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Não seremos massa de manobra!

Me encontro com sentimentos e pensamentos inquietantes. E sei que somos muitxs que assim se encontram. As manifestações contra o aumento da passagem me deram muita esperança, eu nunca pensei que fosse ver as pessoas reagindo tão sinceramente e bravamente nas ruas. Mas também assim como eu, muitxs estão indignadxs em nos depararmos com a tentativa de roubar do povo esta luta, que é sim contra o aumento da passagem. A mídia e a classe média estão tentando descaracterizar o movimento e tirar o protagonismo do povo,  pois este lhes convém que continuem à margem e à exploração e que não tenham voz nem razão.

Este movimento não é contra a “Corrupção”
Ao verem que milhares de pessoas estão indo as ruas, as alas conservadoras e de direita resolvem se apropriar e redefinir as demandas do movimento. Passam a dizer que este não é um movimento pelo passe livre e que “é muito mais”, que “o povo tá cansado de corrupção”. Mas este “muito mais” é na verdade “muito menos”. Qualquer tentativa de dizer que este movimento é contra a corrupção, torna a luta distante, difícil de ser combatida, já que todo mundo é contra a corrupção. Dizer que a luta é contra o governo -se subentende o governo vigente- passou a ser o novo jargão da direita oportunista. Esta tentativa de “ampliar”  as reivindicações é uma tentativa de ofuscar a luta contra o aumento das passagens como ela surgiu, e contra os gastos na Copa que ferem e subestimam a capacidade do povo de discernimento.

Oportunismo em utilizar o termo apartidário

A direita agora se utiliza do termo apartidário de forma oportunista e falsa, porque ela tem partido e tenta cooptar o movimento em favor de seus interesses enquanto partido político. Diz para nos uniformizarmos com uma única bandeira, a do Brasil, clamando o nacionalismo -que é um passo para o fascismo- que se opõe a nossa luta por igualdades e ignora que nossas reivindicações são internacionalistas. Este patriotismo surgido nas manifestações também ofusca a causa, por dizer “muda Brasil”, ou seja, não mude “apenas” o aumento da passagem, mude tudo, “mude de presidente”, quando não, “que volte a ditadura!”
Então nem precisamos mudar a tarifa da passagem, afinal o que são 20 centavos para o bolso da classe privilegiada? Então não precisamos lutar contra o aumento da passagem, porque temos coisas mais importantes para mudar!

Parem de dizer que o movimento é pacífico de forma mântrica

Só o que temos ouvido na mídia é que o movimento é pacífico e que uma minoria composta de “vândalxs” estão estragando as manifestações. É o novo mantra,  liga-se o rádio ou a televisão, se entra na internet e tá lá, “a manifestação era pacífica até que….” Até que o que? Que a polícia joga gás lacrimogênio nxs manifestantes para impedí-lxs de continuarem o protesto e como aconteceu aqui em Porto Alegre para nos impedirem de passarmos na frente da Zero Hora?  A manifestação era pacífica até que xs “vandalxs” e “saqueadorxs”  “injustificavelmente” confrontam o status quo e a violência da Polícia que está lhes descendo o pau?

“Sem violencia, Vandalismo Não!”

Nas manifestações de segunda feira um fenômeno decorrente da adesão dxs mais conservadorxs se mostrou muito presente. Pessoas preocupadíssimas com que as pixações “manchem a imagem” da manifestação e preocupadíssimas em serem mal interpretadas pela Polícia e pelos segmentos da sociedade. Pessoas entoando “sem violencia” ou “vandalismo não” para qualquer ato que não seja caminhar para frente, esquecendo-se de que são estxs vândalxs que estão lhes protegendo na linha de frente! São estxs vândalxs “violentxs” que defendem a manifestação das bombas de gás. Por que estas pessoas evitam criticar a violência policial que é contra PESSOAS e criticam e caracterizam como violência ações contra a propriedade privada, ou orgãos públicos que tem papel direto no preço das passagens, nos gastos com a Copa, e com a desigualdade entre as classes?
Tem um vídeo de São paulo que ilustra bem isto, um cara começa a pixar uma parede e é atacado com muita violência, empurrado, chutado e ameaçado! E onde está o grito “sem violência!”? Fica bem evidente que não é a violência o problema, a questão é pagar pau de “bonzinho”, porque afinal a “Polícia tá aí pra nos proteger né, afinal elxs ganham pouco também né, e elxs podem cometer violências porque elxs estão do lado da lei né”. Pois aqui em porto alegre na manifestação de quinta feira, apesar da mídia corporativa mentir descaradamente, o que aconteceu foi que os policiais começaram a jogar bombas de gás lacrimogênio de forma indiscriminada nxs manifestantes sem que estxs tivessem feito absolutamente nada. O vídeo veiculado pela própria mídia mostra imagens da polícia atacando primeiro, embora o texto do jornalista diz que a polícia revida, tentando sustentar uma mentira visível. E me digam por favor uma verdade, existe realmente equiparidade entre Polícia com escudos, capacetes, proteção e armas “não letais” que muitas vezes matam e manifestantes com lenços envoltos em vinagre?

Gás lacrimogenio- efeito moral….

Sim, o gás lacrimogenio tem um efeito moral. Porém, este efeito moral é decorrente de ameaça a integridade física, ele ataca fisicamente e quimicamente os corpos em graus mais ou menos sérios de acordo com a exposição. As bombas de efeito moral, são bombas materializadas, não são palavras ditas pela polícia como faz parecer o termo “efeito moral”. Elas tem objetivo de impedir, causar danos físicos e dispersar, ou seja enfraquecer a coesão entre manifestantes. De cima de um helicóptero ou do estúdio da TV pode bem parecer apenas uma bomba de “efeito moral”.

Não é o momento de recuar!

Não, este não é o momento de deixarmos às ruas, este não é o momento de cedermos terreno para a direita, a luta é historicamente nossa e não deixaremos que se apropriem! Não seremos massa de manobra!

por E.D.

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Violência de Estado

A última Marcha da Maconha em são Paulo foi marcada por repressão e abuso policial, logo, violência de Estado.

Esta violência já começa quando a marcha em si é proibida de acontecer pelo Tribunal de Justiça um dia antes. A Marcha da Maconha propõe um diálogo, para que se discutam todas as questões envolvidas à legalização. Como falar em apologia a maconha não causa mais o efeito desejado, a marcha foi considerada apologia ao crime. Mas é justamente disso que a marcha se trata! O que estão dizendo com isso? Que as leis não podem ser questionadas, mudadas? Mais uma incoerência do sistema, pois muitas leis já foram modificadas e criadas desde a primeira constituição.

Xs manifestantes então decidiram por realizar uma Marcha Pela Liberdade de Expressão, pois clamam pelo debate.

Mas esta marcha também foi reprimida e a polícia usou de violência e muito gás lacrimogênio contra xs manifestantes, e que acabaram atingindo também varias outras pessoas que estavam nos arredores da marcha. Mais uma incoerência aí – a droga de Estado. O gás lacrimogênio causa muitos danos à saúde, mas é a droga usada pela polícia para “conter” manifestantes (pessoas). É droga legal e recomendada pelo Estado.

Para completar a cena, havia um grupo contra a marcha composto por neonazis, fascistas, ultra nacionalistas, que aplaudiam a violência policial assegurados pela proteção da mesma.

Proteção, Segurança, Violência, Drogas, Leis, Constituição, se tornam palavras que mudam de sentido de acordo com convenções e conveniências perpetuadas pelo Estado e pela estrutura de desigualdades das quais o sistema se alimenta.

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Ações de Agosto e Inicio de Setembro

Nas últimas semanas aconteceram algumas atividades que gostariamos de dividir com todxs que acompanham o blog. Têm sido semanas corridas, e as vezes é dificil sincronizar as ações na vida real com as atualizações aqui do site, entao as atividades vão se acumulando….

O fim de agosto foi bastante movimentado. No dia 21 aconteceu o lançamento da OUTRA CAMPANHA, uma proposta inspirada na La Otra Campaña dxs companheirxs Zapatistas,  construindo e celebrando uma nova politica, combativa e horizontal, em oposição ao circo eleitoral porque nossas urgências não cabem nas urnas! A atividade também lembrou o 1º ano do assassinato de Elton Brum pela brigada militar. Na última sexta do mês, dia 27 rolou a Massa Critica, apesar da forte chuva.

Sábado, dia 28 participamos do 1º Caracol Libertário, que juntou diversos grupos para discutir temas ligados a teoria e prática anarquista. Rolaram papos sobre as anarquistas Louise Michel e Juana Buela,  sobre as correntes anarquistas e o especifismo, sobre capoeira, uma perspectiva revolucionária do movimento socioambiental, exibição de filmes… Nosso coletivo puxou uma conversa sobre a relação entre anarquismo e feminismo, tentando trazer a tona essa conexão intrinsica entre o poder do estado e o poder patriarcal; o poder do patrão, o poder do marido, o poder do pai.  Distribuímos um pequeno texto a fim de acender o debate e não concentrarmos tanto a palavra. Por coincidência todas as conversas sobre feminismo, protagonismo da mulher e antisexismo ficaram para o período da tarde, então houve uma continuidade no debate sobre essa temática, mesmo assim sentimos que o tema segue sendo muito polêmico e velhos preconceitos ainda estão muito vivos…  xs feministas continuam sendo acusadxs de ‘dividirem’ o movimento e pra muitxs as demandas feministas ainda devem ser mantidas em segundo plano e em muitos momentos nos sentimos atacadxs e desvalidadxs. Entendemos que o tema é especialmente polêmico por visibilizar as estruturas de poder e de privilégios presentes em todxs nós – até mesmo entre anarquistas.  Mesmo assim surgiram muitas questões importantes, e foi muito bom ver muitxs se solidarizando com as idéias anarcafeministas.

No dia 29 de Agosto é celebrado o DIA NACIONAL DA VISIBILIDADE LÉSBIKA e aqui em Porto Alegre aconteceu a 4ª Marcha Lésbika. Pelo segundo ano consecutivo organizou-se um bloco autonômo que reuniu o Coletivo Mentes Plurais, As Mulheres Rebeldes, o Coletivo Corpos em Revolta, e nós do AçãoAntisexista, que participamos pela primeira vez.

O feriado de 7 de setembro parecia seguir normalmente: os militares marchavam, o público aplaudia, e xs descontentes faziam uma passeata passiva, há uma distância segura, invisiveis. Tem sido assim há alguns anos, mas nesse ano um outro elemento foi adicionado. Participamos com o pessoal da ResistênciaPopular, Levanta Favela, Mulheres Livres, coletivos antimanicomiais…. começando nossa caminhada na borges, um pouco atrás do [fraco] Grito dos Excluídos, mas logo mudando a rota e nos aproximando ao máximo do “desfile militar”. Rapidamente a Tropa de Choque formou um cordão de isolamento nos mantendo distantes,nos intimidando com armas não letais e letais. ali o pessoal do Levanta Favela apresentou uma esquete sobre a tortura durante a ditadura e hoje, provocando e chamando a atenção das pessoas que estavam por perto. Caminhamos um pouco mais em diversas direções e a esquete foi encenada em diferentes pontos ao longo da parada militar, sempre sob vigilância policial.

Agora estamos envolvidxs com a organização da 1ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre, marcada para outubro, logo logo estaremos divulgando. Também em outubro vamos participar do MorroStock, vão rolar feiras de materiais independentes, um painel sobre midia alternativa com a participação da rádio livre Antena Negra e vamos tocar com a ferida no dia 15.