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Dia Internacional da Não Violência Contra à Mulher – [ Sobre o Feminicídio]

“O feminicídio é a instância última de controle da mulher pelo homem: o controle da vida e da morte. Ele se expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando a mulher a um objeto, quando cometido por parceiro ou ex-parceiro; como subjugação da intimidade e da sexualidade da mulher, por meio da violência sexual associada ao assassinato; como destruição da identidade da mulher, pela mutilação ou desfiguração de seu corpo; como aviltamento da dignidade da mulher, submetendo-a a tortura ou a tratamento cruel ou degradante.”
Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre Violência contra a Mulher

O número de feminicídios cresce no Brasil, em relação a 2016 o ano de 2017 teve um aumento de 6,5 % de mulheres assassinadas, chegando a uma média de 12 mulheres assassinadas por dia, ou, a cada duas horas uma mulher é assassinada no país.

Feminicídio é um crime de ódio às mulheres. No Brasil o cenário mais preocupante é do feminicídio cometido por parceiro ou ex parceiro. Geralmente o feminicídio é premeditado e precede a um padrão de violência aterrador, por isso em muitos casos ele poderia ser evitado. Infelizmente muitas mulheres não conseguem evitar de serem mortas ou obter ajuda, e ainda que procurem, mesmo por meios legais, tem suas denúncias ignoradas, ou tratadas sem a devida importância e urgência. No patriarcado as reivindicações das mulheres são comumente descartadas. Assim como suas vidas.

Dia Internacional da Não Violência Contra à Mulher – [Sobre a Violência Obstétrica]

A violência obstétrica pode ser verbal ou física. A cada 4 mulheres 1 sofre deste tipo de violência no Brasil.

Agressões verbais, maus-tratos, humilhação, xingamentos, coibição e ameaças por parte do profissional da saúde. Negar atendimento, negar ou não oferecer algum alívio para a dor. Intervenções ou procedimentos desnecessários como o exame de toque a todo instante e a episiotomia – corte entre a vagina e o ânus para “facilitar” a passagem do bebê – que pode causar infecção, muitas dores e atrasar o processo de recuperação pós-parto. Cesáreas desnecessárias aumentando os riscos para a saúde da mulher e tornando a recuperação mais difícil. Não informar a mulher sobre algum procedimento médico que será realizado. Privar a mulher de ter um acompanhante na hora do parto, coisa que é garantida por lei, podendo ser qualquer pessoa que a mulher escolher, não necessariamente um marido.

Esses são alguns exemplos dessa violência, a lista é maior.

A dependência da mulher dos profissionais da saúde para que seja realizado o parto, situação que é agravada quando a dor é presente, a coloca numa posição de vulnerabilidade, e ela não tem muito como impedir as agressões.

Dia Internacional da Não Violência Contra à Mulher – [Sobre a Violência Sexual]

Em 2017 foram registrados 60.018 casos de estupro no Brasil, isso dá uma média de 164 estupros por dia. Porém sabemos que os dados são subnotificados. Existem muitas razões para isso. As mulheres além de sofrerem violências sexuais, são ameaçadas de mais violências ou morte caso denunciem seus agressores. Muitas mulheres por razões econômicas ou afetivas não podem denunciar nem se afastar de seus agressores. Também é muito frequente que as mulheres sejam acusadas de terem causado ou facilitado a violência. A triste e cruel realidade, é que na maioria das vezes as pessoas questionam as mulheres violentadas, procurando achar justificativas que absolvam os perpetradores enquanto culpabilizam a vítima. Sempre se pergunta do porquê a mulher estava tarde ou sozinha na rua, insinua-se que sua roupa era provocativa, ou que o seu comportamento não foi apropriado. Mas as mulheres são estupradas a qualquer hora do dia, independente de suas roupas ou aparência, por homens estranhos ou conhecidos. Todos estes questionamentos demonstram de forma bem definida em como funciona a opressão do patriarcado. Enquanto as mulheres são questionadas e culpabilizadas, os homens são perdoados pelas violências que eles cometem. É comum dizerem “ela estava muito bêbada e pediu por isso”, “sabia que isso aconteceria”, enquanto o agressor é desculpado exatamente pela mesma razão, “ele estava muito bêbado não sabia o que estava fazendo”. Lembrando ainda que os homens podem beber e se comportar como quiserem sem que exista esta ameaça, sem que seus corpos e integridade sejam atacados como os nossos, lhes concedendo uma liberdade muito maior de ir e vir e de ser.

Uma outra face dessa realidade, nem sempre lembrada, é a de que muitas vezes o estupro e os abusos não são assim considerados. Isso é muito comum entre casais, onde existe uma obrigação da mulher em satisfazer qualquer vontade de seu cônjuge, porque a mulher ainda é vista como propriedade do homem.

O estigma e a vergonha também são outras razões que impedem as mulheres de procurar ajuda. Isso é algo que só deixa nós mulheres ainda mais sozinhas para resolvermos o que faremos dali pra frente para não sermos atacadas novamente, contando apenas com nós mesmas para superarmos nossos traumas decorrentes desta violência brutal.

O estupro pode ter consequências físicas como doenças sexualmente transmissíveis, gravidez e traumatismos, ou decorrentes de outras agressões durante o ataque. As consequências psicológicas são imensuráveis e diversas, de fobias, depressão, transtorno pós traumático ao suicídio.

As marcas do estrupo acompanham uma mulher por toda a sua vida.

A culpa da violência sexual nunca é da vítima, mas de quem a comete.

 

Dia de Combate à Violência Contra à mulher – 25 de Novembro

Hoje estaremos ocupando o espaço público mais uma vez para denunciarmos as violências contra nós mulheres.Também será um espaço para debatermos a ofensiva fascista na atualidade. Haverá uma plenária aberta, estaremos dialogando com as pessoas e entregando panfletos. Algumas organizações e coletivos estarão com suas banquinhas divulgando materiais feministas.

25 de Novembro é Dia de Combate à violência Contra à mulher

Dia Internacional da Não Violência Contra à Mulher – 25 de Novembro

Em 1999, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 25 de Novembro como o Dia Internacional da Não-Violência Contra à Mulher em homenagem às irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa. Conhecidas como “Las Mariposas”, as irmãs foram brutalmente assassinadas neste dia do ano de 1960 pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. As três combatiam fortemente aquela ditadura e, infelizmente, pagaram com a própria vida.

Desde que se instituiu este dia, internacionalmente, movimentos feministas marcam a data para denunciar as violências cotidianas que são cometidas contra as mulheres, com o objetivo de mudar este quadro perverso através de conscientização da sociedade.

Neste ano de 2018 em Porto Alegre, várias organizações, sindicatos, coletivos e mulheres independentes unem as forças promovendo uma plenária para tratarmos sobre as violências e sobre a ofensiva fascista que assola o país. Esta ofensiva se mostrou em discurso e na execução de ataques, causando danos físicos e psicológicos e até mesmo a morte de pessoas pertencentes a minorias ou que levantaram sua voz contra essa pregação do ódio.


Nós mulheres temos estado na linha de frente contra o fascismo e os retrocessos que tentam impor no país com a retirada de direitos alcançados e impedimentos a novas conquistas. Nós bem sabemos o que é termos direitos negados, e as violências contra nós tem muitas faces.
O número de feminicídios cresce no Brasil, em relação a 2016 o ano de 2017 teve um aumento de 6,5 % de mulheres assassinadas, chegando a uma média de 12 mulheres assassinadas por dia, ou, a cada duas horas uma mulher é assassinada no país.
Lembrando que os dados são subnotificados. Houve um aumento de 54% de violências contra mulheres negras registrados entre os anos de 2003 e 2013 – as mulheres negras são as mais atingidas pelas violências. Nós mulheres somos vítimas da violência misógina em todas suas nuances e as mulheres lésbicas sofrem violências específicas. Segundo estatísticas as mulheres brancas não feminilizadas são as mais assassinadas 39%, seguidas das negras não feminilizadas 28% , negras feminilizadas 17%, brancas feminilizadas 15% e mulheres indígenas feminilizadas 1%. Também observa-se um maior número de lesbocídios entre as mais jovens entre 20 e 24 anos, seguidas das meninas até seus 19 anos.
A violência doméstica têm números assustadores e as mulheres são assassinadas por maridos, namorados ou familiares.

No ano passado foram registrados 60.018 casos de estupro, isso dá uma média de 164 estupros por dia. A violência obstétrica também tem números alarmantes e 1 a cada 4 mulheres já sofreu violência no parto. É estarrecedora a ausência de anestesias às mulheres negras.

São muitas as violências cometidas contra as mulheres, esses são alguns dados da nossa realidade aterradora. Ainda existem mulheres invisíveis. Rostos não vistos e vozes não ouvidas. Assim é com as mulheres indígenas e dos povos rons, sinti e calons (o que é conhecido como povo cigano). No Brasil a violência sobre elas é alarmante conforme seus relatos.

Nós mulheres sempre resistimos e assim seguiremos, porque a nossa luta é por uma sociedade justa e de direitos iguais a todas e todos.

Juntas somos mais fortes!

O machismo mata.
O feminismo não mata.

#EPelaVidaDasMulheres
#NenhumaAMenos
#MulheresContraOFascismo
#FeminismoERevolucao

 

Esperança nas Mulheres

Primeiro me trataram diferente.
Eu segui com a esperança que só é possível uma criança ter.

Depois foram trabalhando em minar minha autoestima.
Eu segui com a confiança abalada mas segui.

Logo mais percebi que minha segurança e integridade estavam em risco.
Eu segui desconfiada e mudei minha percepção das coisas mas segui.

Então sofri o primeiro abuso. O segundo e os que mais se sucederam. A violência e a humilhação que as mulheres sofrem por terem nascido mulheres. Porque existe uma cultura de ódio às mulheres. E eu segui já com meu coração apertado e meu sono interrompido.

Em constante estado de alerta.

Minha esperança mudou de parâmetro, já não era mais na humanidade, minha esperança passou de acreditar nas pessoas para lutar pelas mulheres. Na esperança de que um dia nos libertaremos.

Então passaram a me dizer que eu estava muito focada no “meu problema”. Mas não é “um problema”. Nem meu. O nome disso não é “problema”, é patriarcado – dominação exercida pelos homens – que oprime e explora as mulheres. A dominação masculina beneficia apenas os homens. Quer eles queiram, quer não.

Apesar de que deste homem que não quer, que acredita não querer, não nos é possível saber realmente o quanto ele não quer o benefício. Porque ele fala de um ponto de vista onde lhe é tudo garantido.

aline rod.

Ameaça/ Sisters For Liberation – som e letra

Orgulhosamente apresento o som da Ameaça:

Esta é uma faixa da demo da Ameaça, banda que toco bateria e faço os vocais.

Letra de Sisters For Liberation:

We are still here
We survived
You have been trying to erase our herstory
Our deeds
But we are still here
We will survive
We’ll tell by our own ways
We don’t need you
We never did

You try to possess us
You try to destroy us
We are still here
Many of us have survived
The ones who haven’t
The ones you killed
Are our bravest ones
They are in our hearts
Reminding us to keep the fight

Your fire
Your genocide
All of your hatred
All of your lies

We are not fighting for equality
We are not fighting for crumbles
We are sisters for liberation

We are still here
We survived

We are still here
We will survive


site da banda: https://ameaca.bandcamp.com/releases

aline rod.

Certeza Inabalável

Nós mulheres estamos sobrevivendo desde que nascemos. São muitas herstórias que temos para contar, são muitos horrores pelos quais passamos mas ao contrário do que esperam, estamos aqui, lutando. Apesar de todas as tentativas de minarem com nossa autoestima, quando não com nossa vida, estamos aqui. E sabem porquê estamos aqui? Porque não temos outra escolha. Porque estamos aqui também pelas que não sobreviveram e pelas que virão. Nós sabemos o que queremos mas temos que constantemente descobrir e desbravar novos caminhos porque não nos deram nada mastigado, pelo contrário, escondem nossos feitos. Desde nossas antepassadas há lições que foram manipuladas para que não chegassem até nós. As tentativas de apagarem nossos conhecimentos e feitos são estratégias para impedir de sentirmos identificação, de nos reconhecermos como classe, isolando cada uma de nós, nos afastando umas das outras. Concomitantemente, a competição entre mulheres é motivada para que o isolamento seja ainda mais efetivo e para que seja desviada da nossa atenção o que realmente nos oprime, mantendo o caminho livre para mais exploração. São tentativas para impedir de nos organizarmos, sempre nos mantendo neste ciclo de voltar um passo atrás do que já foi previamente alcançado. Quando o conhecimento é destruído ou manipulado, nós mulheres temos que recomeçar de onde este foi “parado”. Vários desses “novos” caminhos que desbravamos já foram trilhados por outras mulheres anteriormente. Por isso é muito importante que nossos conhecimentos e descobertas sejam devidamente valorizados e repassados.

A exploração também vai se transformando e sim, também temos que lidar com novas formas de opressão. E por isso também qualquer mulher está sempre lidando com sobreviver a algo profundamente solidificado por ser antigo e estabelecido, e com sobreviver a um golpe novo, que requer urgência de atenção para que consigamos responder para evitarmos que o estrago seja ainda maior.

Enquanto estamos resistindo e lutando, existem forças contrárias bem mais institucionalizadas, que detêm poder. O que significa duplicar, triplicar nossos esforços para nos mantermos respirando e para construirmos uma realidade menos inóspita para nós e para as que estão por vir.

Por isso dizemos que toda mulher é uma sobrevivente. É contra toda essa guerra não declarada mas bem estabelecida que temos que nos sustentar psicológica, física e materialmente.

Nossa luta só pode ser feita por nós mesmas, ninguém nos libertará e ninguém além de nós pode realmente se sentir no direito para dizer como devemos agir. Sabemos bem que as tentativas de nos colocarem constantemente em cheque são parte do esquema para nos manterem colonizadas, para que a subjugação se mantenha naturalizada. Como se não tivéssemos saída. Pois a nossa saída é a libertação. E quando percebemos isso nossa certeza é inabalável. A certeza de que nossa libertação é a nossa única saída é uma certeza inabalável.

E isso é temido, e por isso nossa realidade é seguir sobrevivendo em meio a subjugação manifestada

em formas ardis com seus subterfúgios e nas mais brutais e explícitas.

As tentativas de moldar o feminismo para que acate as necessidades de outros grupos compõe de estratégia egoísta e é uma das mais efetivas para dissiparem nossos esforços. E também para nos dividirem.Uma coisa é solidariedade, outra coisa é exigirem que modifiquemos princípios e mecanismos de luta vitais para nós. E que conquistas quase alcançadas sejam revertidas ao ponto de nos colocar na estaca zero. É como se nós mulheres sempre pudéssemos ser um pouco mais exploradas, um pouco mais desprezadas, como se já não o fôssemos o bastante. Sabendo que nós mulheres fomos educadas a nutrir, não apenas esperam, mas exigem que passemos a encaixar na nossa luta necessidades que não são nossas sob ameaça de sermos ainda mais ostracizadas e recusadas. Mas nós aprendemos desde cedo a sermos recusadas, a termos o acesso negado. Sabemos lidar com o “nos ser negado”, pois nos ensinam logo no início sobre o que não é de nosso direito. Nos ensinam quais lugares podemos ir e quais não poderemos, quais comportamentos teremos que ter e quais seremos castigadas ou marginalizadas se os tivermos. Por isso, por termos sido acostumadas com imposição de limites específicos a nós, é que desenvolvemos determinadas habilidades, um tipo de inteligência desenvolvida para sobreviver.

O Feminismo é nossa luta preciosa, necessária e por sobrevivência. A Libertação é o nosso objetivo. Para todas.

Aline rod.

08 de março 2016