e textos de todos os tipos para se opor à declaração tão retrógrada. E então me parece pertinente lembrar do significado de gênero, e das consequências das políticas identitárias do queer acolhidas pelo “feminismo” liberal.

Azul para meninos e rosa para meninas é ser pró gênero, o que torna contraditória a própria declaração de Damares Alves, que diz ser contra a ideologia de gênero. Se ela fosse contra a ideologia de gênero ela seria contra que ambas cores tivessem que ser usadas distintamente por mulheres e homens. Pois bem, contra a ideologia de gênero sou eu, somos nós as feministas, tirando o feminismo liberal que reforça os estereótipos de gênero através principalmente das políticas identitárias. Sendo ou não sendo metáfora, é a mesma coisa. Assim como as cores rosa e azul, vários outros símbolos de vestimenta e também de hábitos e comportamentos, estão na categoria gênero. O gênero é um papel que um indivíduo tem que representar de acordo com o seu sexo. Por isso obviamente a indignação, pois é ridículo limitar mulheres e homens nestes estereótipos. Porém não é só a Damares Alves que faz confusão não. E agora que o bicho vai pegar. Se todo mundo ficou indignado com esta declaração limitante, como a grande maioria das pessoas chama homens de mulheres quando eles usam rosa? Ou maquiagem? Ou salto alto ou vestido? Não é a cor nem a vestimenta que se usa que faz uma pessoa ser homem ou mulher. Mas na atualidade quando um homem usa rosa, maquiagem, etc ele logo passa a ser chamado de mulher (pelas mesmas pessoas que agora estão indignadas com o episódio rosa-azul). Nesta lógica bastaria nós mulheres não usarmos nenhum dos símbolos da feminilidade para não sofrermos a opressão patriarcal (violência, exploração, discriminação, reprodução controlada, feminicídio, etc), pois se o que define ser mulher é uma vestimenta ou comportamento cultural, nós automaticamente nos tornaríamos e seríamos tratadas como homens. Eu fico anos sem usar nenhuma dessas coisas e continuo sendo mulher nesse tempo. Então o homem diz que se sente mulher e passa usar o que? Rosa. Aí é subversivo? Não, aí é reforçar um estereótipo de gênero. Porque como vocês mesmos reivindicaram, com toda a razão, homens também podem usar rosa e mulheres azul. Então meus amigos e amigas, olha só que oportunidade para aprofundar no feminismo e desmascarar toda esta farsa de gênero que vivemos e que nos tempos atuais se intensificou com as políticas de identidade de gênero. Ser mulher ou homem não é usar uma vestimenta.

Agora, não se enganem, Damares Alves e Bolsonaro querem reforçar os estereótipos de gênero, e ao falarem em ideologia de gênero estão se referindo na verdade que são contra o feminismo, contra que o nosso útero seja livre das punições das leis e a favor que sejamos encubadoras, eles são contra as sexualidades que não a heterossexual.

aline rod.

Nova fornada de zines!

Recentemente fiz três zines, um sobre textos/pensamentos aleatórios onde alguns já foram publicados na internet e outros não; outro com dois textos sobre gênero já publicados aqui (post 1; post 2) e o terceiro uma tradução que fiz do texto da Claire (Sister Outrider) que também já foi publicado aqui.

fico muito feliz sempre que “materializo” os textos e posso folhá-los. 🙂

a foto é da finalização da confecção

Transativistas Atacam Mulheres em Londres – 13.09.2017

Não importa o quanto transativistas cometam e defendam essa violência ela tem um nome: VIOLÊNCIA MASCULINA MISÓGINA!!

Mulher de 60 anos é agredida por transativistas no Speaker’s Corner em Londres na última quarta feira dia 13. localizado no Hyde Park este era o ponto de encontro para feministas e pessoas interessadas em participarem do evento chamado “O que é Gênero?”. O debate tinha sido primeiramente marcado para acontecer numa biblioteca comunitária em Londres, mas as organizadoras sofreram perseguição e ameaças por transativistas e a biblioteca cancelou o evento um dia antes, dia 12. Porém para seguirem com o evento, foi organizado um outro local, que desta vez foi mantido em segredo para garantir a segurança dos participantes. Apenas o ponto de encontro foi divulgado, dali seguiriam para o novo local.
E então transativistas apareceram no Speaker’s Corner para protestar contra o evento, foi quando, como aparece no vídeo, um transativista chega para agredir uma das mulheres que estavam ali. Logo depois outro começa a dar socos na feminista que desvia para se proteger.

Feministas estão sendo silenciadas e censuradas por serem críticas a noção de gênero. Até quando mulheres terão que sofrer ameaças e agressões? isso que está acontecendo a muito tempo vem sendo abafado pelo medo que as pessoas tem de serem erroneamente acusadas de transfobia por qualquer desacordo que tenham com as teorias de identidade de gênero.

“Gênero não é uma outra palavra para Sexo”

A opressão das mulheres é baseada no sexo. O gênero é uma construção social. Sendo assim, as pessoas que nascem com vagina são clocadas no gênero feminino e as pessoas que nascem com pênis são colocadas no gênero masculino. O gênero é uma convenção que coloca as mulheres como subalternas dos homens – fundamento do patriarcado. Esta noção de que as mulheres são inferiores aos homens leva as mulheres a serem tratadas de forma diferente e desfavorável da dos homens. Este tratamento tem consequências materiais na vida das mulheres como a discriminação, o controle ao corpo das mulheres incluindo o controle reprodutivo, menores salários e oportunidades, violência sexual massivamente maior contra as meninas e mulheres, violências físicas e psicológicas específicas, prostituição e tráfico sexual, mutilação genital, feminicídio.

É por isso que a opressão das mulheres é baseada no sexo. O gênero é dado a pessoa quando ela nasce.

Dizer isso não significa que se está negando a realidade de outras pessoas, dizer isso é reconhecer a luta das mulheres e de onde vem a opressão e exploração que sofrem desde seu nascimento.
Negar a realidade das mulheres é misoginia.